Moraes determina prisão de Anderson Torres
Medida do ministro do STF é referente a atos antidemocráticos
Medida do ministro do STF é referente a atos antidemocráticos
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
(STF), determinou nesta terça-feira (10) a prisão do ex-comandante da Polícia
Militar do Distrito Federal coronel Fábio Augusto Vieira, e do ex-secretário de
Segurança Pública do DF, Anderson Torres.
Coronel Fábio Augusto Vieira era o responsável pela tropa
que atuou durante os atos antidemocráticos neste domingo (8) contra o
Congresso, o Palácio do Planalto e a Suprema Corte.
Vieira não está mais no comando da corporação. Ele foi
exonerado na segunda-feira (9) pelo interventor nomeado para a Secretaria de
Segurança Pública do Distrito Federal após o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva decretar intervenção federal na segurança pública do DF e o
afastamento do governador Ibaneis Rocha pelo prazo de 90 dias, determinado pelo
ministro.
Na decisão, Moraes também determinou a prisão do ex-ministro
da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF Anderson Torres.
As prisões foram solicitadas pela Polícia Federal, que
apontou omissão e conivência das autoridades locais no controle dos atos, que
ocorreram, segundo a corporação, com a anuência dos responsáveis pela segurança
pública do Distrito Federal.
A PF citou a ausência de policiais do Batalhão de Choque,
autorização para entrada de cerca de 100 ônibus em Brasília e inércia em
relação à desativação do acampamento em frente ao quartel do Exército.
Ao aceitar os pedidos de prisão, Moraes disse que a medida é
necessária diante de fortes indícios de que os investigados foram “coniventes”
com quem praticou os atos de invasão.
“A existência de uma organização criminosa, cujos atos têm
ocorrido regularmente há meses, inclusive no Distrito Federal, é um forte
indício da conivência e da aquiescência do Poder Público com os crimes cometidos,
a revelar o grave comprometimento da ordem pública e a possibilidade de
repetição de atos semelhantes caso as circunstâncias permaneçam as mesmas”,
escreveu o ministro.
Moraes refirmou que a democracia não será abalada pelos
atos. “Absolutamente todos serão responsabilizados civil, política e
criminalmente pelos atos atentatórios à democracia, ao Estado de Direito e às
instituições, inclusive pela dolosa conivência – por ação ou omissão – motivada
pela ideologia, dinheiro, fraqueza, covardia, ignorância, má-fé ou
mau-caratismo”, concluiu.
Nesta terça-feira, viaturas da PF estiveram na casa de
Anderson Torres em Brasília.
Não há confirmação se o ex-ministro está na residência. No
início desta semana, Torres disse à imprensa que estava em férias nos Estados
Unidos.
Pelas redes sociais, Anderson Torres disse que vai retornar ao Brasil para se apresentar à Justiça e cuidar de sua defesa. “Sempre pautei minhas ações pela ética e pela legalidade. Acredito na justiça brasileira e na força das instituições. Estou certo de que a verdade prevalecerá”, declarou.
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