Ministra diz que Brasil do futuro precisa responder dívidas do passado
Anielle Franco assumiu hoje o Ministério da Igualdade Racial
Anielle Franco assumiu hoje o Ministério da Igualdade Racial
A jornalista e ativista Anielle Franco assumiu o cargo de ministra
da Igualdade Racial nesta quarta-feira (11), no Palácio do Planalto, em
Brasília, em uma solenidade que também marcou a chegada de Sônia Guajajara
à frente do Ministério dos Povos Indígenas.
Em um longo discurso, no qual fez um balanço crítico das
marcas do racismo na sociedade brasileira, Anielle Franco chamou a atenção para
a necessidade de fortalecer políticas de reparação da dívida histórica do país
com o povo negro.
"Não podemos mais ignorar ou subestimar o fato de que a
raça e a etnia são determinantes para a desigualdade de oportunidades no Brasil
em todos os âmbitos da vida. Pessoas negras estão sub-representadas nos espaços
de poder e, em contrapartida, somos as que mais estamos nos espaços de
estigmatização e vulnerabilidade", afirmou.
Apesar de a maioria da população brasileira se autodeclarar
negra, Anielle Franco disse que "é possível observar que os brancos ocupam
a maior parte dos cargos gerenciais, dos empregos formais e dos cargos
eletivos", acrescentando que, por outro lado, a população negra está no
topo dos índices de desemprego, subemprego e de ocupações informais, além de receber
os menores salários.
A nova ministra cobrou o envolvimento dos não negros na
superação das desigualdades. "O Brasil do futuro precisa responder às
dívidas do passado. E é por isso que em um governo de reconstrução nós
gostaríamos também de falar com os não negros. O enfrentamento ao racismo e a
promoção da igualdade racial é um dever de todos nós", disse.
Propostas
A nova ministra da Igualdade Racial disse que, nos próximos
4 anos, vai trabalhar para fortalecer a Lei de Cotas e ampliar a presença de
jovens negros e pobres nas universidades públicas.
Também disse que buscará aumentar a visibilidade e a
presença de servidores negros e negras em cargos de tomada de decisão da
administração pública. Ela adiantou que a pasta ainda deve relançar o plano
Juventude Negra Viva, que promoverá ações que visem a redução da letalidade
contra a juventude negra brasileira e a ampliação de oportunidades para jovens
brasileiros.
Anielle Franco também mencionou o fortalecimento da política
nacional de saúde integral da população negra, e a necessidade garantir
direitos de comunidades quilombolas e ciganas.
As cerimônias assunção de cargos de Anielle Franco e Sônia
Guajajara, que seriam realizadas separadamente, tiveram que ser remarcadas em
uma só solenidade após os atos golpistas do domingo (8), que destruíram os
prédios da República, incluindo a depredação do Palácio do Planalto.
Desta vez, a assunção ministerial contou com a presença do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não acompanhou as de outros auxiliares a longo da semana passada. Ele estava acompanhado da esposa, Janja da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros.
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