Dermatite alérgica à saliva de pulgas

Por DRa. Daiana Giovanella 19/01/2018 - 10:38 hs

A pulga é o parasita mais frequente, tanto no cão como no gato. A dermatite alérgica à saliva de pulgas é extremamente comum, podendo afetar igualmente o cão e o gato.

Os animais que desenvolvem a DASP apresentam uma reação alérgica à saliva das pulgas que é injetada na pele do animal enquanto estas se alimentam de sangue. A saliva da pulga nesses animais é a responsável por desencadear a reação de hipersensibilidade, pois nela existem vários componentes altamente alergênicos. Vale lembrar que somente os animais alérgicos reagem à presença das pulgas, uma vez que podemos observar animais intensamente parasitados sem sintomas alérgicos. Às vezes é difícil observar pulgas em animais alérgicos e isso pode ser explicado pelo fato de que apenas uma única pulga que pica o animal e sai pode desencadear a resposta alérgica. Muitas vezes identificamos somente a presença das fezes das pulgas nos animais. As pulgas são ectoparasitas chamados temporários porque vão aos animais somente para alimentação, estando presente maciçamente no ambiente, ou seja, 5% das pulgas estão no animal e 95% estão no ambiente.

O sinal clínico da DASP mais observado é o prurido (coceira) com intensidade que vai de moderada a intensa. Ao se coçar o animal acarreta o desenvolvimento de lesões na pele tais como, inflamação, feridas e crostas. O ato de coçar pode ainda causar hipotricose (falhas na pelagem) que evolui para alopecia (falta de pelos). As regiões do corpo mais afetadas pela DASP são: cauda, ânus, região dorsal, coxas, abdômen e pescoço. Já os gatos podem lamber-se em exagero ou arrancar os próprios pelos, apresentando falta de pelo nos flancos e no dorso.

A DASP serve como porta de entrada para diversas outras infecções de pele que se desenvolvem pela proliferação de bactérias oportunistas que encontram na pele inflamada e lesionada dos animais com DASP um ambiente perfeito. Em casos crônicos de DASP a pele pode adquirir uma coloração escurecida nas regiões de lesão, podendo também engrossar nessas áreas. Muitos animais desenvolvem a dermatite úmida aguda, como conseqüência do ato de coçar-se ou lamber-se.

O diagnóstico da DASP deve ser feito pelo médico veterinário após a obtenção de toda a história clínica do animal e um completo exame físico. Muitas vezes são necessários exames complementares para verificar a presença de bactérias, fungos ou ácaros que ocasionam a sarna.

É importante destacar que a presença de pulgas nos animais não tem relação com hábitos de higiene e pode ocorrer mesmo em animais que recebem cuidados adequados e até rigorosos por parte de seus proprietários. Fique atento aos sinais do seu pet!