Justiça manda prender Alberto Youssef
Segundo juiz, doleiro não devolveu todos os valores desviados
Segundo juiz, doleiro não devolveu todos os valores desviados
A Justiça Federal determinou nesta segunda-feira (20) a
prisão do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Operação Lava Jato. A
decisão foi assinada pelo juiz Eduardo Fernando Apoio, da 13ª Vara Federal em
Curitiba, responsável pelo julgamento dos processos oriundos da investigação.
A decisão do magistrado levou em conta informações prestadas
pela Receita Federal sobre o patrimônio do doleiro. De acordo com a decisão,
Youssef não devolveu aos cofres públicos todos os valores desviados e possui
vida incompatível com a “situação da imensa maioria dos cidadãos brasileiros”.
Segundo a Receita, ele tentou ainda comprar um helicóptero e um avião.
Além disso, o juiz escreveu na decisão que o principal
personagem da Lava Jato mantém diversos endereços e que “estaria morando na
praia”.
“Note-se que no acordo de delação, o ora investigado ficou
obrigado a devolver apenas uma pequena parte de seu vasto patrimônio (devolver
R$ 1.893,00), além de bens imóveis de difícil alienação. Ora, a própria Receita
Federal denuncia que o investigado teria se apropriado de valores muito
superiores aos valores acordados”, disse o juiz.
Eduardo Apoio também entendeu que o acordo de delação
firmado com a Lava Jato não abrange as novas acusações. “O acordo firmado entre
os advogados de Alberto Youssef e a força tarefa do MPF de Curitiba não
abrange, na minha interpretação, o presente procedimento, na medida em que
seria uma carta em branco genérica que envolveria toda e qualquer investigação
criminal, inclusive de crimes que sequer foram descobertos na data da
assinatura do acordo”, concluiu.
Youssef foi preso em Itapoá, norte de Santa Catarina, e será
levado para Curitiba para passar por uma audiência de custódia. O doleiro
responde a 28 processos na Lava Jato. Conforme as regras dos acordos de
delação, 13 deles foram suspensos pelo prazo de dez anos. As penas somam mais
de 32 anos de reclusão.
A reportagem tentou contato com a defesa de Youssef, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
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