FAB reabre espaço aéreo em RR para saída espontânea de garimpeiros
Objetivo é facilitar saída de invasores de Terra Indígena
Objetivo é facilitar saída de invasores de Terra Indígena
A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou a reabertura parcial do espaço aéreo sobre a Terra Indígena Yanomami, em Roraima, para permitir a saída coordenada e espontânea de garimpeiros que atuam ilegalmente na região.
A medida começou a vigorar nesta
segunda-feira (6) e vai durar uma semana, seguindo até a próxima segunda-feira
(13). Segundo a FAB, foram criados três corredores aéreos. As aeronaves terão
autorização de voo desde que se mantenham dentro dos limites laterais e
verticais estabelecidos.
As novas regras foram
normatizadas pela FAB por meio de Notam, sigla em inglês para Notice to Air
Missions, que informa a comunidade aeronáutica sobre a operação.
"A alteração
na Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA) acrescenta, ainda, que as
aeronaves que decolarem de localidades distantes desses corredores devem voar
perpendicularmente até ingresso em um deles, para após prosseguirem em seu voo.
Os corredores são de seis milhas náuticas (NM) de largura, o que equivale a
cerca de 11 quilômetros", informou a FAB.
Setores de
inteligência do governo federal e o próprio movimento indígena identificaram a
fuga de garimpeiros da terra indígena nos últimos dias por terra
e por via fluvial. Como a principal forma de acesso ao território é por via
aérea, a reabertura para os voos deve acelerar a saída dos invasores.
As aeronaves que
descumprirem as regras estabelecidas nas áreas determinadas pela Força Aérea
estarão sujeitas às Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA), que vão
desde a identificação da aeronave, pedidos de mudança de rota e pouso
obrigatório até tiros de advertência e os chamados tiros de detenção, que são
disparos com a finalidade de provocar danos e impedir o prosseguimento do voo
da aeronave transgressora.
O bloqueio do
espaço aéreo sobre a terra indígena começou a vigorar no início da semana
passada, após a edição de um decreto presidencial.
Garimpeiros
Representantes dos
garimpeiros comemoraram a medida, que vai facilitar uma resolução da crise com
menor possibilidade de conflitos. A reabertura do espaço aéreo na área Yanomami
era uma demanda do segmento.
"Entendemos
que o governo está sendo sensível à crise. É um momento de pânico para milhares
de garimpeiros que pretendem, voluntariamente, deixar a área. Pedimos, fizemos
a mobilização da forma que se poderia fazer para ajudar, para que não houvesse
conflitos", afirmou o coordenador de articulação política do Movimento
Garimpo é Legal, Jailson Mesquita.
Segundo Mesquita, também é preciso manter as vias fluviais abertas para que os garimpeiros que estão de canoa e outras embarcações possam também deixar o território. "Quem ficou para trás foram os menos favorecidos, quem não tinha dinheiro, quem não tinha condição. Agora, vamos ver essa retirada aí, mas já é um passo, um importante passo", disse.
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