Justiça Eleitoral no Rio torna Crivella réu por corrupção e caixa 2
Juiz determinou prazo de 10 dias para defesa
Juiz determinou prazo de 10 dias para defesa
A Justiça Eleitoral aceitou denúncia do Ministério Público
Eleitoral (MPE) no Rio de Janeiro e tornou réu o ex-prefeito do
Rio e atual deputado federal (Republicanos) Marcelo Crivella pela
acusação de falsidade ideológica eleitoral, conhecida como prática de caixa 2,
além de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A decisão se estende a 25 pessoas envolvidas no caso -
chamado de QG da Propina - porque, segundo investigação, as
negociações de cobranças financeiras, em troca de serviços na prefeitura do
Rio, eram feitas dentro de instalações municipais.
Na decisão, o juiz Marcel Laguna Duque Estrada, da 16ª Zona
Eleitoral do Rio, determinou o prazo de 10 dias para os réus responderam à
acusação, por escrito, por meio de advogado ou defensor público. “Na
oportunidade, poderão arguir preliminares e alegar o que interessar à sua
defesa, bem como oferecer documentos, especificar as provas pretendidas e
arrolar testemunhas, qualificando-as e informando seus respectivos endereços.
Na falta dos endereços e qualificações das testemunhas, o juízo entenderá que
estas comparecerão à audiência independentemente de intimação judicial.”
Na denúncia, os promotores indicam que Crivella teria
recebido valores financeiros não contabilizados por outros denunciados. Um
deles seria homem de confiança do ex-prefeito, outro o operador
financeiro e ainda o marqueteiro da campanha do então candidato.
Prisão
No dia 22 de dezembro de 2020, a poucos dias do
término de seu mandato, Crivella foi preso, apontado como chefe de
organização criminosa. No mesmo dia, o então subprocurador geral de Justiça do
Rio de Janeiro, Ricardo Ribeiro Martins, disse que a organização
criminosa que atuava na prefeitura do Rio conseguiu arrecadar R$
50 milhões em propinas, pagas por empresas de fachada, que apresentavam notas
fiscais por meio do sistema de restos a pagar do orçamento do município.
Conforme Martins, além dos crimes de organização
criminosa e lavagem de dinheiro, o esquema contava com corrupção
ativa por parte de empresários e passiva, por políticos. “Ocorreu em
diversas ocasiões com os pagamentos mensais”, indicou, naquele momento, durante
entrevista coletiva no Ministério Público no Rio de Janeiro.
A prisão foi expedida pela desembargadora Rosa Helena Penna
Macedo Guita, que acatou o pedido, pelo MPRJ, de afastamento de
Marcelo Crivella do cargo de prefeito.
Resposta
A defesa do deputado federal contestou a decisão. “Conforme o próprio Ministério Público Eleitoral afirmou há dois anos, não há nenhuma prova contra o ex-prefeito que justifique um processo criminal. Sendo assim, a defesa acredita que o arquivamento deve ser mantido”, afirmou em nota.
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