Novos hóspedes do Zoo Pomerode

12 Maio 2017 10:05:52

Os quatro leões-angolanos têm dois anos e fazem parte do Programa de Manejo Nacional de Proteção

Aline Christina Brehmer

Quatro leões-angolanos saíram de Lisboa e foram recebidos em um novo lar neste mês: o Zoológico de Pomerode. Três deles são irmãos e têm dois anos e nove meses, já o quarto é mais velho, com um mês de diferença. Apesar do tamanho e porte, ainda são filhotes, mas promissores reprodutores de uma espécie que está hoje em vias de extinção – e foi com o objetivo de preservar a mesma que o zoológico participa do Programa de Manejo Nacional de Proteção dessa subespécie, que cuida hoje de 74 leões-angolanos.

Adaptação

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(Foto: Rafael David) 
 

A viagem dos quatro grandes felinos iniciou na tarde do 26 de abril, quando saíram do Aeroporto Internacional de Lisboa. No dia 27 à tarde eles chegaram em Guarulhos e na madrugada do dia 28, enfim, chegaram ao Zoo. “Eles estavam cansados, foi uma longa viagem, mas hoje já estão se alimentando normalmente. Estão bem”, garante o biólogo e responsável técnico do Zoo Pomerode, Cláudio Maas.

No momento, os leões estão em quarentena. Maas explica que se trata de um período no qual não podem ter contato com outros carnívoros. “Importante frisar que, mesmo após esses 40 dias, não temos intenção de juntá-los a outros carnívoros também”, salienta.

Por se tratar de animais que já conviviam juntos em Lisboa, a adaptação no novo zoológico se torna menos difícil, visto que essa familiaridade gera mais segurança e confiança. “Ainda assim, é preciso ver que são novas pessoas, uma nova equipe que cuida deles. São cheiros diferentes, estímulos diferentes, mas ao final da quarentena já estarão bem adaptados”, comenta o técnico.

O novo recinto dos leões tem 1.000 metros quadrados e foi preparado especificamente para eles, que são os únicos que estão em Continente Americano até o momento.

Programa de Manejo Nacional de Proteção

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(Foto: Rafael David) 
 

O Zoo Pomerode é a 19ª instituição a entrar nesse programa e Maas diz que o zoológico está devidamente credenciado. “É a primeira vez que esses leões saem da Europa e a estadia deles aqui é algo muito importante para nós”, garante. Esse credenciamento propicia à instituição ter a anuência do Comitê Internacional.

“No Brasil, o processo de legislação é distinto daqueles que são exigidos internacionalmente. Então, há a necessidade de que as instituições daqui se adequem aos padrões europeus”, explica. Com o credenciamento feito, é comprovado que o Zoo tem uma equipe qualificada e com experiência para trabalhar com determinas espécies/subespécies e que a instituição tem solidez.

“Há um trâmite documental junto ao Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Agricultura e a Receita Federal. Após todo esse processo ser devidamente encaminhado e finalizado, os animais então vêm para o Brasil. Estamos falando aqui de, pelo menos, dois anos de trabalho até que essa viagem de fato ocorra e o animal seja transportado”, salienta Maas.

Ele explica que um dos objetivos desse programa é a cooperação mútua dos participantes para que os animais sejam manejados de acordo com as recomendações do coordenador geral. “Por hora, os quatro leões irão permanecer aqui e, em breve, há a possibilidade de que cheguem fêmeas também. Há uma intenção muito forte por parte dos zoológicos do Brasil de aumentar a participação nacional nesse e em outros programas”, frisa.

Educação, pesquisa e conservação

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Cláudio Maas, biólogo e responsável técnico do Zoo Pomerode. (Foto: Rafael David) 
 

Hoje, o Zoo Pomerode é, a nível estadual, o que mais participa de programas oficiais de conservação. “São 24 programas de conservação e a intenção é passar para 100 programas”, complementa o técnico. Maas diz que há 270 espécies no local hoje, totalizando 1.150 animais.

Ele diz que a intenção é manter esse número de animais, e que a população abrigada ali faça, na grande maioria, parte de programas internacionais. Há outros animais, como elefantes, que foram resgatados de circo, entre outros que não estão em risco de extinção ou até o momento não fazem parte de nenhum programa.

“É importante que as pessoas que visitam o Zoo saibam que elas também contribuem para que possamos dar continuidade a esse trabalho”, frisa o técnico. Ao ir até o local para conhecer as espécies, os visitantes estão conhecendo animais que têm importante papel para a ciência.

“A visitação é um complemento das atividades relacionadas à educação ambiental, pesquisa científica e conservação da biodiversidade – ações que norteiam as atividades do Zoo desde 1977”, ressalta o técnico.


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