Covid-19: proposta de usar contêineres em prisões é ilegal, diz CNJ
Já são 93 casos confirmados de coronavírus no sistema penitenciário
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirmou ser ilegal a
proposta de utilizar estruturas modulares temporárias, como os contêineres,
para separar presos no sistema carcerário durante a pandemia do novo coronavírus
(covid-19).
Na segunda-feira (20), o Departamento Penitenciário
Nacional (Depen), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, confirmou
que propôs a análise da medida ao Conselho Nacional de Política Criminal e
Penitenciária.
Pela proposta, os presos em flagrante seriam separados
de outros detentos durante a pandemia, sendo isolados aqueles que apresentassem
sintomas da covid-19 e que precisassem de atendimento médico.
Em nota, o CNJ afirmou que a utilização de contêineres em prisões
é “tema sobre a qual o CNJ e STF já têm posição firme a respeito da
ilegalidade”. A opção é ilegal ainda que sejam somente criadas
celas-enfermarias, afirmou o órgão.
Retomar a ideia de contêineres em prisões “denuncia que as
medidas preventivas não foram tomadas, ou falharam para a prevenção da doença
nas prisões, de modo que o principal não está sendo feito nesse sentido”,
acrescentou o CNJ.
O órgão, que tem entre suas atribuições a supervisão do
sistema carcerário, avaliou ainda que os gestores que adotarem a medida podem
incorrer em crime de responsabilidade e estarem sujeitos a outras consequências
penais e administrativas, “eis que a solução buscada é flagrantemente
contraindicada legalmente”.
Para a utilização de contêineres ou estruturas modulares
temporárias em prisões, é preciso autorização do Conselho Nacional de Política
Criminal e Penitenciária, que possui treze especialistas nomeados pelo
Ministério da Justiça. O colegiado se reúne amanhã (23).
Segundo balanço atualizado na terça-feira (21) pelo
Depen, há 93 casos confirmados do novo coronavírus no sistema penitenciário
nacional, com o registro de duas mortes pela doença. Existem 148 suspeitas.
Foram realizados 647 testes no total.
Em alguns casos, porém, os dados encontram-se defasados em
relação ao divulgado pelas unidades da federação. O Distrito Federal, por
exemplo, divulgou ontem (21) haver 91 presos infectados no Complexo
Penitenciário da Papuda, número maior do que os 72 informados até o momento
pelo Depen em sua plataforma online.





ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE