Internação de bebês por desnutrição atinge maior nível em 13 anos
Dados são de pesquisa do Observa Infância, da Fiocruz
Dados são de pesquisa do Observa Infância, da Fiocruz
Em 2021, as
internações de bebês com menos de 1 ano de idade chegaram ao maior nível em 13
anos, segundo estudo divulgado nesta semana pelo Observatório de Saúde da
Infância (Observa Infância), da Faculdade de Medicina de Petrópolis do Centro
Arthur de Sá Earp Neto (Unifase) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os
pesquisadores se basearam em dados do Sistema de Informações Hospitalares
(SIH), que apontam 2.979 hospitalizações nessa faixa etária ao longo do ano
passado, o que equivale a oito por dia.
A pesquisa alerta
ainda para um possível agravamento da situação este ano, já que até 30 de
agosto a taxa média diária de hospitalizações era de 8,7 por dia, o que
representa um crescimento de 7% em relação ao patamar atingido no ano passado.
O coordenador do
Observa Infância e pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação
Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), Cristiano Boccolini, aponta
diversas causas que podem estar ligadas a essa piora na desnutrição de bebês,
como a alta acumulada no preço dos alimentos, o aumento da informalidade no
trabalho e a redução da renda dos trabalhadores. Ele avalia que esses problemas
afetam o acesso aos alimentos e o aleitamento materno.
"Às vezes, a
mulher tem que conseguir um bico ou um trabalho, um subemprego, ou um trabalho
em condições informais ou mesmo formais, mas que não dispõe mais da licença
maternidade de 4 meses, férias etc, ou não dispõe de nenhuma rede de proteção
que ampare ela a manter o aleitamento materno, e acaba tendo que comprar leites
ou fórmulas", explica o pesquisador.
"Tem uma
situação também que é ambiental, de acesso a saneamento básico e a água
potável, que não vem melhorando no país. Então, essas crianças estão expostas a
esgoto a céu aberto, água em condições inadequadas para consumo, e isso expõe
elas a infecções. E infecções como pneumonias e diarreias podem agravar um
quadro já existente ou instalar um quadro de desnutrição", disse o
pesquisador.
O estudo mostra
ainda que, a cada três internações de bebês menores de 1 ano por desnutrição,
duas são de bebês negros. Esse dado considera apenas as internações em que foi
informada a raça/cor dos bebês e as hospitalizações que ocorreram entre janeiro
2018 e agosto de 2022. A pesquisa alerta que há problemas no registro dessa
informação, já que uma em cada três internações não informa a raça/cor do bebê.
“Ainda precisamos
melhorar muito a identificação por raça e cor nos nossos sistemas de
informação, mas, com os dados que temos, é possível afirmar que temos uma
proporção maior de crianças pretas e pardas internadas por desnutrição”, disse
Boccolini.
O pesquisador
lembra que a taxa de hospitalizações por desnutrição a cada 100 mil bebês
nascidos vivos tem aumentado no Brasil desde 2016, e a alta acumulada em 2021
já representa um aumento de 51% em relação a 2011. Em 2021, o Brasil teve 113
internações para cada 100 mil bebês nascidos vivos, proporção que era de 75 por
100 mil em 2011.
A alta na taxa de
hospitalizações é mais acentuada na Região Centro-Oeste, onde houve aumento de
30% de 2020 para 2021. Mesmo assim, o Nordeste é a parte do Brasil onde há mais
internações por desnutrição no primeiro ano de vida, com 171 hospitalizações a
cada 100 mil bebês nascidos vivos.
Apesar da alta na
taxa nacional de internações, a taxa de mortalidade por desnutrição na mesma
faixa etária está em queda constante desde 2009 e chegou à menor marca em 2020,
último ano com dados consolidados. Boccolini explica que, ainda que haja essa
queda nas mortes que tem a desnutrição como causa básica, o quadro pode
contribuir para outros óbitos evitáveis, o que está sendo avaliado em uma
segunda rodada da pesquisa.
O pesquisador
ressalta que, ao ser internada no Sistema Único de Saúde, uma criança nessa
faixa etária se recupera daquele ciclo de desnutrição que poderia levá-la a
morte, mas pode carregar prejuízos por ter passado por carências nutricionais
em um momento crucial para a formação de seu organismo.
"As consequências a médio e longo prazo são praticamente irreversíveis. Tem um impacto considerável na capacidade cognitiva dessa criança, que pode ser afetada por quadros de desnutrição grave, na formação dos órgãos internos que mais à frente, na idade adulta, podem levar a doenças como hipertensão, diabetes e até obesidade", exemplifica Boccolini, acrescentando que, com a persistência do quadro de desnutrição ao longo da vida, a criança estará mais exposta a quadros graves de doenças infecciosas.
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