Governo instala comissão para zerar desmatamento no Brasil até 2030
Ministérios querem juntos reduzir emissões de gases de efeito estufa
Ministérios querem juntos reduzir emissões de gases de efeito estufa
Zerar o desmatamento em todos os biomas brasileiros até
2030. Esse é o objetivo da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e
Controle do Desmatamento e Queimadas no Brasil (PPCD), que se reuniu pela
primeira vez nesta quarta-feira (8). O esforço interministerial
também busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa e gerar renda e
qualidade de vida para a população que vive e se relaciona com a floresta.
"O presidente Lula estabeleceu desmatamento zero até
2030, mas com a estratégia de combater as atividades ilegais, apoiando as
atividades produtivas sustentáveis, investindo na bioeconomia, no baixo
carbono, no desenvolvimento sustentável, na ciência e tecnologia, na inovação,
para que o Brasil possa ao mesmo tempo combater as atrocidades como estamos
vendo agora na Terra Indígena Yanomami e sabemos que também existem em relação
aos Caiapós, Mundurucus e outros povos indígenas", explicou a ministra do
Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
Com plano para os próximos sete anos, a ministra evitou
estipular uma meta para o desmatamento já no primeiro ano de governo. Segundo
Marina Silva, parte da degradação foi causada por um período de vácuo de
políticas ambientais.
“Nós já temos um desmatamento, que vem do outro governo, de
mais de 6 mil quilômetros quadrados (km²), isso é o que vem do governo do
presidente Bolsonaro. A partir de janeiro de 2023, [o desmatamento] é
da nossa responsabilidade. mas há uma taxa de desmatamento já acumulada do
governo anterior e nós vamos fazer de tudo para que essa curva possa baixar”,
assegurou.
Nas atividades da primeira reunião, estão a definição da
estrutura do programa, como os subgrupos, que serão divididos por biomas. A
agenda de trabalho prevê prazos para entrega dos planos de ação para cada
bioma: os primeiros 45 dias para a Amazônia, os 90 dias subsequentes para o
Cerrado e depois Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. A meta
é ter todos os planos setoriais já em implementação até agosto.
O PPCD vai integrar ações de 19 ministérios e será presidido
pelo ministro Ruy Costa, da Casa Civil. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança
do Clima será responsável pela secretaria executiva da Comissão
Interministerial Permanente de Prevenção e Controle do Desmatamento. Também
participam Agricultura e Pecuária; Ciência, Tecnologia e Inovação; Justiça e
Segurança Pública; Integração e do Desenvolvimento Regional; Relações
Exteriores; Defesa, Fazenda, Planejamento e Orçamento; Minas e Energia;
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Pesca e Aquicultura; Trabalho e
Emprego; Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
Transportes; Povos Indígenas; Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.
Yanomami
De acordo com Marina Silva, o governo federal está atuando
para evitar o retorno da atuação de garimpos ilegais no país com a instituição
de bases fixas em locais vulneráveis. Segundo a ministra, deve haver uma
presença constante do Estado para evitar o retorno de atividades ilegais.
“O que nós estamos fazendo é um processo de desintrusão
estruturada. Não é mais aquela sazonal, em que os garimpeiros têm seus
equipamentos confiscados ou destruídos, saem por um período, se escondem na
floresta e depois retornam”, explicou. “Nesse momento, Ibama junto com Polícia
Federal, Ministério da Defesa, com a Funai estão montando bases que ficarão
para não permitir o retorno [dos garimpeiros]. Estamos tomando providências
estruturadas para que não haja o transbordo, que é a saída da Terra Yanomami e
se alojar em outras áreas igualmente vulneráveis. Esse é um trabalho difícil e
complexo”, completou.
Ontem (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou
que há 840 pistas de voo clandestinas, das quais 75 são perto de terras
Yanomami. “Não é possível não enxergar isso. Quem permitiu isso, tem que ser
responsabilizado”, disse Lula.
Segundo o presidente da República, o controle das terras
indígenas será reestruturado com a participação de prefeitos e governadores.
Lula afirmou ainda que o governo não permitirá garimpo em terras indígenas.
“Não vamos permitir garimpo ilegal em terras indígenas. Estamos em um processo de retirada de garimpeiros ilegais em Roraima. A situação que se encontram os Yanomami perto do garimpo é degradante. Precisamos apurar também a responsabilidade do que aconteceu”.
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