Ministro do Trabalho pedirá fim de novos pedidos de saque-aniversário
Sugestão será apresentada ao Conselho Curador do FGTS em março
Sugestão será apresentada ao Conselho Curador do FGTS em março
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, pedirá o fim de novos pedidos
de saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), confirmou
nesta terça-feira (24) a assessoria da pasta. A sugestão será apresentada na
reunião do Conselho Curador do FGTS em 21 de março.
O pedido não significa que a sugestão será aceita. Isso
porque o Conselho Curador reúne representantes do governo, das empresas e dos
trabalhadores. Das 12 cadeiras, o governo tem seis; as entidades de patrões,
três; e as entidades de empregados, três. Em caso de empate na votação, o
representante com maior tempo de exercício no conselho terá voto de qualidade.
Atualmente, o Conselho Curador do FGTS tem cinco cadeiras do
governo vazias, com apenas o ministro Luiz Marinho ocupando as vagas destinadas
ao Executivo. Como a composição definitiva do conselho ainda depende de nomes
que ainda serão indicados, a decisão ficará para março.
Durante o discurso de posse, Marinho tinha indicado que
pretendia extinguir o saque-aniversário para “corrigir distorções” no FGTS. Um
dia depois, o ministro recuou e escreveu, nas redes sociais, que
pretende apenas debater a medida com o Conselho Curador e as centrais
sindicais.
“A manutenção ou não do saque-aniversário do FGTS será
objeto de amplo debate junto ao Conselho Curador do FGTS e com as centrais
sindicais. A nossa preocupação é com a proteção dos trabalhadores e
trabalhadoras em caso de demissão e com a preservação da sua poupança”, postou
o ministro no Twitter no último dia 5.
Retiradas anuais
Por meio do saque-aniversário, o trabalhador pode retirar, a
cada ano, uma parte do saldo de qualquer conta ativa ou inativa. Desde a
entrada em vigor da modalidade, em abril de 2020, 28 milhões de trabalhadores
aderiram ao modelo e retiraram R$ 34 bilhões do FGTS. Em média, R$ 12 bilhões
são retirados por ano.
O período de retiradas de quem opta pelo saque-aniversário
começa no primeiro dia útil do mês de aniversário do trabalhador. Os valores
ficam disponíveis até o último dia útil do segundo mês subsequente. Caso o
dinheiro não seja retirado no prazo, volta para as contas do FGTS em nome do
trabalhador.
A adesão ao saque-aniversário, no entanto, exige cuidado.
Pelas regras atuais, ao retirar uma parcela do FGTS a cada ano, o trabalhador
deixará de receber o valor depositado pela empresa caso seja demitido sem justa
causa. O pagamento da multa de 40% nessas situações está mantido.
A qualquer momento, o trabalhador pode desistir do
saque-aniversário e voltar para a modalidade tradicional, que só permite a
retirada em casos especiais, como demissão sem justa causa, aposentadoria,
doença grave ou compra de imóveis. No entanto, existe uma carência na reversão
da modalidade.
Ao voltar para o saque tradicional, o trabalhador ficará dois anos sem poder sacar o saldo da conta no FGTS, mesmo em caso de demissão. Se for dispensado, receberá apenas a multa de 40%.
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