Vigilância testa pessoas após velório e enterro de vítima da Covid-19 feitos sem seguir protocolo em SC
Hospital não teria avisado família de que morte de paciente foi causada pelo novo coronavírus
A Vigilância Epidemiológica de São Ludgero, no Sul de Santa Catarina, monitora 43 pessoas que participaram do velório e enterro de um homem de 44 anos vítima da Covid-19.
Segundo elas, o paciente estava internado
no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, que não informou que ele
poderia estar com a doença. A unidade hospitalar, que também fica no Sul do
estado, disse que vai apurar o que ocorreu.
Durante a tarde desta terça-feira (4), foram aplicados 43 testes
rápidos: em 31 o vírus não apareceu como ativo, e em outros 12 os resultados
deram inconclusivos e vão ser repetidos na próxima sexta-feira (7).
O homem foi internado no dia 24 de julho, com alguns
sintomas do novo coronavírus, mas a família não pensou que pudesse ser a doença
porque a vítima fazia tratamento contra um câncer e os efeitos colaterais eram
parecidos com o que ele estava sentindo ao ser hospitalizado.
Segundo a família, no dia da internação foi feito um teste
rápido que deu negativo para o novo coronavírus. No dia seguinte, o hospital
resolveu coletar amostras para o exame RT-PCR, mais confiável quando se trata
da detecção da Covid-19, e enviou ao Laboratório Central do Estado (Lacen), mas
não teria comunicado a família sobre o procedimento.
O paciente morreu no dia 26. O corpo foi velado e sepultado
normalmente, sem seguir nenhuma orientação específica. Um protocolo do
Ministério da Saúde estabelece os procedimentos a serem tomados caso o
paciente tenha suspeita do coronavírus. Entre as recomendações estão caixão
fechado e participação de, no máximo, dez pessoas no velório.
O resultado positivo chegou para a Vigilância Epidemiológica
de São Ludgero um dia depois do sepultamento. A família disse que do atestado
de óbito não consta nada relacionado à Covid-19. A funerária também não teria
sido informada pelo hospital a respeito disso.
O Hospital Nossa Senhora da Conceição disse que vai analisar
se esses protocolos foram ou não seguidos internamente.






ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE