A alta de mais 0,75% na taxa de juros básica da economia, a
Selic, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) na
semana passada consolidou a tendência de elevação dos juros de toda a economia
brasileira. Agora, a taxa é de 4,25% ano ano, mas deve subir ainda mais. Nesta
segunda-feira (21), no Boletim Focus, o BC estimou encerrar 2021 com a Selic a
6,5%.
A elevação dos juros é uma das ferramentas utilizadas pelo
governo federal para tentar reduzir os índices de inflação. Com o crédito mais
caro, cai o consumo e diminui a pressão sobre muitos produtos. O próprio
Boletim Focus prevê uma desaceleração da inflação: o documento projeta um IPCA
de 5,9% até dezembro; somente de janeiro a maio, o índice acumula alta de 3,2%.
A medida deve encarecer empréstimos e financiamentos que
estão atrelados à Selic. Isso inclui operações nacionais, como do Programa
Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), e
estaduais, como linhas de crédito emergencial da Agência de Fomento de SC
(Badesc).
"Quando o Copom sobe a Selic, quer tirar dinheiro de
circulação. É uma das ferramentas do governo contra a inflação e acaba
encarecendo o crédito. Para as cooperativas, onde há uma taxa média muito
menor do que o sistema financeiro tradicional, vai ficar um pouco mais
atrativo", disse o gerente de Negócios do Sicoob Central SC/RS, Dangelo
Dalla Rosa.
Outro diferencial é a velocidade do repasse do aumento para
as operações. Segundo Dalla Rosa, os bancos tradicionais tendem a transferir os
percentuais de forma mais imediata, enquanto nas cooperativas de crédito isso
ocorre de forma mais lenta.
"A nossa tradição é cobrar taxas e juros mais baratos. A tendência é de que as cooperativas se distanciem ainda mais dos bancos. [...] Na prática, como a gente tem a taxa diferenciada, a gente vai ficando até mais atrativo do que uma taxa de juros do mercado tradicional", complementou.
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ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE