Mercadante toma posse no BNDES e faz discurso em defesa da democracia
Cerimônia no Rio teve presença de Lula e Geraldo Alckmin
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, disse que lutou muito pela democratização do Brasil e que assume o cargo em um momento desafiador para o país, que sofreu a ameaça mais grave do Estado Democrático de Direito desde o fim da ditadura militar.
Ao
tomar posse nesta segunda-feira (6), na sede do banco, no Rio de Janeiro,
Mercadante afirmou que o respeito à soberania do voto, às instituições
democráticas e à Constituição brasileira “é uma exigência fundamental para
a nova diretoria do BNDES e para toda a sociedade brasileira e, desta vez
presidente, sem anistia”, dirigindo-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
presente à cerimônia.
Mercadante destacou
o papel do presidente na garantia da democracia no país. “Só a sua história, a
qualidade dos seus governos, o seu compromisso com o país e a sua capacidade de
construir alianças poderiam derrotar o autoritarismo e retrocessos que
ameaçavam devastar conquistas civilizatórias do povo brasileiro”, disse,
comentando ainda a "escolha acertada" de Geraldo Alckmin, também
presente à posse, para a Vice-Presidência da República. “Uma escolha
improvável e imprescindível, que reuniu duas experiências complementares para
vitória eleitoral e para a união e reconstrução do Brasil”, destacou.
De acordo com
Mercadante, quando o presidente Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto para
este terceiro mandato, não estava sozinho. “A mesma rampa que seria uma semana
depois barbaramente violentada pelos golpistas ele não subiu sozinho. Com
ele, subiu a mãe desesperada sem ter o que dar de comer aos seus filhos. Com
ele subiram 33 milhões de brasileiros que passam fome e os 10 milhões de
desempregados. Com Lula subiram também dezenas de milhões de trabalhadores que
não têm direito a salários dignos. Com ele, subiram negros e negras do Brasil,
as vítimas do racismo estrutural profundo que massacra a vida e sonhos",
disse.
"Com ele,
subiram as mulheres do Brasil, vítimas de feminicídio e aquelas que ganham uma
fração dos salários dos homens para fazer o mesmo trabalho. Com Lula, subiram
os parentes e os amigos das 700 mil vítimas de covid abandonados por um governo
negacionista. Com Lula, subiram Raoni e todos os yanomami esquálidos e doentes,
vítimas apavorantes do governo genocida. Com ele subiram a rampa o poder e
sonhos e anseios de todas e todos, pois são eles que estão aqui agora. Basta
enxergar quem era invisível, basta ouvir as vozes que não eram escutadas. Lula
são muitos e Lula são milhões”, completou.
BNDES
Segundo Mercadante,
o BNDES é o maior banco de desenvolvimento das Américas e esteve na linha de
frente para viabilizar financiamentos de longo prazo nos grandes ciclos de
desenvolvimento do país. Entre os casos de sucesso, ele citou a fabricante de
aviões Embraer. “Apenas oito países do mundo têm capacidade
tecnológica para produzir aeronaves e o Brasil é um deles. Hoje a Embraer é uma
história de sucesso do talento brasileiro que contou, em 125 anos, com R$
25 bilhões em financiamento do BNDES para a exportação de 1.275 aviões para
inúmeros países”, ressaltou, completando que o banco tem que ter visão
estratégica.
Exportação
O planejamento da
nova gestão da instituição inclui apoio às exportações. De acordo com
Mercadante, o Brasil não pode ficar restrito a exportação de produtos
agrícolas, da qual é um grande expoente. “Noventa e oito por cento do mercado
existente no mundo está fora do Brasil. Para sermos competitivos, as empresas
brasileiras precisam disputar este mercado e ganhar escala, competitividade e
eficiência. Essa é uma pauta fundamental para o futuro do BNDES, da indústria e
do Brasil. Como tem dito o ministro [do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços] Alckmin, sempre cobrando na nossa gestão, nós precisamos exportar”,
concluiu.
Na visão de
Mercadante, o BNDES deve apoiar o pré e o pós-embarque das exportações de
bens e produtos. “Na verdade, presidente, nós estamos desenvolvendo um projeto
para a constituição de um Eximbank [banco financiador de exportações] no Brasil
no BNDES, a exemplo que já existe nas principais economias do mundo”, revelou.
A nova gestão,
segundo o presidente do banco, vai apoiar com mais determinação o crescimento e
a modernização das micro, pequenas e médias empresas, que são grandes geradoras
de emprego e renda. “O grande desafio do sucesso da agenda das micro, pequenas
e médias empresas será em parceria com o Congresso Nacional e o Ministério de
Ciência, Tecnologia e Nivação. Debateremos para ajustar a taxa de longo prazo,
a TLP, que o BNDES utiliza hoje”, comentou.
Meio ambiente
Mercadante defendeu
ainda uma mudança radical no sistema econômico e financeiro para enfrentar a
emergência climática e social, sem a qual o planeta não tem chance de
sobreviver e prosperar. “Estamos muito perto de uma catástrofe ambiental sem
retorno, e a tragédia social está por toda parte”, disse, ao
acrescentar que o BNDES precisa apoiar a economia de baixo carbono.
“Transitar para uma
economia de baixo carbono com empregos verdes e de baixa emissão é um
imperativo que orientará a estratégia do banco, mas precisamos fazer mais. Não
existirá futuro sem preservar a Amazônia e outros biomas. Essa será uma prioridade
do BNDES para o futuro”, disse.
O vice-presidente e
ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo
Alckmin, disse que o Brasil vive um otimismo porque voltou a ter representação
mundial e “é a bola da vez”, com a eleição de Lula, que, durante toda a
campanha eleitoral, defendeu a estabilidade, previsibilidade, credibilidade e
“democracia sempre, ditadura nunca mais”. Alckmin destacou ainda que o diálogo
entre os Poderes da República e os três níveis de governo também contribuem
para esse momento do país. “Traz segurança jurídica fundamental para o
investimento no nosso país. Aliás, a eleição do presidente da Câmara e
do presidente do Senado traduz esses momentos onde a base do governo
foi fundamental e o diálogo construiu as duas eleições”, contou.
Na visão de Alckmin, as eleições nas duas casas serão importantes para o andamento da reforma tributária. “Ambos os presidentes se comprometeram em acelerar o encaminhamento da reforma tributária fundamental, essencial para o florescimento da indústria e eficiência econômica”, afirmou.
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