Trauma Raquimedular (TRM) e a Fisioterapia

Por MOVIMENTO VITAL FISIOTERAPIA 04/06/2020 - 10:59 hs

 O traumatismo raquimedular é uma agressão à medula espinhal que pode ocasionar danos neurológicos, tais como alteração da função motora, sensitiva e autônoma. A medula espinhal é via de ligação entre o encéfalo e o corpo.

O Trauma Raquimedular (TRM) compreende as lesões dos componentes da coluna vertebral em quaisquer porções, seja ela óssea, ligamentar, medular, discal, vascular ou radicular, e ocorre em cerca de 15 a 20% das fraturas da coluna vertebral.

Até o momento, não existe nenhum tratamento efetivo capaz de restaurar as funções da medula espinhal lesada. Embora muitos tratamentos, dependendo do tipo de lesão, consigam otimizar a movimentação e qualidade de vida da pessoa.

O TRM é decorrente de uma carga axial, hiperflexão e hiperextensão, superalongamento da coluna e a hiper-rotação e a inclinação lateral repentina ou excessiva geralmente devido ao acidente automobilístico, podendo resultar em contusão, distensão, dilatação ou esmagamento da coluna e desalinhamento do canal vertical. Além de acidentes automobilístico, quedas, mergulhos e episódios de violências, principalmente ferimentos por arma de fogo, são as causas mais comuns deste tipo de lesão.

A lesão medular é definida pela American Spinal Injury Associantion (ASIA), como sendo uma diminuição ou perda da função motora e/ou anatômica, por trauma dos elementos neuronais dentro do canal vertebral, podendo ser total ou parcial (DINIZ et al. 2009). Conforme a American Spinal Injury Association (ASIA), lesões medulares podem ser completas ou incompletas e são classificadas em Impairment Scale (AIS).

Escala de Avaliação ASIA/Frankel (Gravidade das lesões medulares)

O atendimento qualificado e imediato tem por finalidade prevenir possíveis seqüelas neurológicas e diminuir o número de óbitos. 

A reabilitação física de tais pacientes se inicia na fase aguda, logo após a ocorrência do trauma, especialmente através dos cuidados preventivos contra a formação de ulceras de pressão e deformidades dos segmentos “paralisados”, esvaziamento vesical e intestinal realizado de maneira adequada e cuidados com os distúrbios vasomotores (Sartori, 2009).

A fisioterapia precoce, ainda no período hospitalar, por meio de diferentes técnicas cinesioterapêuticas, é eficaz em todas as fases da doença, previne deformidades, proporciona maior independência funcional e melhora a qualidade de vida (CAVENAGHI, 2005).

 A reabilitação física manipula os fatores intrínsecos e extrínsecos, permitindo uma adaptação cada vez melhor das respostas motoras emitidas, contribui efetivamente para a neuroplasticidade.

Os procedimentos fisioterapêuticos na reabilitação de pacientes com traumatismo raquimedular dependem da intensidade da lesão e tem variações que dependem da localização e extensão do dano na medula espinhal. O fisioterapeuta reabilita por meio de técnica motoras como a cinesioterapia, por meio de exercícios passivos, exercícios ativo-assistidos, ativos e resistidos e por exercícios respiratórios.

A importância da reabilitação para pacientes com Traumatismo Raquimedular, tetraplegia e paraplegia, baseia-se no aumento de sua expectativa de vida, na reabilitação e serão descritas técnicas para proporcionar maior autonomia ao paciente, resultando em ganhos funcionais, melhorando sua locomoção e na realização de tarefas simples implicando diretamente na sua qualidade de vida.

A fisioterapia tem uma extrema importância na busca da funcionalidade e na melhoria da qualidade de vida de pessoas que são acometidas por trauma raquimedular. Através de condutas como a cinesioterapia que favorece a manutenção de amplitude de movimento, evita complicações circulatórias devido a imobilização de membros por períodos extensos e promove correção de possíveis patologias respiratórias decorrentes ao trauma. A eletroterapia que possui recursos como a Estimulação Elétrica Neuromuscular (EENM) que é uma técnica terapêutica que ativa o músculo esquelético, controlando a atrofia por desnervação.

A cinesioterapia é o uso do movimento como recurso para o tratamento das mais diversas funções, podendo auxiliar na reabilitação do Traumatismo Raquimedular. O exercício terapêutico tem como objetivo manter, corrigir ou recuperar uma determinada função.

Durante o processo de reabilitação do Traumatismo Raquimedular, toda a musculatura remanescente deve ser fortalecida em seu potencial máximo. Assim que a estabilidade da coluna seja alcançada, o fortalecimento máximo da musculatura residual deve ser gradualmente iniciado. O trabalho enfocando o fortalecimento da cabeça, dos MMSS e tronco é fundamental, pois constitui a base para a mobilidade no leito, para as transferências e propulsão de cadeira de rodas.


Um requisito prévio, indispensável para o progresso de movimentos funcionais, como os de mobilidade no leito, transferências e propulsão de cadeira de rodas, é desenvolver um novo senso de esquema corporal e equilíbrio postural para pessoas com Traumatismo Raquimedular.

A tolerância da posição ortostática nem sempre é suportada durante os estágios iniciais da reabilitação do Traumatismo Raquimedular. Com a lesão da medula, tem-se a alteração do sistema nervoso autônomo (SNA), responsável pela regulação dos tônus vasomotores. Os vasos sanguíneos nas vísceras são incapazes de se contraírem quando o corpo é elevado da posição horizontal para a vertical. Esse controle vasomotor que foi perdido não é mais recuperado; contudo, o paciente pode superar esse distúrbio por meio do desenvolvimento de outros reflexos vasculares que ainda estão preservados. 

A fisioterapia aquática pode ser considerada um conjunto de intervenções, como exercícios terapêuticos, manuseios e métodos específicos, realizados em piscinas aquecidas por um profissional fisioterapeuta.

Treino de marcha: Em um estudo feito por Lucarelli foram avaliados resultados do treino de marcha em esteira com suporte de peso. Lucarelli compreendeu que o treino de marcha com suporte de peso teve maior efetividade que o tratamento convencional, para melhorar os parâmetros espaço-temporais e cinemático da marcha em pacientes com lesão medular incompleta.

Treino de marcha com suporte de peso corpóreo: Realizado sobre uma esteira que possibilita o acoplamento de suporte de peso orbitador, o treinamento consistiu em: posicionar o paciente na esteira utilizando o suporte de peso utilizado paraquedas para estabilizar a região pélvica e o tronco. Também foi utilizado um sistema de polias mantendo o paciente suspenso reduzido a carga de peso sobre os membros inferiores e treino da marcha com fisioterapia convencional

Método Kabat : são técnicas desenvolvidas com o objetivo específicas definidos, para obter força, resistência, coordenação, relaxamento muscular, velocidade de contração, aumentar a estabilidade articular e a amplitude de movimento.

Prevenção de deformidades: O desenvolvimento de deformidades articulares em um paciente com Traumatismo Raquimedular, deve-se a uma combinação de fatores, que incluem: a falta de função muscular ativa, espasticidade, forças gravitacionais, edema, posicionamento e desequilíbrio na tração muscular.


 Dra. Bárbara Maurício Nascimento  CREFITO 10 74799F

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