Agricultura ganha reforço de lei que institui o Programa Jovem Agricultor
Nesta quinta-feira, dia 28 de julho, comemora-se o Dia do
Agricultor, uma data que homenageia os profissionais que trabalham cultivando
produtos agrícolas, como vegetais, hortaliças e frutas. A data foi instituída
em 1960 pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek para comemorar os 100 anos da
fundação do Ministério da Agricultura e homenagear os trabalhadores que vivem
da terra.
Em Santa Catarina, estado destaque no setor, uma lei
(18.152/21) sugerida por uma estudante de Canoinhas, que participou do Programa
Parlamento Jovem em 2019, foi sancionada em julho de 2021 pelo Executivo, de
autoria da deputada Luciane Carminatti (PT), que institui o Programa Jovem
Agricultor (a).
A lei foi baseada na sugestão de estudantes da Escola
Estadual Maria Felicitas. Filha de agricultores do distrito Felipe Schmidt, Ana
Cláudia Wzorek Kubiak, 20 anos, teve como objetivo criar no estado uma ferramenta
semelhante ao Programa Nacional Profissionalizante (Pronap).
De acordo com a lei, jovens de 16 anos (se emancipados) ou
mais terão direito a crédito facilitado para empreender no campo, evitando o
êxodo rural. O objetivo é facilitar aos filhos e filhas de agricultores a
aquisição de maquinário, insumos e implementos agrícolas para iniciarem suas
próprias empreitadas.
Iniciativa pioneira
Residindo atualmente em Bela Vista do Toldo, Ana Cláudia é filha de
agricultores, que trabalham com tabaco, feijão, erva-mate, entre outras
culturas. Em 2021, ela casou e se mudou para o centro da cidade, onde o marido
trabalha numa cooperativa de crédito. “Por mais que nós dois amemos o campo e
gostaríamos de morar no interior ficaria inviável para o trabalho dele, por isso
decidimos morar aqui. É próximo das casas de nossos pais e nos finais de semana
e feriados estamos auxiliando no trabalho deles, principalmente na colheita do
fumo.”
Ana diz que nem tem palavras para descrever a alegria de ver
a sua proposta transformada em lei e beneficiando os jovens agricultores
catarinenses. “Amo o trabalho no campo, não tenho nem palavras em saber que
muitas pessoas trabalham na agricultura e que com essa lei haverá mais
incentivo para que os jovens fiquem em suas propriedades, evitando o êxodo
rural.”
Ela conta que muitos amigos abandonaram o campo, procurando
uma vida melhor nas cidades, onde foram trabalhar por um salário mínimo.
“Agora, com esse incentivo, fica mais fácil eles retornarem. É uma realização
saber que a lei está em vigor. Tenho orgulho de ser agricultora. Somos nós, os
agricultores, que colocamos comida na mesa das pessoas. Essa lei fará que a
economia não pare.”
Importância do setor
Além de ser reconhecido como o estado com o maior abate e exportação de carne
suína e como o segundo colocado no país sob os mesmos critérios em carne de
frango, Santa Catarina tem relevância nacional em 12 produtos agrícolas e em
quatro produtos de extração vegetal e silvicultura.
O estado lidera na produção nacional de alho e cebola. Entre
os produtos agrícolas, Santa Catarina é destaque como o segundo maior produtor
do país de arroz, fumo, maçã e pera; o terceiro maior de trigo, aveia,
erva-mate, palmito e pêssego; e o quarto maior de banana. O estado é apontado
como o terceiro maior produtor de lenha e de madeira em tora para outras
finalidades, além de ter a terceira maior área de silvicultura do país.
O agronegócio respondeu por 67% do valor total das
exportações catarinenses de 2021, que atingiu 10,3 bilhões de dólares. Este
valor é quase 11% maior do que os 9,3 bilhões de dólares de 2018, recorde
anterior do valor total das exportações estaduais.
O estado deve muito ao agronegócio. Mais de meio milhão de
catarinenses vivem - direta ou indiretamente - da agricultura, da pecuária e da
agroindústria, incluída sua imensa cadeia de fornecedores.
Produção diversificada
A agricultura pertence ao setor primário da economia e, como tal, encarrega-se
– ao lado dos setores extrativistas – de produzir, além dos alimentos, as
matérias-primas que são empregadas na fabricação de mercadorias. Além disso, a
agricultura vem ganhando um maior peso na produção de energia em virtude do
cultivo de vegetais utilizados na biomassa, com destaque para os
biocombustíveis.
A profissão ou o exercício do agricultor é uma das mais
antigas da história da humanidade, haja vista que a agricultura constituiu-se
no período neolítico há mais ou menos 10 mil anos. Com isso, foi permitida a
sedentarização do ser humano, ou seja, o fim da prática nômade, o que alicerçou
as primeiras bases para a formação das civilizações e sociedades.
Com o tempo, em razão dos avanços das técnicas, a agricultura e, consequentemente, o trabalho do agricultor foram se transformando gradualmente. As principais transformações são historicamente recentes, com destaque para o processo de mecanização e modernização no campo, responsável pelo aumento da produtividade dos bens agropecuários.



ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE