Número de pedidos para posse de armas cresce 85% no Vale do Itajaí
Passados três meses do decreto de flexibilização, Polícia Federal de Itajaí recebeu 337 solicitações
Passados três meses do decreto de flexibilização, Polícia Federal de Itajaí recebeu 337 solicitações
Três meses após a assinatura do decreto que flexibilizou as regras para a posse de armas no Brasil, a quantidade de pedidos registrados na unidade da Polícia Federal de Itajaí, único local no Vale do Itajaí para dar entrada ao processo, subiu 85%. O levantamento feito a pedido do Santa aponta que de 15 de janeiro a 15 de abril deste ano foram efetuadas 337 solicitações, uma média superior a três pedidos por dia. No mesmo período do ano passado, o número chegou a 182. Se comparados aos dados de 2017, o crescimento é menor: foram feitos 230 pedidos de aquisição. A quantidade de pedidos aprovados, porém, a Polícia Federal não soube informar.
O termômetro para isso, a princípio, se dá nas vendas efetivadas. Em uma loja no Centro de Blumenau, a média é de duas compras mensais, conta James Mischur. O número pode parecer baixo, mas o empresário garante que no auge do debate sobre o Estatuto do Desarmamento chegou ao ponto de vender apenas uma arma ao ano.
Apesar da mudança, a expectativa era por um crescimento mais expressivo, e que acompanhasse as centenas de ligações e mensagens que Mischur diz ter recebido assim que o decreto foi assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).
– Comprar uma arma ainda é muito caro. Entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, além de toda a documentação – explica o empresário.
Leandro da Silva está disposto a investir esse valor e mais os cerca de R$ 600 necessários para custear avaliação psicológica, teste de aptidão de tiro e guia de impostos para o registro da arma. Proprietário de um comércio em Blumenau que já foi alvo de criminosos, ele decidiu que este é o momento para dar entrada no pedido junto à Polícia Federal.
– Já fomos assaltados e temos medo. É mais pela defesa, se um dia precisar. Espero não usar, mas querendo ou não, é bom para a gente – justifica Silva.
Quando o decreto foi assinado, em 15 de janeiro, Bolsonaro argumentou que o problema com a lei anterior estava na necessidade de comprovação da efetiva necessidade. “Isso beirava a subjetividade", disse o presidente à época. No entendimento do governo federal, a mudança garante a todo cidadão o direito de decidir se quer ou não manter armas de fogo em casa ou no trabalho para defesa pessoal. Para tal mudança, aponta o artigo 5º da Constituição Federal, que garante a inviolabilidade do direito à vida e à segurança.
NÚMEROS
2017
Pedidos de aquisição: 230
Pedidos de renovação: 272
Pedidos de transferência: 64
2018
Pedidos de aquisição: 182
Pedidos de renovação: 204
Pedidos de transferência: 92
2019
Pedidos de aquisição: 337
Pedidos de renovação: 179
Pedidos de transferência: 59
Fonte: NSC Total
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