Dia do trabalho: diferentes profissionais se expõem durante pandemia
Veja relatos de quem tem dificuldades para trabalhar no dia a dia
Nesta sexta-feira, 1º de maio, comemora-se o Dia do Trabalho
em diversos lugares do mundo. Diante do cenário delicado vivido em todo o
planeta por conta da pandemia do novo coronavírus, muitas pessoas perderam seus
empregos durante o isolamento social. Mas boa parte continua na ativa para que
diversos setores continuem funcionando, mesmo com o temor de contaminação, como
os profissionais da saúde, bombeiros e policiais. Mas há também os porteiros,
caixas, cuidadores de idosos, veterinários, frentistas, bancários, taxistas,
jornalistas, trabalhadores da construção civil e indústria, entre outros, quem
mantêm os serviços funcionando.
É o caso da caixa de padaria Ângela Maria dos Santos Silva.
Ela conta que está sendo um período bem difícil. “A gente fica com medo de se
contaminar, mesmo usando máscara e álcool gel. O tempo todo limpamos a máquina
de cartão e o balcão, mas a parte mais difícil tem sido lidar com os clientes
que têm sido bastante ignorantes com a gente, sem paciência, porque não deixam
a gente pegar nos produtos deles para fazer a leitura do preço, ou não deixam
pegar no cartão. Tem que ter muita paciência e calma”, relata Ângela que
trabalha há três anos na padaria que fica na zona leste de São Paulo. “Mas
preciso trabalhar e ainda pegar o transporte público todo dia”, lamenta a
caixa.
Entre os que continuam na ativa, há ainda os pequenos
empresários, comerciantes e autônomos. É o caso do comerciante Mateus da Silva
Oliveira, que tem uma loja de produtos agropecuários em Viçosa (MG), onde vende
ração animal, insumos, e material hidráulico e elétrico. Ele ficou cerca de um
mês com as portas fechadas, fazendo apenas entrega de produtos. Mas na semana
passada a prefeitura autorizou a abertura das lojas, porém cercada de regras. A
loja dele só pode atender três pessoas ao mesmo tempo e o atendimento foi
dividido pelo final do CPF, sendo assim, não é toda a população que pode ser
atendida todo dia, e é feito um rodízio para atendimento.
“Neste momento o movimento comercial está até melhor do que
antes, porque teve comércio que não se adequou e não pode abrir. Estamos todos
de máscara, na entrada da loja tem álcool em gel para quem entra e foi preciso
colocar um vidro no caixa. Mesmo assim me sinto inseguro, mas tenho que
trabalhar né?”, disse o comerciante. Ele disse ainda que a população está
respeitando as regras. “Todos andam de máscara, aqui é obrigatório, além do
álcool em gel que a gente sempre vê as pessoas com o próprio [vasilhame do
produto]. Por enquanto só tivemos três casos, porque as pessoas têm respeitado
as regras.”
Para o motorista de caminhão Leonardo Soares, que trabalha
nas estradas há anos, o movimento está pior do que antes da pandemia. “O
serviço deu uma boa parada, está bem difícil. Quando trabalho uso máscara,
sempre levo álcool gel no caminhão, estão todos os caminhoneiros de máscara,
mantendo a distância física, mas espero que isso passe logo, porque atrapalha
muito a gente, dificulta mais o serviço e diminui a demanda, já que faço mais
entrega de roupas”, lamentou Leonardo.
Já a locutora de rádio Elizabeth Silva, de Belo Horizonte,
acredita que a data esse ano terá um novo significado. “Hoje quando se fala Dia
do Trabalho se tem uma conotação nova, diferente, a gente reflete inclusive se
vai ter trabalho amanhã. O que o trabalhador tem enfrentado é um desafio e
tanto. Eu me desloco para o trabalho todos os dias e preciso pegar dois ônibus.
Na volta, como saio de madrugada, volto com carros de aplicativo, então, não
tem jeito o risco é iminente, estou exposta o tempo todo, o que me dá medo”,
lamenta.
Ela diz que faz uso dos equipamentos de proteção, mas que
ainda se sente insegura. “Vou de máscara, levo o álcool em gel, é o que dá para
fazer. Seguro 100% a gente sabe que não está. E tem que se colocar em risco
porque o seu trabalho é essencial, no meu caso comunicação faz parte da rotina
das pessoas, também porque preciso trabalhar para me sustentar, mas agradeço
porque ainda tenho um trabalho”, explica a locutora.
Ela conta que, apesar de manter o emprego, teve redução de
jornada e salário. “Passamos por reajustes, a empresa precisou diminuir o
salário e fizemos um acordo pelo menos para os próximos três meses, reduziu-se
a renda e a carga horária para poder manter o nosso trabalho, enfim, é a nossa
luta, mas tenho certeza de que vamos passar por essa”, finalizou.
O descanso do feriado do Dia do Trabalho não será sentido e
comemorado como nos anos anteriores, mas o esforço de quem ainda pode trabalhar
para manter a sociedade ativa e daqueles que podem manter-se em isolamento
colaboram para que, em 2021, a data possa ser celebrada de forma festiva.





ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE