Projeto Masculinidade Saudável é apresentado na Tribuna

Ela destacou que a discussão sobre prevenção tem sido historicamente destinada às mulheres, quando os homens também precisam ser incluídos neste debate, para mudar comportamentos e prevenir ciclos de violência.

Por Roman Raiter 12/03/2026 - 14:50 hs
Foto: Texto/foto: Fabiane Borges/Analista de Comunicação da Câmara de Indaial

Na semana do Dia Internacional da Mulher, a tribuna da Câmara abriu espaço, nesta terça-feira (10) para a apresentação do projeto Masculinidade Saudável, que busca prevenir a violência doméstica por meio de reflexão. A juíza Leila Mara da Silva, a assistente social Joelma Meneghelli e a advogada Ediléia Buzzi, apresentaram a iniciativa, que surgiu da articulação entre profissionais voluntárias de diversas áreas para ampliar o debate sobre comportamentos e relações.

Segundo a juíza Leila da Silva, o projeto tem o objetivo de promover a reflexão sobre emoções, relações e padrões sociais que influenciam comportamentos violentos. Ela destacou que a discussão sobre prevenção tem sido historicamente destinada às mulheres, quando os homens também precisam ser incluídos neste debate, para mudar comportamentos e prevenir ciclos de violência.

“Ainda falamos pouco com os homens sobre a responsabilidade, sobre o autocontrole emocional, sobre padrões culturais que precisamos superar. E esse diálogo precisa ser aberto, sem culpabilizações coletivas, mas com verdade”, pontuou.

A magistrada também mencionou o papel dos homens formadores de opinião na promoção de mudanças culturais. Para ela, a prevenção contra a violência doméstica exige muito mais que semanas temáticas: requer continuidade, com políticas públicas, formação de servidores e diálogo com escolas, famílias e homens de toda cidade.

“A violência doméstica não vai acabar apenas com punição, ela vai acabar com transformação. E a transformação, ela é construída diariamente aqui nessa Casa, nas escolas, nos lares, nas instituições e nos próprios homens”.

A assistente social Joelma Meneghelli abriu seu pronunciamento contando sobre a origem do projeto, que foi construído a partir de sua experiência de mais de 20 anos de trabalho com famílias em situação de violência.

Segundo ela, a violência doméstica deve ser compreendida com um fenômeno estrutural, já que não é problema de conduta de alguns homens, é uma violência estrutural que atinge famílias. Nesse contexto, o projeto realiza encontros em empresas, promovendo momentos de reflexão sobre comportamentos e relações antes que a violência aconteça. As conversas são conduzidas por profissionais voluntários de diversas áreas, como advogados, assistentes sociais e policiais.

Para ampliar o projeto, a assistente social também sugeriu a parceria do Poder Público, a fim de certificar as empresas participantes que defendem a luta contra a desigualdade de gênero.

“E a proposta é de que a Procuradoria da Mulher então certifique essas empresas como forma de valorização, já que estão possibilitando esse momento de reflexão e criando ambientes mais saudáveis”.

Por fim, a advogada Ediléia Buzzi salientou que o foco principal do projeto é a prevenção por meio da educação e do diálogo com os homens, uma vez que o aumento das penas não está sendo suficiente para a diminuição dos casos de violência.

“O nosso foco tem que ser na educação, tem que ser principalmente na educação emocional, que é o que a gente tem feito nas empresas”, frisou.


Texto/foto: Fabiane Borges - Jornalista/Analista de Comunicação da Câmara de Indaial