CCJ do Senado aprova PEC da Transição
Texto deve ser votado no plenário nesta quarta
Texto deve ser votado no plenário nesta quarta
Após uma longa
sessão, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a proposta
de emenda à Constituição chamada PEC da Transição. A proposta visa garantir
recursos para programas sociais no Orçamento da União de 2023, como a
continuidade do pagamento do Bolsa Família/Auxílio Brasil de R$ 600 e o aumento
real do salário mínimo a partir de janeiro.
Conforme acertado
em reunião segunda-feira (5), na residência oficial da Câmara dos Deputados, o
relatório reduz o prazo de exceção do Bolsa Família ao teto de gastos para dois
anos e não por quatro anos, como originalmente era o objetivo da equipe de
transição.
Pela proposta,
serão destinados R$ 175 bilhões para pagamento do Bolsa Família, no valor de R$
600 mensais, mais R$ 150 por criança de até seis anos em 2023, além de recursos
para ampliar investimentos. Agora, a PEC segue para votação no plenário da
Casa. A previsão é votar o texto na sessão desta quarta-feira (7).
Foram cerca de
quatro horas de discussão, com alguns senadores querendo retirar do texto
artigos que, segundo eles, não estavam dentro do consenso do auxílio às
famílias carentes. A PEC prevê, além de um valor “extra-teto” para pagamento do
auxílio, cifras extras para despesas com programas socioambientais e de combate
às mudanças climáticas.
O texto também
prevê a exclusão do teto de gastos para despesas para execução direta de obras
e serviços de engenharia. “Isso permitirá a realização de obras pelos batalhões
de engenharia de construções do Exército em convênios com estados e
municípios”, disse o relator da PEC, senador Alexandre Silveira (PSD-MG).
Os principais
pontos de divergência, segundo o senador Jaques Wagner (PT-BA), estariam no
prazo da PEC, na data de envio do novo marco fiscal e na redução do impacto da
proposta em R$ 30 bilhões. Parte dos senadores sugeriu que a expansão dos
gastos para o pagamento valesse apenas por um ano. Eles também cobraram que a
proposta de um novo marco fiscal para substituir o teto de gastos seja
encaminhado em um prazo de seis meses após o início do novo governo.
Inicialmente, o prazo seria de um ano, mas foi reduzido após acordo.
Senadores da base
do atual governo queriam mais tempo para discutir a questão e pediram a
realização de uma audiência pública para debater o tema algo. Na prática, essa
audiência pública apenas postergaria a data da votação da PEC tanto na CCJ
quanto no plenário do Senado.
Um requerimento de
realização de audiência pública foi votado na comissão, mas foi rejeitado.
Ao se enviado ao plenário, o texto precisará ser aprovado por pelo menos 49 senadores em dois turnos de votação. Vencida a etapa do Senado, a PEC seguirá para análise dos deputados. Na Câmara, também em dois turnos, a PEC precisará do apoio de 308 parlamentares para que possa ser promulgada antes do Natal.
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