A Federação Catarinense de Municípios (Fecam), que representa 261 prefeitos na negociação para compra da vacina russa Sputnik V, estima que o contrato que formaliza a aquisição das doses seja assinado nesta semana.
O grupo de prefeitos enviou os documentos requisitados pela empresa que
ofereceu as doses nesta segunda-feira (15) e aguarda resposta positiva sobre a
documentação para selar a compra.
O acordo prevê 3,6 milhões de imunizantes para atender as
261 cidades. Inicialmente o montante era de 4,1 milhões, mas alguns municípios
desistiram de ingressar no processo - entre eles Joinville. Com o contrato
assinado, as doses podem chegar a Santa Catarina entre 15 e 20 dias
úteis.
"Eu conversei com o pessoal do laboratório e eles estão
muito otimistas e esperançosos igual a gente. Essa semana nós devemos assinar o
contrato", disse o presidente da Fecam e prefeito de Araquari, Clenilton
Pereira (PSDB).
O imunizante russo ainda não foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em fevereiro, o órgão chegou a afrouxar regras para obtenção da autorização emergencial, o que beneficia a Sputnik porque ela não foi testada na população brasileira durante a chamada fase 3 - que era uma exigência até então. Apesar disso, as negociações não avançaram.
Pereira minimizou a falta de autorização. "Assim que a
gente assinar o contrato a gente vai ver todo esse processo interno de como vai
funcionar. A nossa preocupação agora é focar na aquisição deles, na
garantia. Tendo garantia, nós temos em torno de 20 dias úteis para correr
atrás. O que a gente precisa agora é ter a certeza de que a vacina
chegará", disse o prefeito.
Um dos motivos que pode auxiliar na liberação é o lobby feito
por governadores e empresas junto ao governo federal para autorização do
imunizante russo.
"Se elas chegarem, nós vamos ser o Estado que mais vai
vacinar no Brasil e a gente vai ter um avanço muito grande. Vai baixar a
letalidade, vai sobrar leitos nos hospitais. Não vai voltar à normalidade, mas
vai melhorar bastante. Esse é nosso intuito", acrescentou.
A Fecam havia realizado movimento semelhante ao final do ano passado. À época, a entidade negociou doses com o Instituto Butantan, mas o governo federal centralizou as compras. Apesar de frustrada, a tentativa foi elogiada por prefeitos por pressionar o presidente Jair Bolsonaro a adquirir rapidamente os imunizantes.
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