Lula diz que vai escolher novo PGR com “mais critério”
Presidente não quer procurador que “faça denúncia falsa”
O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (1°), que a escolha do novo
procurador-geral da República será feita “com mais critério”. Para o
presidente, o cargo deve ser ocupado por “alguém que goste do Brasil, alguém
que não faça denúncia falsa”. Em setembro, termina o mandato de Augusto Aras à
frente da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a indicação do novo nome cabe
ao presidente do país.
“Eu vou escolher a
pessoa que eu achar que é a melhor para os interesses do Brasil, se der errado,
paciência, mas eu vou tentar escolher o melhor”, disse, durante o programa
semanal Conversa com o Presidente, transmitido pelo Canal Gov.
“Eu vou escolher com
mais critério, com mais pente fino, para não cometer um erro. Eu não quero
escolher alguém que seja amigo do Lula, eu quero escolher alguém que seja amigo
desse país, alguém que goste do Brasil, alguém que não faça denúncia falsa,
alguém que não levante falso sobre o outro.
Quem denuncia uma
denúncia falsa e depois não prova deveria pagar as custas do processo porque
assim a gente consegue fazer as pessoas serem mais honestas e decentes nas suas
decisões”, acrescentou o presidente.
Lula disse que
sempre teve “o mais profundo respeito pelo Ministério Público”, mas que a
atuação do órgão na Operação Lava Jato o fez perder a confiança. No âmbito da
operação, Lula foi investigado, condenado e preso, em abril de 2018. Em
março do ano passado, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações ao
entender que a 13ª Vara Federal em Curitiba (PR), sob comando do ex-juiz Sergio
Moro, não tinha competência legal para julgar as acusações.
Hoje, Lula citou a
atuação do então chefe da força-tarefa em Curitiba, o ex-procurador Deltan
Dallagnol, e disse que as decisões da Lava Jato visavam um projeto de poder e
levaram à eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Era uma das
instituições que eu idolatrava nesse país. Depois dessa quadrilha que o
Dallagnol montou, eu perdi muita confiança. Eu perdi porque é um bando de
aloprado, que acharam que poderiam tomar o poder, estavam atacando todo mundo
ao mesmo tempo, atacando o governo, o Poder Executivo, o Legislativo, a suprema
corte. Eles fizeram a sociedade brasileira refém durante muito tempo”, disse
Lula.
“Eu acho que, mais
grave do que a própria lei, foi o fato de que a sociedade brasileira ou uma
grande parcela dela foi cooptada pela mentira. Se estabeleceu uma espécie de
pacto, as quadrilhas, seja o Ministério Público, seja o juiz Moro, eles
convenceram a sociedade de que tal coisa era verdade e a sociedade embarcou
através do meio de comunicação”, argumentou o presidente na conversa desta
terça-feira com o jornalista Marcos Uchôa.
Para Lula, muitas
personalidades e empresas importantes para o país foram destruídas. “Você
poderia punir o diretor da empresa, mas não pune a empresa. Você causar quase 4
milhões de desempregos nesse país, quase que aniquilar a indústria de
engenharia, a indústria de óleo e gás, em benefício de quem? Não foi do povo
brasileiro. O resultado disso foi o maluco beleza [Jair Bolsonaro] que governou
esse país durante quatro anos, o resultado disso foi o fascismo nesse país”,
afirmou.
Lista tríplice
O presidente
destacou que ainda fará muitas conversas antes da escolha.
“Vou ouvir muita
gente, vou atrás de informações de pessoas que eu penso, vou discutir se é
homem ou se é mulher, se é negro, se é branco, tudo isso é um problema meu, que
está dentro da minha cabeça. E quando eu tiver o nome, eu indico”, disse.
No mês passado, a
Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) definiu a lista
tríplice que será enviada ao presidente para indicação ao cargo de
procurador-geral da República. Apesar da mobilização dos procuradores, Lula já
afirmou que não vai seguir, necessariamente, as sugestões de nomes para a
sucessão na procuradoria, como fez em seus dois primeiros governos.
De acordo com a
Constituição, o presidente da República não é obrigado a seguir a lista da
associação e pode escolher qualquer um dos subprocuradores em atividade para o
comando do órgão. A candidata mais votada foi a subprocuradora Luiza
Frischeisen, seguida de Mário Bonsaglia. Os dois já figuraram em listas
anteriores. Em terceiro ficou José Adonis Callou, ex-coordenador da Operação
Lava Jato na PGR.
A lista tríplice
foi criada em 2001 e é defendida pelos procuradores como um dos principais
instrumentos de autonomia da carreira. Entre 2003 e 2017, durante os governos
Lula e Dilma, o procurador-geral da República nomeado foi o mais votado na
lista tríplice.
Em 2017, o
ex-presidente Michel Temer indicou a procuradora Raquel Dodge, que, na ocasião,
foi a segunda colocada na votação. Em 2019, Jair Bolsonaro não seguiu a lista e
indicou Augusto Aras, que foi reconduzido ao cargo dois anos depois.
Após indicação do
presidente da República, o procurador-geral é sabatinado pela Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e precisa ter o nome aprovado pelo
plenário da Casa. Em seguida, a posse é marcada pela Procuradoria-Geral da
República.
Novo IBGE
Durante o programa
Conversa com o Presidente, Lula também comentou a indicação do professor e
pesquisador Márcio Pochmann para a presidência do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) e as críticas de que Pochmann poderia “manipular
dados a favor do governo”. Segundo o presidente, “não é aceitável as pessoas
tentarem criar uma imagem negativa de uma pessoa da qualificação do Márcio Pochmann”.
“É um dos grandes
intelectuais desse país, é um rapaz extremamente preparado. Eu escolhi porque
confio na capacidade intelectual dele, ele é um pesquisador exímio”, disse
Lula.
“Quem tem uma
história nesse país, como a que vocês me ajudaram a construir, não vai precisar
de manipular dados para poder fazer as coisas. Quanto mais verdadeiro forem os
dados, melhor para quem governa."
"Quem gosta de
dados mentirosos, caiu fora, quem gosta de mentira, de fake news caiu
fora. O que nós queremos são os dados do jeito que eles são, como foram
apurados, com a maior clareza, com a maior realidade”, acrescentou o
presidente.
Ainda de acordo com
Lula, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, já sabia, “há muito
tempo”, que Pochmann era o seu escolhido, mas ponderou que a troca no IBGE
fosse feita após o término do Censo Demográfico de 2022, prejudicado após
sucessivos adiamentos. “Fez o censo, terminou o censo, agora o Márcio Pochmann
vai tomar posse como presidente do IBGE”, afirmou.
O IBGE é
subordinado ao Ministério do Planejamento. Pochmann vai substituir o atual
presidente Cimar Azevedo, funcionário de carreira e ex-diretor de Pesquisas do
instituto que está de forma interina no cargo desde o início do ano.
Figura histórica
ligada ao Partido dos Trabalhadores, o professor e pesquisador presidiu o
Instituto Lula e a Fundação Perseu Abramo (fundação do PT voltada a elaboração
de estudos, debates e pesquisas). De 2007 a 2012, comandou o Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Pochmann é membro da corrente de economistas ligada à Universidade de Campinas (Unicamp), caracterizada pela defesa do desenvolvimentismo econômico e da indústria nacional. Ele acumula pesquisas nas áreas de desenvolvimento, políticas públicas e relações de trabalho.
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