Lula faz caminhada com apoiadores em São Bernardo do Campo
Candidato relembrou greves dos metalúrgicos no ABC
Candidato relembrou greves dos metalúrgicos no ABC
O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva,
participou nesta quinta-feira (6) de uma caminhada com apoiadores em São Bernardo do Campo,
na Grande São Paulo. O ato saiu do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e seguiu
até a Praça da Matriz.
Em frente a igreja, Lula relembrou as greves dos
metalúrgicos, em que participava durante o regime militar. “A gente estava em
greve, a diretoria do sindicato foi toda presa e os trabalhadores ficaram sendo
organizados pela comissão de fábrica”, contou sobre um episódio ocorrido em 1º
de Maio de 1980.
Na ocasião, segundo o candidato, os sindicalistas tiveram
que se refugiar no interior da igreja para evitar a repressão. “Na época, o
saudoso Dom Cláudio Hummes era o bispo da região do ABC e ele dava guarida para
os trabalhadores entrarem na sacristia para que a gente não apanhasse da
polícia”, relembrou.
Desde então, de acordo com Lula, o local se tornou um marco
das lutas dos trabalhadores, categoria que ele pretende atender, caso retorne à
Presidência. “A gente quer ter o direito de trabalhar, de estudar, de tomar
café, almoçar todo dia. A gente quer ter o direito de ter acesso à cultura, ao
lazer, de ir ao cinema, ao teatro. A gente quer ter o direito de participar de
tudo aquilo que a gente constrói. A gente quer se vestir bem, comer bem. A
gente não gosta só de carne de segunda ou pescoço de frango”, disse.
Economistas
Ainda pela manhã, os economistas Edmar Bacha, Pedro Malan,
Pérsio Arida e Armínio Fraga declararam voto em Lula no segundo turno. Eles
serviram aos governos Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso
(1995-2001) e foram criadores do Plano Real, programa que implantou a nova
moeda e ajudou a controlar a hiperinflação no país nos anos 1990. Em
comunicado, os quatro economistas disseram esperar que um eventual retorno de
Lula à Presidência tenha "condução responsável da
economia". "Votaremos em Lula no 2º turno; nossa expectativa é
de condução responsável da economia", declararam.
Malan foi ministro da Fazenda durante o governo de FHC e
presidente do Banco Central durante o governo de Itamar Franco. Arida e Bacha
foram os criadores do Plano Real ainda no governo FHC. Armínio Fraga foi
presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC. Ontem (5), o
ex-presidente declarou apoio a Lula.
Em nota, a campanha de Lula e de seu candidato a
vice-presidente, Geraldo Alckmin, elogiou a postura dos economistas.
"Com esse ato de grandeza e de compromisso público com
o Brasil, os economistas André Lara Resende, Armínio Fraga, Edmar Bacha, Pedro
Malan e Pérsio Arida se somam a postura do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso e de diversos quadros históricos do PSDB em defesa da democracia e da
inclusão social representadas pela candidatura Lula-Alckmin. Estivemos juntos
no processo de redemocratização que derrotou a ditadura militar e, agora,
juntos novamente, vamos derrotar o autoritarismo, o obscurantismo, o
negacionismo e os desmontes de Bolsonaro, além de recuperar a economia
brasileira, reduzindo a inflação e voltando a gerar emprego e renda para o povo
brasileiro", diz a nota.
Políticos do PSD
À tarde, também na capital paulista, Lula recebeu políticos
do PSD, partido presidido deputado federal e ex-prefeito de São Paulo Gilberto
Kassab. A legenda, que se manteve neutra no primeiro turno e repetirá o
posicionamento no segundo, liberou as bancadas e seus diretórios para apoiarem
qualquer um dos candidatos a presidente que estão na disputa.
Entre os apoios recebidos por Lula nesta quinta-feira, está o do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. "O presidente Lula é o único político com nível nacional que tem compreensão da importância do estado do Rio de Janeiro para o Brasil. A mensagem que nós passamos aqui é que nós vamos trabalhar incessantemente [pela eleição de Lula]", afirmou o prefeito. O encontro também reuniu nomes como os senadores Cárlos Fávaro (PSD-MT) e Otto Alencar (PSD-BA), este último reeleito no domingo (2) para um novo mandato.
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