Lula mantém agenda interna no Alvorada até pelo menos quarta-feira
Presidente foi diagnosticado com pneumonia e cancelou viagem à China
Presidente foi diagnosticado com pneumonia e cancelou viagem à China
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve manter agendas
internas no Palácio da Alvorada até, pelo menos, quarta-feira (29). Segundo o
ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o presidente está
muito bem e tem uma evolução positiva no seu estado de saúde.
No último dia 23, o presidente passou por exames no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, e teve diagnóstico de broncopneumonia bacteriana e viral por Influenza A. Por orientação médica, Lula cancelou a viagem que faria à China nesta semana.
Ontem, ele foi avaliado pela médica Ana Helena
Germoglio, do serviço médico da Presidência, que, junto com o médico Roberto
Kalil, comanda o tratamento do presidente.
“Ele deve receber mais ministros. A
recomendação médica é que se mantenha aqui porque melhora a reabilitação e
também reduz a exposição”, disse Padilha, ao deixar o Palácio da Alvorada, após
reunião com o presidente nesta manhã.
Nesta semana, ocorre em Brasília a Marcha dos Prefeitos e o
vice-presidente Geraldo Alckmin representará o governo federal, como estava
programado, já que Lula estaria na China.
Segundo Padilha, ainda não há nova data para a viagem, mas
há “muito interesse do governo chinês em receber o presidente”. Ele viajaria no
domingo (26) com a pauta de ampliar as relações comerciais entre os dois
países. A previsão do Ministério das Relações Exteriores é que pelo menos 20
acordos comerciais seriam assinados durante a visita.
Na comitiva, estariam centenas de empresários, além de
governadores, senadores, deputados e ministros. Alexandre Padilha explicou
que as atividades empresariais foram mantidas. Muitos desses empresários já
estavam na China, especialmente do setor do agronegócio, acompanhando o
ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que cumpre agenda no país, em
antecedência à viagem de Lula.
Marco fiscal e MPs
A previsão era de que o Ministério da Fazenda entregasse
o novo marco fiscal que substituirá o teto de gastos, após o retorno da
China. Segundo Padilha, a data exata ainda não está definida, mas o governo vê
um ambiente muito positivo no Congresso Nacional para que a nova regra seja
debatida com qualidade e celeridade.
“É muito importante o país ter uma regra definida que
ultrapasse os governos, vá além do governo Lula, para garantir a sustentação de
investimentos no país”, disse.
Segundo o ministro das Relações Institucionais, também já
entrou em pauta o esforço concentrado do Congresso para votar 13 medidas provisórias
(MPs) do governo anterior. E, tão logo sejam apreciadas, as MPs do governo Lula
devem entrar no calendário de votação. Entre elas, estão a reestruturação do
governo federal, a recriação dos ministérios da Cultura e do Desenvolvimento
Agrário e a do novo Bolsa Família.
“O governo tem aprovado tudo aquilo que buscou votar, tem
mantido o calendário de votação”, disse Padilha. “E acredito que tenha
compromisso tanto dos presidentes das duas Casas [Câmara e Senado], quanto as
duas Casas, deputados e senadores, com o conteúdo das medidas provisórias. A
partir desse compromisso, vamos construir o calendário para que seja aprovado
no tempo adequado, para que esses programas possam ter continuidade no governo
federal”, completou.
Há mais de 50 dias os presidentes Arthur Lira e Rodrigo
Pacheco travam uma queda de braço sobre o rito de MPs. Na semana passada,
o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), decidiu que a análise de
medidas provisórias enviadas pelo governo Lula voltará a seguir o rito previsto
na Constituição Federal, ou seja, passarão pelas comissões mistas.
Tramitação
Desde 2020, para dar agilidade ao trabalho dos parlamentares
por causa da pandemia da covid-19, foi retirada a análise de MPs em comissões
mistas. Assim, as medidas provisórias passaram a ser analisadas diretamente no
plenário – primeiro na Câmara, por 90 dias, e depois no Senado, por 30 dias –,
permitida emendas.
A medida foi justificada, à época, como excepcionalíssima em razão das medidas emergenciais sanitárias. Com a decisão do presidente do Senado, as comissões mistas devem ter imediatamente os membros indicados pelos líderes de cada Casa. Em cada análise de MP, a presidência e a relatoria dos colegiados voltam a ser alternadas entre deputados e senadores.
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