Lula quer relançar parceria com China em mais de 20 acordos
Visita mobiliza empresários, ministros, governadores e parlamentares
Visita mobiliza empresários, ministros, governadores e parlamentares
O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva começa o que promete ser uma das mais importantes e
estratégicas viagens internacionais do seu terceiro mandato. Junto com uma
comitiva de empresários, governadores, deputados, senadores e ministros, o
líder brasileiro embarca na manhã desta terça-feira (11) para uma visita
de Estado à China, o maior parceiro comercial do Brasil.
A programação
oficial, que começa a partir de quarta-feira (12), se estende até sexta-feira
(14) nas cidades de Xangai e Pequim, respectivamente, e inclui desde encontros
de negócios até reuniões bilaterais com as principais autoridades do país
asiático. Entre elas, o presidente chinês, Xi Jinping.
Em sua última
entrevista antes do embarque, concedida ao programa A Voz do Brasil, Lula
destacou o propósito da viagem, que será uma espécie de relançamento das
relações com o país, que havia se esfriado nos últimos anos.
“Na China, nós
vamos consolidar nossa relação com a China, eu vou convidar o [presidente] Xi
Jinping para vi ao Brasil, conhecer o Brasil numa reunião bilateral, para
mostrar os projetos de interesse. O que nós queremos é construir parceria com
os chineses, fazer sociedade com os chineses, para que eles possam fazer
investimentos em coisas que não existem, uma nova rodovia, ferrovia, hidrelétrica,
uma coisa qualquer que signifique algo novo para o Brasil”, afirmou.
Em 2022, a China
importou mais de US$ 89,7 bilhões em produtos brasileiros, especialmente soja e
minérios, e exportou quase US$ 60,7 bilhões para o mercado nacional. O volume
comercializado, US$ 150,4 bilhões, cresceu 21 vezes desde a primeira visita de
Lula ao país, em 2004. Esta será a terceira viagem de Lula como presidente
brasileiro ao gigante asiático.
Lula deveria ter
feito essa viagem no fim do mês passado, mas um quadro de pneumonia o obrigou a
adiar o compromisso. A viagem à China é a quarta visita internacional de Lula
após a posse no cargo. O presidente já foi à Argentina, ao Uruguai e aos
Estados Unidos. Lula também recebeu, em Brasília, o primeiro-ministro da Alemanha,
Olaf Scholz, no fim de janeiro.
Acordos
Mesmo com o
adiamento da visita de Lula à China, parte da comitiva que chegou antes do
presidente conseguiu avançar em pendências importantes. Umas delas foi o
fim do embargo à venda de carne bovina brasileira após 29 dias de
suspensão. A decisão, segundo o Ministério da Agricultura, foi tomada após
reunião entre o ministro Carlos Fávaro e o ministro da Administração Geral da
Aduana Chinesa, Yu Jianhua, em Pequim, no dia 23 de março.
Com a presença de
Lula, a expectativa que mais de 20 acordos entre China e Brasil sejam
assinados. Um deles será para a construção do CBERS-6, o sexto de uma linha de
satélites construídos na parceria bilateral. De acordo com o governo
brasileiro, o diferencial do novo modelo é uma tecnologia que permite o
monitoramento de biomas como a Floresta Amazônica mesmo com nuvens.
Outro ponto que o
presidente quer discutir com Xi Jinping é a possibilidade de o país asiático
promover um diálogo com o presidente da Rússia, Vladmir Putin, pelo fim da
Guerra na Ucrânia. Em café da manhã com jornalistas, na última
quinta-feira (6), Lula já havia abordado a questão. “Nós não concordamos com a
invasão da Rússia à Ucrânia. Estou convencido que tanto a Ucrânia quanto a
Rússia estão esperando que alguém de fora fale: vamos sentar para conversar”.
Programação
Pela programação
divulgada, a visita da comitiva brasileira à China começa na quarta-feira, em
Xangai. Pela manhã, o presidente Lula participará da cerimônia de posse da
ex-presidenta Dilma Rousseff no comando do Novo Banco de Desenvolvimento, o
banco de fomento dos BRICS, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul. À tarde, ele terá encontros com empresários e à noite viajará
para Pequim.
Na sexta, a agenda
oficial na capital chinesa inclui uma reunião, pela manhã, com o presidente da
Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, no Grande Palácio do Povo. Depois, o
presidente depositará flores em uma cerimônia na Praça da Paz Celestial.
À tarde, Lula se
encontrará com lideranças sindicais e depois voltará ao Grande Palácio do Povo,
onde se reunirá com o primeiro-ministro da China, Li Qiang, e depois será
recebido em cerimônia oficial pelo presidente Xi Jinping. A programação terá um
encontro aberto, uma cerimônia para assinatura de acordos bilaterais e depois
um encontro bilateral fechado. Depois disso, haverá uma cerimônia de troca de
presentes, registro de fotos e, por fim, um jantar oficial.
No retorno ao
Brasil, o avião presidencial irá pousar em Abu Dhabi, capital dos Emirados
Árabes Unidos, para uma visita oficial no próximo sábado.
O ano de 2023
também marca cinquentenário do início das relações comerciais entre Brasil e
China. A primeira venda entre os dois países aconteceu em 1973, um ano antes do
estabelecimento das relações diplomáticas sino-brasileiras.
Em 2022, o produto
brasileiro mais vendido para o mercado chinês foi a soja, com 36% do total
exportado, seguido pelo minério de ferro com 20% e o petróleo com 18%. O perfil
da exportação mudou um pouco em janeiro e fevereiro de 2023, com o petróleo na
liderança com 23%, seguido pela soja (22%) e o minério de ferro (21%).
Comitiva
A delegação oficial
liderada por Lula inclui a presença de oito ministros: Fernando Haddad
(Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Carlos Fávaro
(Agricultura e Pecuária), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação),
Mauro Vieira (Relações Exteriores), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Paulo
Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Wellington Dias (Desenvolvimento e
Assistência Social). Além disso, estarão presentes os governadores Jerônimo
Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará), Carlos Brandão (Maranhão), Helder
Barbalho (Pará) e Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte).
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também integra a comitiva, que ainda reúne mais de 20 parlamentares, entre deputados federais e senadores.
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