Elevado endividamento do setor de gastronomia indica recuperação lenta do segmento em SC
Pesquisa da Abrasel no início da temporada também revela pessimismo quanto a restante do período
Pesquisa da Abrasel no início da temporada também revela pessimismo quanto a restante do período
A recente retomada da gastronomia catarinense será lenta e estima-se que deverá levar entre 2 e 5 anos para que o setor recupere os prejuízos causados pela pandemia, de acordo com a pesquisa realizada pela Abrasel em Santa Catarina, entre 23 de dezembro e 10 de janeiro.
Houve
crescimento das empresas endividadas - em 2020 eram 41,4% e em 2022 o número
subiu para os alarmantes 67,5%. "É uma situação extremamente crítica,
agravada pelos sucessivos aumentos da taxa de Selic, colocando em risco a
sobrevivência de muitas destas empresas", ressalta Raphael Dabdab,
presidente da entidade, frisando que 17,9% dos empresários não estão
conseguindo pagar todas as obrigações em dia, sob o iminente risco de fecharem
em curto prazo.
As principais causas para esse cenário são os impactos econômicos das restrições de combate a pandemia, sem nenhum tipo de compensação ou auxílio financeiro pelo poder público - enquanto diversos estados reduziram a carga tributária do setor para preservar empresas e empregos.
Na contramão,
em Santa Catarina o Governo do Estado aumentou a carga para o setor, que já era
uma das mais altas do país. E nenhuma prefeitura isentou IPTU e a Taxa de
Resíduos referentes ao período em que as empresas ficaram fechadas ou com
severas restrições de capacidade de atendimento.
Além disto, o segmento teve uma alta inflação, que corroeu a saúde financeira das empresas - os aumentos nas carnes beiraram os 40%, a energia elétrica os 25% e os aluguéis cerca de 18% - todos absorvidos significativamente pelos estabelecimentos, já que os consumidores também foram impactados pela inflação e tiveram grande perda de poder de compra.
"Enquanto a inflação da alimentação fora do lar (restaurantes) foi em
torno de 13% em 2021, na alimentação no lar (supermercados) o acréscimo foi de
21,39%", esclarece Dabdab. De acordo com a consulta, 70,5% dos
entrevistados ainda não conseguiram recuperar a rentabilidade desejada.
Abaixo das expectativas
O início desta temporada de verão ficou abaixo das expectativas do setor. Embora no número de clientes foi próximo ao da temporada pré-pandemia. Para 65,5% dos entrevistados o período começou melhor ou muito melhor do que o mesmo do ano anterior.
Porém, o gasto médio de consumidor caiu
para 54,1% dos entrevistados, confirmando que a alta inflação impactou
fortemente o poder de compra. Por isso o empresário não está otimista quanto ao
restante deste verão em Santa Catarina - aproximadamente 46% dos entrevistados
acreditam que o período será igual ou inferior ao período pré-pandemia.
Para Dabdab, o recente aumento da taxa de contágio devido à variante ômicron da Covid-19 também é um fator que afeta o otimismo dos empresários quanto ao restante da temporada, mesmo com os protocolos seguidos à risca e com baixo impacto na ocupação dos leitos das unidades de saúde de Santa Catarina.
"A maior preocupação é quanto ao crescente afastamento dos
trabalhadores suspeitos de contaminação, o que compromete a operação diante da
alta demanda".
Dabdab frisa que a esperança dos empresários está na sensibilidade dos deputados estaduais, que no final do ano passado aprovaram um projeto de lei de equiparação da carga de ICMS de Santa Catarina à do Paraná, o que representaria uma redução dos atuais 7% para 3,2% de carga efetiva do tributo.
"Pedimos que nossos parlamentares mantenham sua coerência com a pauta e derrubem o veto do governador no retorno das atividades da Assembleia Legislativa. Afinal, precisamos de mais empregos e o nosso setor é um dos maiores geradores.
"Em Santa Catarina representávamos mais de 100 mil empregos diretos antes da pandemia. A redução da carga tributária estimularia sobremaneira o crescimento das empresas, atraindo novos investimentos", alerta.
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ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE