Tratamento da AME tem mais efeito com diagnóstico precoce
Esta doença pode ser detectada pelo teste do Teste do Pezinho
Embora a atrofia muscular espinhal (AME) esteja relacionada na quinta etapa de implantação do novo número de doenças que podem ser detectadas pelo Teste do Pezinho, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), não há expectativa de quando ela será efetivada.
A Lei 14.154, de 26 de maio de 2021, estabeleceu a ampliação de seis para 50 o número das doenças que podem ser detectadas pelo Teste do Pezinho. A lei federal passou a vigorar em 27 de maio de 2022 e deu aos estados prazo de quatro anos para a incorporação das 50 doenças.
A neurofisiologista e neurologista Marcela Câmara Machado, membro da
Academia Brasileira de Neurologia (ABN), disse à Agência Brasil que
está se tentando sensibilizar os estados para que se mobilizem e acelerem a
implantação das novas doenças, “mas ainda não há previsão para que a AME seja
incorporada de fato ao Teste do Pezinho”.
No último mês de julho, o Senado Federal instituiu o dia 8
de agosto como Dia Nacional da Pessoa com Atrofia Muscular Espinhal. “O
objetivo desse teste é o diagnóstico precoce. Porque a gente já sabe que todas
as medicações por via terapia gênica, que é hoje a terapia mais cara do mundo,
têm muito mais efeito se a criança é ainda sem sintomas. Ou seja, a gente
diagnostica logo que ela nasce, antes de manifestar os sintomas, para ter uma
vida, senão normal, muito próxima do normal”, disse a especialista.
Estima-se que a incidência seja de uma pessoa com AME para
cada 10 mil nascidos. No Brasil, são muitas crianças com essa doença
considerada rara. Marcela informou que, na Bahia, são entre 7 e 8 crianças
nascidas com a doença, por ano. No Brasil, o número se aproxima de 50 a 60
novas crianças a cada ano. “É um número alto para uma doença tão complexa”. Já
de acordo com a Associação Brasileira de Amiotrofia Espinhal (Abrame), o país
tem hoje cerca de 300 novos casos de AME por ano.
Sem cura
A AME não tem cura. “Os tratamentos são para otimizar e dão
melhor resultado, se os diagnósticos são feitos precocemente. Mas ainda não tem
cura, apesar dessa terapia genética que se propõe a melhorar a função do
indivíduo, recompor a função que é perdida, do ponto de vista genético. A gente
não sabe, inclusive, se essa terapia genética terá de ser repetida na pessoa na
fase adulta, por exemplo. Não há ainda estudos para isso”, advertiu a
neurologista. O que se sabe, atualmente, é que quanto mais precoce a criança é
tratada, ela tem um desfecho melhor, destacou a médica.
De acordo com o Ministério da Saúde, a atrofia muscular
espinhal (AME) é uma doença rara, degenerativa, passada de pais para filhos e
que interfere na capacidade do corpo de produzir uma proteína essencial para a
sobrevivência dos neurônios motores, responsáveis pelos gestos voluntários
vitais simples do corpo, como respirar, engolir e se mover. “Os indivíduos
nascem com uma alteração genética que perde os neurônios, nervos responsáveis
pelos movimentos, que estão na região da medula”. A alteração genética faz com
que não haja produção de uma substância que deixa esse neurônio saudável.
Marcela Câmara Machado explicou que na fase um, a criança
tem uma perda completa desses neurônios, tem uma fraqueza progressiva que leva
a uma insuficiência respiratória. “E essa criança, se não tratada, falece até
um ano de vida. Ela precisa de ventilação. Se a gente der suporte ventilatório,
ela fica dependente de ventilação da parte respiratória durante toda a vida. No
estágio do tipo dois, a criança começa a ter sintomas entre seis meses e 18
meses. O tipo três é acima de 18 meses”. A criança começa uma fraqueza
progressiva a partir dessa idade. O desfecho não é mais ventilatório. “No tipo
dois, depois de seis meses, a criança não é capaz de andar; fica o tempo todo
na cadeira de rodas. Na fase da adolescência, ela tem necessidade de suporte
ventilatório. É uma doença muito grave, com impactos social, emocional,
psíquico muito grandes nas famílias e no paciente também”.
Medicações
No âmbito do SUS, há um medicamento denominado Spinraza.
Recentemente, foi incorporado outro remédio, chamado Risdiplam, mas os médicos
estão aguardando sua publicação e atualização do protocolo. “Como é uma
medicação oral, que depende de preparo de farmácia, os estados estão se
organizado para ver a questão de logística. Está para ser publicado”.
A terceira medicação é a terapia gênica (Zolgensma). A
Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde
(Conitec) já deu parecer favorável, mas o medicamento não foi ainda incorporado
pelo guia PCDT (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas). Essa terapia
foi liberada para crianças até seis meses de idade. “Mas se a gente não
consegue diagnosticar precocemente, não vai conseguir tratá-las com essa
terapia”, ressaltou a médica.
Coalizão
A engenheira Adriane Loper, criadora do Instituto Fernando,
em homenagem ao filho que morreu aos 9 anos de idade, em decorrência da doença,
e uma das líderes do Universo Coletivo AME, informou à Agência Brasil que
agosto é o Mês de Conscientização Mundial da AME. No dia 8 próximo, os membros
do Universo Coletivo farão um acendeiro de velas e publicarão fotos nas suas
redes sociais, “para manter viva a esperança de dias melhores”. O evento é uma
homenagem às crianças e jovens que morreram com atrofia espinhal. “Meu filho é
um deles”, destacou. As associações mundiais fazem o mesmo gesto. “Em função de
tudo isso, agosto é um mês bem especial para nós”.
As lideranças do movimento estão solicitando audiência com a
ministra da Saúde, Nísia Trindade, para argumentar em prol da aceleração da
incorporação da AME no Teste do Pezinho. Adriane afirmou que das 50 doenças
listadas e que estão à frente da AME, tem muitas que não têm tratamento e a
AME, segundo ela, não precisa de tecnologias que tenham que ser adquiridas. “É
uma questão de reagentes, mas não de tecnologias”, comentou.
Citou, ainda, que em congresso realizado este ano nos
Estados Unidos, foram apresentados casos de crianças que, em função da triagem
neo natal, feita nos últimos anos, tomaram medicação com oito dias de vida “e
estão andando, com todos os marcos motores normais”. O filho de Adriane,
Fernando, ficou nove anos em uma UTI. Ela defendeu que a AME seja incorporada
logo no Teste do Pezinho, para que outras crianças, como seu filho, tenham
direito à vida. Disse também que as crianças tratadas com diagnóstico precoce
representarão uma “economia gigante” para o Poder Público. Nos Estados Unidos,
conforme pesquisas apresentadas no congresso, os custos com tratamento precoce
da AME se tornaram sete vezes menores.
O Universo Coletivo AME é a maior coalizão no Brasil pela causa da atrofia muscular espinhal que, se não diagnosticada nos primeiros dias de vida, compromete o funcionamento do sistema nervoso motor e dos músculos de forma acelerada. O Coletivo foi fundado em 2019 pela união de cinco instituições que atuam há mais de 20 anos em diferentes regiões do país e são lideradas por mães que vivenciam a AME no dia a dia: Associação de Doenças Neuromusculares Donem), Instituto Viva Íris, Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (Iname), Instituto Fernando, e Associação Brasileira de Amiotrofia Espinhal (Abrame). O grupo atua no acolhimento, educação, conscientização e em ações voltadas para políticas públicas e visa acelerar a cobertura da AME no Teste do Pezinho, para que o diagnóstico seja precoce e, também, para garantir o acesso de todos os pacientes aos medicamentos disponíveis no SUS.
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