O presidente Jair Bolsonaro sancionou, com veto parcial e
bloqueio adicional, a Lei Orçamentária de 2021, a qual fixa as despesas e
estima as receitas de todo o governo federal para o ano de 2021. Até a sanção,
que ocorreu na noite desta quinta-feira (22), União vinha executando apenas as
ações e programas considerados obrigatórios ou inadiáveis, dentro dos limites
do orçamento provisório estabelecido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO).
Com a sanção do orçamento definitivo o restante das dotações
fica destravada e o governo federal poderá voltar a fazer investimentos e
executar programas discricionários - aqueles considerados não obrigatórios por
lei.
Os vetos ocorreram porque as projeções do Ministério da
Economia indicavam a necessidade de uma recomposição de R$ 29 bilhões e, com
isso, foi necessário abrir um espaço no Orçamento. Essa recomposição foi feita
em acordo com o Congresso Nacional e com o relator do Orçamento, senador Márcio
Bittar (MDB-AC), por meio de um veto parcial de R$ 19,8 bilhões de dotações
orçamentárias e o bloqueio adicional de R$ 9 bilhões.
A diferença entre o veto de dotações e o bloqueio é que o
veto representa um corte definitivo da despesa, enquanto que o bloqueio permite
que o valor bloqueado possa vir a ser desbloqueado ao longo do ano, no caso de
novas projeções indicarem a existência de um novo espaço no teto de
gastos.
Os R$ 19,8 bilhões do veto serão distribuídos em cortes nas
emendas do relator (R$ 10,5 bilhões), cortes de emendas de comissão do Poder
Legislativo (R$ 1,4 bilhão), e despesas discricionárias do Poder Executivo (R$
7,9 bilhões). A pedido do Ministério da Economia, também foi vetada a
autorização para a criação de cargos na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros
do Distrito Federal, os quais são custeados pela União.
O bloqueio será efetuado por decreto e os valores vetados
serão remanejados por meio de um novo projeto de lei de crédito suplementar
(PLN). A publicação do decreto e o envio do PLN ao Congresso Nacional serão
publicados concomitantemente à sanção da Lei Orçamentária. A aprovação do
projeto de lei será necessária para a cobertura das despesas obrigatórias que
possuem risco de cobertura insuficiente, como as da Previdência Social.
Contudo, as projeções indicam que esses valores somente serão efetivamente
necessários no último bimestre do exercício fiscal.
Com o veto e o bloqueio administrativo, o Orçamento de 2021 cumpre a regra do teto de gastos, segundo as projeções do Ministério da Economia.
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