Santa Catarina enfrentou entre junho de 2019 e novembro de 2020 um longo período com chuvas abaixo da média, caracterizando a pior estiagem que atingiu o Estado desde 1957.
O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) apresentou, em reunião on-line nesta segunda-feira, 14, as perdas da agricultura catarinense. O estudo aponta que o milho silagem é a cultura mais atingida, seguida do alho, milho grão e cebola.
A boa notícia é que a chuva volta ao Estado nos próximos dias e deve ficar
acima da média em janeiro e fevereiro.
O secretário da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento
Rural, Ricardo de Gouvêa, destacou que o objetivo da reunião foi manter os
setores ligados à agricultura familiar catarinense bem informados sobre o
quadro da estiagem. Ele comemorou a recuperação de algumas cadeias produtivas
com o retorno das chuvas.
O diretor de pesquisa da Epagri, Vagner Miranda Portes,
lembrou que esta reunião faz parte de uma série de encontros promovidos desde
2019, com o objetivo de antecipar informações de hidrologia, meteorologia e
safra, de modo a facilitar a tomada de decisão das pessoas ligadas ao setor
agropecuário.
Milho silagem
A região Oeste é a mais atingida, dentro da perda total
estimada em -29% para milho silagem no Estado. O estudo aponta que no Oeste as
perdas foram altamente significativas, resultando numa silagem de péssima
qualidade. A preocupação dos pecuaristas se entende para o ano que vem, pois
muitos ficarão sem reservas para alimentar os bovinos.
Milho grão
O milho grão primeira safra acumula -19% de perdas, com
expectativa de produção de 2.341.928 toneladas. A região Oeste foi a mais
afetada. Lá, o plantio ocorre no início de setembro, mês em que choveu apenas
20% do normal. No Extremo Oeste as quebras também foram grandes, com muitas
lavouras apresentando perda total. Muitas lavouras que foram implantadas com o
objetivo de colher grão irão passar para o corte da massa ou forrageira para
alimentação de rebanhos bovinos. Nas regiões do Planalto Norte e Campos de
Lages e em Curitibanos, houve perdas intermediárias, mas significativas, além
de atraso e replantio.
Alho
O alho acumula perda estimada de -26% em Santa Catarina até
agora, causada pela combinação de granizo e estiagem. Predominam os bulbos de
baixo calibre, que têm preço baixo no mercado.
Cebola
A cebola, cultura na qual Santa Catarina é líder nacional de
produção, deve sofrer quebra de -18% na safra em decorrência da estiagem, que
afetou todas as regiões produtoras. Soma-se a isso o granizo que atingiu
plantios na região de Rio do Sul e Ituporanga. Além das perdas estimadas em
volume, há a perda de valor comercial dos bulbos de baixo calibre.
Feijão
O feijão primeira safra vem sendo severamente castigado no
Extremo Oeste, com prejuízos irreversíveis. É esperada uma perda -8% na
produção total do Estado. No Oeste, a situação não é diferente, e muitos
produtores desistiram de semear feijão, que provavelmente será substituído pela
soja. No Meio-Oeste, o plantio de feijão com fins comerciais ocorre a partir da
segunda quinzena de novembro, portanto o plantio será intensificado assim que
as condições climáticas forem favoráveis.
Soja
A Epagri/Cepa estima uma perda de -3% na soja catarinense,
com expectativa de produção de 2.346.572 toneladas. As lavouras com menores
altitudes, mais próximas do Vale do Rio Uruguai, estão em piores condições. Nas
regiões com maior altitude ainda é cedo para estimar as perdas, já que os
plantios estão atrasados e com problemas de germinação.
Fumo
A produção catarinense de fumo registra até agora perda de
-7%. No Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste, as lavouras estão com
desenvolvimento muito inferior ao esperado, acarretando em baixa qualidade do
produto final. A estiagem prolongada também vem favorecendo ataques severos de
pragas.
Pecuária
A situação de abastecimento de água para pecuária estava
praticamente normalizada em todo Estado nas duas primeiras semanas de dezembro,
com a necessidade de abastecimento suplementar atingindo de forma pontual e
isolada algumas propriedades do Oeste e Extremo Oeste. Com isso, os alojamentos
de animais nas propriedades foram normalizados.
As pastagens também apresentaram melhoria significativa nos Planaltos Norte e Sul e no Litoral. Na mesorregião Oeste, as pastagens ainda vão demorar um pouco para se recuperar e alcançar a condição de consumo para os animais.
Por mais que os produtores estejam replantando milho silagem, essa
produção não vai atender à demanda. Neste cenário, a necessidade de
complementação da alimentação deve manter elevados os custos de produção de
carne bovina e de leite em 2021.
Previsão do tempo
A previsão da Epagri/Ciram é de que a chuva retorne ao
Estado nesta semana, mas de forma irregular e mal distribuída geograficamente.
Nos meses de janeiro e fevereiro os indicativos são de índices acima da média,
sobretudo no Litoral. Desde novembro vem chovendo em Santa Catarina, o que tem
ajudado a amenizar a situação de estiagem.
Na segunda-feira, 14, apenas seis, das 40 estações hidrológicas de monitoramento de nível de rios da Epagri/Ciram, apresentavam situação de estiagem. Sendo três em emergência, duas em alerta e uma em atenção. Isto significa que, aos poucos, os níveis dos rios catarinenses vão voltando ao normal, com boas expectativas para os próximos dias.
Até 14 de
dezembro, ainda não havia sido recuperado o déficit hídrico causado pela
estiagem. As regiões mais atingidas ainda tiveram chuva suficiente para a
recarga dos aquíferos.
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