Brasil tenta vencer a Suíça pela primeira vez em uma Copa do Mundo
Este é o terceiro encontro entre as equipes em mundiais de seleções
Este é o terceiro encontro entre as equipes em mundiais de seleções
São Paulo parou no
dia 28 de junho de 1950, uma quarta-feira. Mais de 42 mil paulistanos rumaram
para o estádio do Pacaembu, no qual a seleção brasileira comandada pelo técnico
Flávio Costa enfrentaria a Suíça, um time que tinha sido humilhado pela Iugoslávia
na primeira rodada da Copa, derrota de 3 a 0.
Flávio Costa
treinava o Vasco, mas quis fazer média com os paulistas e mudou a seleção,
incluindo a famosa linha média do São Paulo naquela partida: Ruy Campos, Bauer
e Noronha. O Brasil fez 1 a 0, num lance no qual, segundo a filmagem da época
indica, a bola saiu pela linha de fundo antes de Ademir (do Vasco) cruzar e
Alfredo II (do Vasco) balançar as redes do goleiro suíço.
A Suíça empatou a
seguir numa falha do zagueiro Juvenal (do Flamengo) e do goleiro Barbosa (do
Vasco). O Brasil voltou à frente do placar com uma cabeçada de Baltazar (do
Corinthians) no ângulo. Mas, quando faltavam apenas dois minutos para o término
da partida: “A Suíça empatou novamente. O ponta-esquerda Fatton chutou, a bola
passou entre os braços de Barbosa. Saímos, ficamos todos aqui na frente do
estádio, a torcida esperando o Flávio Costa. Ficamos uma hora aqui na porta.
Por fim, ele saiu no carro da polícia. Não sei se queriam agredir, mas, pelo
menos, queríamos falar umas boas para ele, sabe”, relembrou o aposentado Nelson
Xavier, que em 1950 era um dos muitos meninos que estavam no Pacaembu naquela
tarde, em entrevista ao programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil.
Foi apenas um
tropeço. Curiosamente, outro confronto entre as duas seleções em Copas só
ocorreu no Mundial da Rússia em 2018. Philippe Coutinho fez 1 a 0, em chute de
fora da área, no 1º tempo. Mas, assim como em 1950, a Suíça empatou: Zuber, de
cabeça, no 2º tempo. Tite colocou em campo diversos jogadores que mantém no
elenco atual, como Alisson, Danilo, Thiago Silva, Casemiro, Neymar e Gabriel
Jesus. De lá para cá, enquanto a CBF conservou o mesmo treinador, a Suíça
apostou no novo. Trouxe Murat Yakin para o lugar do bósnio Vladimir Petkovic.
Mas o time vermelho continua incomodando os grandes. Nas Eliminatórias tirou a
Itália da liderança do grupo na última rodada e se classificou para a Copa
diretamente, sem a necessidade de passar pela repescagem.
Nesta
segunda-feira, a partir das 13 horas (horário de Brasília), o Brasil tem a
terceira chance de vencer a Suíça pela primeira vez em Copas. Não é impossível
vencê-los. Isso já ocorreu em três amistosos: em 1980 (Brasil 2 a 0, em
Cuiabá), em 1983 (Brasil 2 a 1, em Basel) e em 2006 (Brasil 2 a 1, em Basel).
Mas há uma história
curiosa. Em 1989, durante uma desastrosa excursão à Europa, a seleção comandada
pelo técnico Sebastião Lazaroni já tinha perdido da Suécia (1 a 2), da
Dinamarca (0 a 4) e, enfim, da Suíça (0 a 1, gol de pênalti). Essa derrota foi
a gota d´água e fez com que a emissora de TV detentora dos direitos dos jogos
da seleção brasileira à época desistisse de transmitir a quarta partida do
Brasil (um amistoso contra o Milan, que ficou mesmo no 0 a 0).
Como já parece
tradição neste mundo globalizado, a Suíça traz três jogadores naturalizados: o
goleiro reserva Philipp Köhn, originalmente é alemão, o meia Xherdan Shaqiri,
que nasceu no Kosovo (à época ainda parte da Iugoslávia), e o atacante Breel
Embolo, que é camaronês.
Sempre que o Brasil
jogar contra a Suíça será o favorito, mas a seleção europeia tem sido sempre
uma pedra do sapato da equipe canarinho.
E é bom evitar decepções como a que os antigos já tiveram: “Os suíços fizeram o suficiente para a conquista de um resultado estupendo. Para os helvéticos, o empate constitui uma esplêndida vitória e, mais do que isso, o maior feito do futebol da Suíça de todos os tempos”, resumiu o Diário da Noite após o resultado imprevisível de 1950.
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