Os trabalhos da CPI dos Respiradores nesta quinta-feira (4)
foram abertos com o depoimento do empresário Onofre Joaquim Rodrigues Neto,
representante da Exxomed Equipamentos Ltda.
Citado pela ex-superintendente de Gestão Administrativa da
Secretaria de Estado da Saúde, Marcia Regina Geremias Pauli, Neto foi
contundente ao afirmar que “o processo está errado do início ao fim”.
O empresário também afirmou que o governo do Estado poderia
ter comprado os equipamentos diretamente com a empresa que detém o registro do
produto, por aproximadamente a metade do preço pago à Veigamed.
Mesmo em Florianópolis, Onofre Neto prestou depoimento por
videoconferência. Reprodução TVAL
Natural de Navegantes, mas estabelecido em São Carlos (SP)
há mais de 20 anos, Neto agradeceu a oportunidade de prestar depoimento. Isso
porque o nome dele e da empresa têm aparecido na imprensa e nas investigações
de forma equivocada.
O empresário relatou o histórico da empresa, chamou atenção
para o trabalho exclusivo com a iniciativa privada e informou que o governo do
Estado nunca havia lhe procurado para compra de equipamentos da Exxomed. Neto
ainda destacou que não conhece nenhum deputado estadual ou assessor.
Indagado como foi ser envolvido no “embróglio” dos
respiradores, ele respondeu: “eu estava no local errado, na hora errada”.
Reunião
O empresário relatou que foi convidado para participar de
uma reunião pelo representante de uma empresa (Ortomedical) que negociava um
contrato com aluguel de leitos de UTI.
“Eu iria para a China trabalhando com a Aeomed para ajudar
nas exportações. Eu fui convidado para dar tranquilidade ao governo do Estado,
fornecendo a documentação chamada DDR (Declaração de Detentor de Registro) para
tal liberação”, explicou.
Para viajar à China, Neto chegou a solicitar um passaporte
oficial, pois as fronteiras do país asiático estavam fechadas. O empresário
disse que aguardou até o dia 6 de abril em Santa Catarina e que, ao não receber
resposta, resolveu voltar para São Paulo.
Surpresa por contrato com a Veigamed
Ainda nessa reunião, realizada em 2 de abril, Neto soube que
o governo do Estado havia fechado um contrato com a Veigamed e estranhou a
informação.
O empresário foi checar a situação com o fabricante dos
equipamentos na China e disse ter enviado no dia 6 de abril um e-mail para a
então superintendente de Gestão Administrativa da SES, Marcia Pauli, e para o
secretário Adjunto, André Motta. Na mensagem, Neto diz ter informado que não
havia qualquer pedido de compra dos respiradores.
Com conhecimento do cenário do comércio exterior durante a
pandemia, o empresário confirmou a elevação de preços do frete e a exigência de
pagamento antecipado nas transações.
“Na situação do Covid-19, as empresas chinesas se colocaram
numa posição muito tranquila e começou-se a admitir o pagamento antecipado.
Como envolvia muito dinheiro, começaram a pedir carta fiança ou carta de
crédito para garantir a operação”, explicou. Ele acrescentou que, antes da
pandemia, o quilo de carga para frete variava de US$ 6 a US$ 8, e agora chega a
US$ 30 por quilo.
Segundo Neto, os equipamentos adquiridos pelo governo do
Estado custam de US$ 7,5 mil a US$ 12 mil, que acrescidos de taxas alfandegárias,
seguro e frete poderiam totalizar R$ 15 milhões em uma carga de 200
respiradores.
Por outro lado, Neto garantiu que o Estado poderia adquirir
os equipamentos de forma direta e estranhou o fato de não ter sido exigida uma
carta fiança. Isso porque o valor adquirido (R$ 33 milhões) era maior que o
capital social da empresa Veigamed.
Imagens usadas pela Veigamed
Por fim, o empresário destacou que se sente prejudicado com
a situação e que impetrou um mandado de segurança para ter acesso a todo o
processo.
Provocado pelo presidente da CPI, Sargento Lima, Neto também
admitiu a possibilidade de processar a Veigamed, que teria utilizado imagens da
sede da Exxomed na proposta enviada ao governo do Estado.
“O que me chama atenção nesse processo todo é que a Veigamed
não apresentou documentação, envolveu várias empresas, com documentação falsa e
recaiu ainda sobre a Exxomed”, disse o empresário.
“Eu não conheço deputados, nem assessores. Estou há mais de
20 anos longe de Santa Catarina, em São Carlos (SP). A Exxomed participa de
feiras internacionais, da maior feira médica hospitalar no Brasil há mais de 10
anos. E vejo que, ardilosamente, houve interesses para que o Estado não
chegasse diretamente à Exxomed para fazer a compra de equipamentos”, completou.
ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE