Desenvolvimento

ADR: qual é a sua finalidade?

11 Agosto 2017 09:46:23

Agência investiu cerca de R$ 64 milhões em obras na região nos últimos quatro anos

Aline Christina Brehmer
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“O papel da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) é dar andamento às obras do Estado, tanto as que já acontecem quando as que estão por vir. Desenvolver regionalmente no sentido de infraestrutura, proporcionando qualidade de vida às comunidades que atendemos”.

É assim que a secretária executiva da 34ª ADR de Timbó, Lúcia Steinhauser Gorges, explica a função e finalidade da Agência. No que diz respeito à criação da Região Metropolitana de Blumenau (RMB), Lúcia é enfática. “Não sou contra o projeto, até porque não conheço. Mas acho que deveria ser bem estudado para vir realmente de encontro ao que a população necessita A ADR foi criada pelo governo através de um Projeto de Lei e se fosse o caso de haver sua extinção, seria da mesma forma”, analisa.

Ela frisa que foram investidos cerca de R$ 64 milhões em obras na região através da ADR de Timbó no decorrer dos últimos quatro anos. “Esses recursos passaram por aqui e foram investidos nos sete municípios que fazem parte da ADR. Mas isso fora outras obras, como na EBB Giovani Trentini e no Cedup, que receberam R$ 7 milhões cada, além da Terceira Ponte de Indaial, na qual serão investidos R$ 20 milhões, entre outras obras”, explica a secretária.

ADR: órgão facilitador

Entretanto, Lúcia cita questões que tornam a ADR de Timbó um órgão facilitador para a comunidade local. “Importante lembrar que a ADR fez uma economia de R$ 123 mil por ano quando uniu as gerências, assessorias, Sistema Nacional de Empregos (Sine), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e outros órgãos em um único local, pagando um só aluguel. Além de também facilitar para as pessoas que procuram mais de um serviço e não precisam mais se locomover. Agora está tudo aqui”, complementa.

Essa unificação, segundo Lúcia, trouxe também vantagens no setor da educação. “Antes havia uma empresa de logística que trazia a merenda e os materiais de consumo e também administrativo. Mas agora, neste novo espaço, há um local destinado a esses materiais e o diretor de cada escola pode vir até aqui para buscar o seu”, exemplifica.

Outro caso citado pela secretária é a construção de uma calçada no valor de R$ 18 mil em uma escola de Indaial. Segundo Lúcia, se a ADR não estivesse aqui, a Gerência de Educação (Gered) teria que se remeter diretamente à Secretaria de Educação em Florianópolis. “A Gered não tem estrutura para licitar, mas a ADR sim. Sem a Agência que está aqui, a construção dessa calçada poderia demorar para acontecer”, diz.

Hoje a ADR conta com seis gerências: de Educação, Saúde, Administração Financeira, Assistência Social, Infraestrutura e Agricultura.

E os cargos?

No que diz respeito à economia que a RMB traria, extinguindo 23 cargos nas ADRs de Blumenau e Timbó e criando três, Lúcia questiona. “Se fecharmos a ADR aqui em Timbó saem, no máximo, seis cargos, que são o financeiro, gerente de assistência social, gerente de agricultura, assessor de comunicação e secretária.

Há a possibilidade de sair também o assessor jurídico, mas há processos nas gerências de Saúde e Educação que envolvem o Ministério Público e, por isso, a permanência do assessor jurídico pode se fazer necessária. Os demais cargos que há aqui são todos de carreira, não saem”, explica.

Para depois de 2019

Para Lúcia, com o fechamento das ADRs, a RMB passaria a atender todas as demandas até então caminhadas para as Agências. “Por esse motivo não acho que a criação de apenas três cargos consiga atender a tantos pedidos”, comenta.

Ela ainda frisa que, se de fato a RMB for criada e as ADRs fechadas, as agências irão encerrar suas atividades somente a partir de 2019 em diante. “Nesse governo a ADR não será extinta. Se fosse o caso, isso teria sido feito naquela vez em que houve a migração de Secretaria para Agência”, pontua.

Sendo assim, a secretária acrescenta que a criação da Região, neste ponto de vista, iria gerar despesas a mais.

Nove obras realizadas pela ADR

Lúcia cita nove obras que a ADR concluiu ou está dando continuidade. São elas:

O repasse de R$ 1,5 milhão para o Hospital e Maternidade Oase;

A conclusão da ponte pênsil no bairro Dona Clara;

R$ 200 mil para compra de máquinas autoclave no Hospital Beatriz Ramos;

R$ 145 mil para a conclusão da sede do Corpo de Bombeiros de Benedito Novo e Doutor Pedrinho;

R$ 85 mil para a conclusão da sede do Corpo de Bombeiros em Rio dos Cedros;

R$ 49.900,00 para finalização das bancadas da cozinha e laboratório da Escola de Educação Básica Professor Giovani Trentini;

Finalização da nova sede do Corpo de Bombeiros de Timbó, que em breve será inaugurada;

Obras do Cedup, que estão em fase de finalização;

Construção de uma ponte pênsil no Pasquin, para que os operários possam cruzar de um lado para o outro sem precisar dar a volta na BR 470.

“Sou contra novos meios de financiamento”

Lúcia se posiciona claramente contra os novos meios de financiamento que os municípios obteriam fazendo parte da RMB. “Vejo que não é o momento para o município pegar empréstimo. As cidades já estão sem recursos e ficariam ainda mais engessadas se fizessem novos empréstimos, afinal, precisam devolver esse dinheiro. Assim, o município fica cada vez com menos condição de fazer o que precisa, que é a política pública para o atendimento”, comenta.

Um dos objetivos da ADR é aproximar o Governo do Estado do cidadão, e se a sociedade achar que deve ser extinta a ADR, não vejo como uma superintendência da RMB vai auxiliar o cidadão na resolução das demandas da região.

Estamos mais próximos da comunidade. Além disso, é preciso ter cuidado. Afinal, cada município tem sua prioridade. É preciso sempre pesar os prós e contras, cada situação tem os dois lados. Timbó irá levar sua cultura para outros municípios ou isso irá ficar isolado aqui, correndo o risco de cair no esquecimento?”, questiona.


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