Equipe de transição propõe excluir R$ 175 bilhões do teto de gastos
Medida pretende viabilizar Bolsa Família em R$ 600
Medida pretende viabilizar Bolsa Família em R$ 600
A equipe de
transição do novo governo apresentou nesta quarta-feira (16), ao Congresso
Nacional, a proposta de excluir R$ 175 bilhões da regra do teto de gastos para
o orçamento do ano que vem, como forma de viabilizar a manutenção do valor
mínimo de R$ 600 para o programa Bolsa Família, atual Auxílio Brasil, além de
instituir um valor adicional de R$ 150 por criança menor de 6 anos de cada
beneficiário.
A medida é um dos
compromissos de campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A
minuta da proposta de emenda constitucional (PEC) foi entregue pessoalmente
pelo vice-presidente eleito e coordenador-geral da equipe de transição, Geraldo
Alckmin.
Pela proposta, o
valor excluído da regra que limita o crescimento das despesas públicas seria
usado para financiar integralmente o Bolsa Família, com o programa ficando fora
do teto em caráter permanente. Com isso, outros R$ 105 bilhões seriam liberados
do orçamento do ano que vem para serem usados na recomposição de recursos para
programas como o Farmácia Popular e o aumento real do salário mínimo, outras
das promessas do novo governo durante as eleições.
"Há, por parte
do governo eleito, e também do governo que deixará o comando do Brasil no
próximo dia 31 de dezembro, o desejo de proteger as famílias, proteger os
pobres do Brasil com um auxílio de R$ 600 e um acréscimo de R$ 150 por criança
para cada família", afirmou o senador Davi Alcolumbre (União-AP),
presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal.
Segundo o senador
Marcelo Castro (MDB-PI), que é relator do orçamento no Congresso Nacional, o
que a equipe de transição apresentou foi uma proposta, que ainda precisará ser
negociada com líderes partidários para ter viabilidade de aprovação.
"A equipe de
transição nos trouxe uma proposta, uma sugestão de PEC. Mas eu quero que todos
tenham a compreensão de que essa PEC será proposta pelo Senado. Vamos pegar
essas sugestões que a equipe de transição nos trouxe, vamos negociar
internamente com as lideranças aqui do Senado, até chegarmos a um entendimento,
uma concertação de qual seria o texto ideal. O ideal aqui é o possível e aquilo
que tem a maior probabilidade de ser aprovado. Então, só nesse momento nós
começaremos a recolher as assinaturas", explicou. Por ser uma alteração constitucional,
a PEC, quando for apresentada, precisa ter um mínimo de 27 assinaturas de
senadores para começar a tramitar na Casa.
Castro informou que
ele próprio vai apresentar a PEC formalmente no Senado e o objetivo é aprovar a
medida até o fim de novembro, para que possa depois tramitar na Câmara dos
Deputados. Ela precisa ser aprovada até o fim deste ano e exige um quórum
qualificado de três quintos tanto na Câmara quanto no Senado, com votação em
dois turnos.
Outras mudanças
Além de excluir o
programa Bolsa Família de forma permanente da regra de teto de gastos, a minuta
trazida pela equipe de transição propõe usar receitas obtidas com excesso de
arrecadação para investimentos públicos, limitado a cerca de R$ 22 bilhões.
Pela regra vigente no teto de gastos, qualquer excesso de arrecadação deve ser
obrigatoriamente usado para abatimento da dívida pública. Instituída em 2016, a
emenda constitucional do teto de gastos limita o aumento do orçamento público
ao crescimento da inflação do ano anterior.
"Um dos itens
da PEC é que nós poderíamos aproveitar esse excesso de arrecadação, baseado em
6,5% de 2021, que daria um valor aproximado de R$ 22 bilhões, R$ 23 bilhões.
Mesmo que a arrecadação fosse extraordinária de R$ 100 bilhões, R$ 200 bilhões,
não poderia aplicar em investimento mais do que R$ 22 bilhões", detalhou
Marcelo Castro.
O terceiro item da
proposta da PEC é excluir da regra do teto de gastos recursos extras obtidos
por meio de convênios e serviços prestados pelas universidades públicas, além
de doação feita por fundos internacionais. Assim, essas instituições não teriam
esses recursos abatidos pela regra do teto de gastos.
"A equipe de transição está sugerindo que nós apresentemos a PEC excepcionalizando do teto de gastos essas receitas próprias que são das universidades, de fundos internacionais que possam fazer doações ao Brasil na área socioambiental. Acho que isso é um consenso que não tem sentido uma universidade prestar um serviço e não poder ser paga por isso", explicou o senador.
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ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE