Novo diretor-geral da PF diz que não permitirá interferências
Rodrigues também anunciou reestruturação dos cursos
Rodrigues também anunciou reestruturação dos cursos
O novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei
Rodrigues, disse nesta terça-feira (10) que não aceitará qualquer tipo de
interferência nas investigações a cargo do órgão, que é vinculado ao Ministério
da Justiça e Segurança Pública.
“Aproveito para reafirmar o compromisso da Polícia Federal
com os interesses do Estado brasileiro. Nossa atuação será sempre pautada pelo
estrito cumprimento da lei e pelos princípios do estado democrático de direito.
Esse será um norte inafastável na gestão das investigações policiais, que serão
coordenadas com base no trinômio qualidade da prova, autonomia investigativa e
responsabilidade, e com absoluto rigor em relação a eventuais desvios ou
personalismos”, disse Rodrigues durante a cerimônia em que assumiu oficialmente
o cargo.
“Não permitiremos que projetos pessoais, interferência ou
pressão de agentes públicos, grupos ou holofotes da mídia pautem qualquer ação
institucional. Absolutamente nenhum desvio de finalidade será tolerado, porque
só assim teremos uma Polícia Federal resistente a pressões do momento, pautada
pela Constituição Federal e sempre comprometida com a verdade”, acrescentou o
diretor-geral, que terá sob seu comando mais de 14 mil servidores públicos.
Após afirmar que a corporação tem, hoje, uma “oportunidade
de olharmos criticamente para o passado, corrigirmos o prumo e passarmos a
explorar outros rumos”, Rodrigues disse que pautará suas ações priorizando três
aspectos: valorização dos servidores, aperfeiçoamento dos mecanismos
institucionais de governança e transformação organizacional da PF.
“Considero de fundamental importância trazer nossos
servidores para o centro das atenções, adotando medidas que abranjam os
múltiplos aspectos de sua vida funcional. A começar pelo ingresso no órgão, com
a reformulação dos cursos de formação profissional, numa Academia Nacional de
Polícia que contemple uma formação humanística abrangente, para além da
técnica”, destacou o diretor-geral, que é formado em Direito, possui mestrado
na área de segurança pública e ingressou na PF em 2002.
Para Rodrigues, a “transformação organizacional” da PF, com
o “aperfeiçoamento da estrutura” do órgão que, em 2024, completará 80 anos de
existência, é necessária para fazer frente aos novos desafios. Daí a criação,
por exemplo, das novas diretorias de Amazônia e Meio Ambiente e de Combate a
Crimes Cibernéticos e Digitais.
“A disseminação criminosa da mentira no mundo digital nos é
particularmente desafiadora, não só porque se insere na gama de atribuições
legais da PF, mas porque, em acontecimentos recentes, demonstrou sua efetiva
nocividade”, comentou Rodrigues, referindo-se ao ataque à sede da PF, em
Brasília, no dia 12 de dezembro, data em que um grupo de pessoas que não
reconhece a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas últimas
eleições tomou as ruas da capital federal, bloqueando o trânsito, incendiando
ao menos oito veículos, incluindo ônibus, e causando muitos estragos – em um
prenúncio do que aconteceria no último domingo (8), quando vândalos e golpistas
invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o prédio
do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Vidas de colegas policiais foram colocadas em risco e a
segurança física de nossas instalações foi comprometida. A violência virtual
mostrou sua face real e materializou-se perigosamente diante de todos nós. As
palavras de ódio se concretizaram em ações tangíveis que ameaçaram o edifício
do estado democrático de direito. Felizmente, nossas instituições resistiram”,
lembrou Rodrigues, garantindo que a PF atuará “nos estritos termos da lei, mas
com muita firmeza” contra os que “praticaram crimes ou se omitiram quando
deveriam agir”.
Prestigiada, a cerimônia de posse contou com a presença de vários ministros de Estado, entre eles, Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) e Marina Silva (Meio Ambiente), além do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que ao ter seu nome anunciado, foi bastante aplaudido pelos agentes federais e servidores de outros órgãos que lotavam o auditório da sede da PF.
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