Aster Scheidt “Além do Véu”

Exposição “Além do Véu – Memórias da Moda e História da Mulher” acontece no Museu do Imigrante

Por Aline Christina Brehmer 17/05/2019 - 15:01 hs
Foto: Aline Christina Brehmer/Jornal Café Impresso
Aster Scheidt “Além do Véu”
Estilista Aster Scheidt junto ao Cerimonialista e Produtor de Eventos Jardel Frare

Cores vibrantes e neutras, tecidos das mais diversas texturas e décadas, que carregam bordados manuais e detalhados, modelos longos e curtos (e uma história enriquecedora). A exposição “Além do Véu – Memórias da Moda e História da Mulher”, realizada pela estilista Aster Scheidt, reúne em um único lugar peças impecáveis, desde a moldagem até o acabamento, que datam da década de 50.

Em toda a exposição, há apenas uma peça que foi criada por Aster em 1972, quando ela tinha 12 anos – as demais são garimpadas. “Sempre fui apaixonada pela costura e moldagem dos modelos mais antigos. Tem muitas coisas que impressionam visualmente, mas para mim a delicadeza e os detalhes, o máximo de capricho em cada bordado e ponto, o conforto e a forma como as peças se mantêm conservadas e inteiras, a assimetria e o encaixe após 80 anos, é realmente algo inacreditável, uma verdadeira inspiração”, analisa a estilista.

80 anos de história

Aster admira um vestido de noiva (foto) que foi costurado há quase 80 anos e (o mais impressionante) se mantém intacto (até mesmo na cor, estando levemente amarelado, mas de forma quase imperceptível) – é um dos preferidos dela nessa exposição, ficando logo ao lado de um vestido de debutante que apresenta bordados delicados e impressionantes em tons de rosa e verde.

Apesar de o nome da exposição remeter ao tema “casamento”, há ali muito mais do que os vestidos de noiva. Também estão expostos smokings, lembranças de batizado, livros que foram escritos em 1879, dentre outros achados. São peças que contam uma história de décadas atrás, mas, ao mesmo tempo, se mostram atemporais diante das tendências de hoje.

Clássico e moderno

Mesmo diante de 31 anos de experiência na área, Aster revela que cada peça encontrada sempre a deixa surpresa não somente na riqueza dos detalhes, mas na forma como tudo era feito de forma manual e exclusiva.

“Querendo ou não, as “linhas de produção” têxteis acabaram com esse toque individual e enriquecedor que há nas peças como essas expostas aqui. Mesmo as roupas do cotidiano que as mulheres usavam entre as décadas de 50 e 70 eram clássicos, por isso que sempre encontro nesses trajes a minha inspiração para desenhar e criar vestidos hoje, que tragam esse toque atemporal e ao mesmo tempo elegante”, compara.

Ela revela ainda que muitas soluções na hora de criar uma peça exclusiva são encontradas ao revisitar modelos passados. “As diversas formas de encaixes é o que mais me chama a atenção sem dúvida, entre tantas outras técnicas”, comenta.

“Existe uma linha do tempo nessa exposição que conta uma história realmente rica e surpreendente e nosso maior desejo é que as pessoas venham até aqui para ver isso junto com a gente”, convida.

Aberto à visitação

A exposição “Além do Véu – Memórias da Moda e História da Mulher” acontece no Museu do Imigrante, na Praça da Thapyoka (Avenida Getúlio Vargas, 211 – Centro) até o dia 9 de junho, podendo ser visitada entre terça-feira e domingo, sempre das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.  Mais informações podem ser obtidas ligando para o número (47) 3382-9458.