Dólar sobe para R$ 5,39 e bolsa cai 3,35% após discurso de Lula
“Nunca vi mercado tão sensível”, diz presidente eleito
“Nunca vi mercado tão sensível”, diz presidente eleito
Na contramão do
alívio no exterior, o mercado financeiro teve um dia de nervosismo em meio à
indefinição sobre a equipe econômica do futuro governo e após o discurso do
presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar disparou e subiu mais de
4%, aproximando-se de R$ 5,40. A bolsa de valores teve a maior queda diária
desde setembro de 2021.
O dólar comercial fechou esta quinta-feira (10) vendido a R$ 5,397, com alta de
R$ 0,215 (+4,14%). A cotação chegou a desacelerar para R$ 5,26 por volta das
10h45, mas ganhou força e fechou próxima das máximas do dia.
A moeda norte-americana está no maior nível desde 22 de julho, quando tinha
fechado a R$ 5,50. No restante do planeta, o dólar teve um dia de queda após a
divulgação de dados que mostram a desaceleração da inflação nos Estados Unidos,
o que reduz as pressões para que o Federal Reserve (Fed, Banco Central
norte-americano) mantenha os juros altos por longo tempo.
O nervosismo também se manifestou no mercado de ações. O índice Ibovespa, da
B3, fechou aos 109.775 pontos, com queda de 3,35%. O indicador está no nível
mais baixo desde 29 de setembro, na semana anterior à realização do primeiro
turno das eleições. No pior momento do dia, por volta das 16h30, o indicador
chegou a despencar 4,46%.
A bolsa brasileira também se descolou do exterior. As bolsas norte-americanas
tiveram o maior ganho diário em cerca de dois anos com a queda da inflação nos
Estados Unidos.
Resposta
Ao sair do Centro
Cultural Banco do Brasil, em Brasília, no fim da tarde, Lula criticou a reação
do mercado. “Nunca vi o mercado tão sensível como o nosso", respondeu
Lula, ao ser questionado por jornalistas sobre o nervosismo no mercado
financeiro.
O dólar e a bolsa começaram o dia pressionados após Lula ter anunciado, ontem
(9) à noite, que só começará a anunciar os ministros após o retorno da viagem
que fará ao Egito. A situação piorou no fim da manhã, quando o presidente
eleito, em discurso a deputados da base aliada, criticou o teto federal de
gastos e disse que o limite de despesas deveria ser discutido em pé de
igualdade com as questões sociais.
“Por que pessoas são levadas a sofrer para garantir a tal da estabilidade
fiscal nesse país? Por que toda hora as pessoas dizem que é preciso cortar
gasto, que é preciso fazer superávit, que é preciso ter teto de gastos? Por que
a gente não estabelece um novo paradigma?", questionou Lula no discurso.
À tarde, a volatilidade aumentou após o anúncio de que o ex-ministro da Fazenda
Guido Mantega participará do grupo da equipe de transição que discute o
orçamento, o planejamento e a gestão administrativa.
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