Haddad diz que Congresso deve voltar a abraçar reforma tributária
Ministro reuniu-se em São Paulo com diretores da Fiesp
Ministro reuniu-se em São Paulo com diretores da Fiesp
Em conversa nesta segunda-feira (30) com diretores
da sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ministro
da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o Congresso Nacional deve
voltar a "abraçar” o tema da reforma tributária depois das eleições para
as presidências do Senado e da Câmara Federal. Para o ministro, a reforma
tributária só não foi aprovada no ano passado pela insistência em se retomar
a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Segundo o ministro, os governadores também já se
manifestaram favoráveis à votação da reforma. “Todos os governadores se
manifestaram, inclusive formalmente e publicamente, a favor da votação da
reforma, que só não foi votada no ano passado porque ainda se insistia na
agenda da contribuição. Isso aí acabou criando obstáculos para aprovação da
reforma”, afirmou.
De acordo com Haddad, a reforma tributária será discutida em
duas etapas. A primeira delas deverá ser feita ainda no primeiro semestre deste
ano. “Não queremos mexer com o Simples nessa primeira etapa. Imagino que, no
segundo semestre, em tudo dando certo no primeiro, a gente vai poder endereçar
outros assuntos.”
Haddad destacou também que o novo governo será de “alta
intensidade” e que vai priorizar as agendas fiscal, regulatória e de crédito
nos próximos meses. “Vejo uma enorme oportunidade. Primeiro, na agenda fiscal,
que vem a ser a aprovação da reforma tributária e do novo
arcabouço fiscal que já vai pacificar o Brasil em front delicado.
Temos que sair da agenda de curtíssimo prazo”, disse.
Secretário executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel
Galipolo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o Presidente da FIESP,
Josué Christiano Gomes da Silva, participam de reunião na sede da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo - Rovena Rosa/Agência Brasil
Agenda de crédito
Sobre a agenda de crédito, o ministro
disse ter conversado, na manhã de hoje, com o presidente do
Banco Central, Roberto Campos Neto, e que eles pretendem “desengavetar ações”.
“Temos muito o que fazer em relação ao crédito no Brasil. Vamos desengavetar
todas as iniciativas do Banco Central que estavam paralisadas dentro do
Executivo.”
A jornalistas, o ministro disse ainda não saber que ações
seriam essas. “O que me comprometi com ele [presidente do BC] é que em 15 dias
vamos ter todas as medidas na mão e vamos encaminhar ao Congresso
Nacional, depois de uma avaliação interna no Ministério da Fazenda. São medidas
que vão melhorar o ambiente de negócios no Brasil. A ideia é que, em março, a
gente já encaminhe isso para a Casa Civil.”
Na questão regulatória, o ministro destacou que o Brasil tem
uma oportunidade de se reindustrializar a partir de uma energia limpa.
“Temos a oportunidade de sermos um dos maiores produtores de
energia limpa do mundo. Temos a oportunidade de nos reindustrializar a partir
dessa matriz. O mundo inteiro está em busca de energia limpa. As indústrias
estão escolhendo locais para se instalar com base em energia limpa. E o Brasil
é o país que está mais bem posicionado para produzir energia eólica, solar, biomassa,
tudo o que está disponível. E isso pode ser um forte componente de atração de
investimentos estrangeiros no Brasil e de reindustrialização do capital
nacional. Acredito que a mudança climática, a crise climática, pode nos
oferecer um caminho de desenvolvimento muito interessante”, destacou.
Pix
Durante a reunião com a diretoria da Fiesp, que durou cerca
de duas horas, o ministro disse ainda que o Banco Central estuda oferecer uma
nova função ao Pix. “Em meados deste ano, o Pix vai virar instrumento de
crédito. Isso vai baratear muito o crédito no Brasil. Isso está na agenda do BC
e vai ser lançado ainda neste ano.”
Mercosul
Aos diretores da Fiesp, o ministro também defendeu o
fortalecimento do Mercosul como forma de melhorar a capacidade de negociação da
região com outros países e blocos do mundo. Para o ministro, seria importante
integrar outros países ao bloco, como a Bolívia, e também avançar para uma zona
de livre comércio.
“O que defendo é o fortalecimento do Mercosul. Acho que,
dentro do Mercosul, devemos ter uma zona de livre comércio. Devemos
transformá-lo em um bloco econômico e negociar em bloco com China, União
Europeia, Estados Unidos e com quem for. Quanto mais a gente adensar o bloco,
maior vai ser nossa capacidade de negociar bons acordos comerciais com o
mundo", disse Haddad.
O ministro foi convidado a participar da reunião com a
diretoria da Fiesp em um momento em que a federação paulista enfrenta um problema
interno, que quase provocou a saída de seu presidente Josué Gomes.
Gomes assumiu a presidência da Fiesp no ano passado,
substituindo Paulo Skaf, que estava há 17 anos no cargo. Apesar de a eleição do
atual presidente da Fiesp ter sido apoiada por Skaf, os dois
manifestaram posições divergentes nas eleições presidenciais de 2022. Em
agosto, a Fiesp, já sob o comando de Josué Gomes, articulou uma carta em defesa
da democracia, junto a outras representações empresariais, intelectuais e
organizações da sociedade civil. Skaf foi apoiador de Jair Bolsonaro.
Na semana passada, no entanto, eles lançaram uma nota
conjunta afirmando terem contornado as divergências. Hoje mesmo, Skaf
foi convidado a sentar na mesa ao lado de Josué Gomes e do ministro Fernando
Haddad.
Questionado sobre esse problema por jornalistas, o ministro respondeu apenas que não tem “detalhes sobre o problema interno que a Fiesp viveu”.
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