Até 2,5 milhões podem ter glaucoma no Brasil, diz sociedade médica
Simpósio internacional vai elaborar proposta de tratamento
Simpósio internacional vai elaborar proposta de tratamento
Apontado como
principal causador de cegueiras irreversíveis, o glaucoma é um mal silencioso
que pode afetar até 2,5 milhões de pessoas com mais de 40 anos no Brasil,
segundo a Sociedade Brasileira do Glaucoma (SBG).
O mais preocupante,
segundo o oftalmologista Roberto Galvão Filho, presidente da SBG, é que 70%
dessas pessoas não sabem que sofrem com a doença, que pode ser definida como
uma elevação da pressão intraocular que danifica o nervo óptico.
"Dispomos dos
melhores diagnósticos e tratamentos do mundo no Brasil. A dificuldade que a
gente tem é que o paciente com o glaucoma chegue até nós. O glaucoma não dói e,
na maioria das vezes, não tem nenhum sintoma. O defeito que o glaucoma causa
começa na periferia visual para depois ir para o centro, então, o paciente não
percebe que está perdendo a visão. Quando ele percebe que tem alguma coisa
errada, até 60% do nervo ótico já foi destruído".
A dificuldade de se
comunicar com a população para alertar sobre os riscos do glaucoma e novas
formas de tratamento estão entre os temas que a SBG vai discutir no 20º
Simpósio Internacional, que acontece de 9 a 11 de março, em Porto de Galinhas,
na Bahia. Cerca de 500 especialistas devem participar.
"Para a gente
tratar bem, a gente tem que saber onde está o glaucoma, que tipo de glaucoma
atinge mais o brasileiro e em que faixa etária ele é mais severo. A gente
precisa fazer essas avaliações e definir qual é o melhor tipo de tratamento que
a gente deve fazer em cada região do país".
Galvão adianta que
um dos objetivos do encontro é elaborar uma proposta de tratamento para ser
encaminhada a secretarias de saúde e ao governo federal. "Vai ter região
do país em que é mais eficiente o tratamento com colírio. Vai ter região em que
é melhor o tratamento com laser. E vai ter região em que são os dois. A gente
vai ter um dia de reunião para conversar sobre isso e tentar criar uma proposta
de tratamento que seja a melhor possível para o Brasil".
Fatores de risco
O médico alerta que
é preciso estar atento a fatores de risco para o glaucoma – o principal deles é
haver histórico na família. Ele afirma que a doença é mais incidente em pessoas
negras e afrodescendentes, pessoas com diabetes e hipertensão, com miopia, e
usuários de remédios à base de corticóide.
"Independentemente
de qualquer coisa, o ideal é ir ao oftalmologista uma vez ao ano. E, no
consultório, a gente consegue detectar o glaucoma em fases mais precoces,
quando é mais fácil tratar".
Os tratamentos do
glaucoma em fase inicial, com colírio ou laser, tem por objetivo baixar a
pressão no olho e mantê-la sob controle lentamente. Quando a doença está mais
avançada, muitas vezes é preciso uma intervenção cirúrgica para baixar a
pressão de forma mais abrupta.
"A maioria dos pacientes com glaucoma são idosos, embora possa aparecer em qualquer idade, desde bebês. Ele começa a ser mais comum a partir dos 40, e tem seu pico de incidência entre os 60 e 70 anos".
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