HBR contra o tempo
Presidente do HBR, Edson Milbratz, e Conselho Administrativo do hospital se junta aos poderes executivo e legislativo buscam forma de evitar o leilão
Presidente do HBR, Edson Milbratz, e Conselho Administrativo do hospital se junta aos poderes executivo e legislativo buscam forma de evitar o leilão
A notícia de que o Hospital Beatriz Ramos (HBR) de Indaial será leiloada pegou todos de surpresa nesta semana. O comunicado oficial foi feito nessa segunda-feira, dia 18 e, logo em seguida, vereadores, membros do Conselho Administrativo do hospital e do poder executivo de reuniram para buscar medidas que visem evitar essa venda.
A decisão, proferida pelo Desembargador Ogê Muniz do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), foi determinada pelo juiz Federal Leoberto Simão Schmitt Júnior, da 5ª Vara Federal de Blumenau.
“A justificativa para tal medida é que, hoje, há dívidas tributárias e fiscais que vêm desde 2010. Porém, esses impostos não foram pagos porque o dinheiro que quitaria os mesmos foi utilizado para custear os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), que estão sendo pagos pelo hospital”, esclarece o presidente do hospital, Edson Milbratz.
Repasse de R$ 0,63
Milbratz diz que hoje, perante a lei, todo cidadão tem direito a atendimento gratuito através do SUS, porém, o repasse feito não condiz com a realidade do investimento de cada atendimento.
“Hoje 93% dos atendimentos realizados no hospital é feito através do SUS. A União nos repassa R$ 0,63 para cada aplicação de medicamento e R$ 10,00 para cada atendimento realizado. Para ter ideia, esses dias atendemos a um paciente que precisava de um medicamento urgente. O valor desse remédio era de R$ 1.800,00, e nós o ganhamos do Governo do Estado. Mas ganhamos menos de R$ 1,00 para pagar o profissional médico que aplica essa injeção, então somos obrigados a tirar do nosso “bolso” para manter essa conta em dia”, exemplifica.
Segundo consta no documento de Execução Fiscal, assinado pelo Desembargador Muniz, as benfeitorias do HBR estão avaliadas em R$ 3.322.500,00, além do terreno, de 5 mil metros quadrados, avaliado em mais R$ 1.160.000,00 – ultrapassando um montante de R$ 4 milhões. Hoje, a dívida do hospital é de aproximadamente R$ 1.700.000,00.
Hospitais na UTI?
Diante desse cenário, a corrida contra o tempo agora é para encontrar uma forma de parcelar essa dívida gerando o menor impacto financeiro possível para o hospital.
“Realizamos duas reuniões nesta semana. A última, que aconteceu nessa terça-feira, dia 19, contou com a presença do prefeito André Moser, de um representante do poder legislativo e dos membros do conselho administrativo do HBR. Foi definido que iremos buscar uma forma de suspender o leilão. Somente em janeiro, mais de 4 mil pessoas foram atendidas aqui. Além disso, é um dos principais hospitais a receber vítimas de acidentes na BR-470. O HBR não pode fechar”, desabafa Milbratz.
Em entrevista concedida ao Jornal Café Impresso, ele revela que 90% dos hospitais filantrópicos do Brasil hoje estão na mesma situação que o HBR – em dívida com a União.
“A diferença é que não vemos esses outros hospitais indo a leilão. Por que isso? É a pergunta que faço e ninguém consegue responder. Fato é que o SUS está gerando um problema efeito cascata, justamente pelo fato de que há tanta gente necessitando do serviço e o governo federal não repassa um valor justo para manter esses atendimentos”, justifica o presidente.
Enquanto Indaial junta uma força-tarefa para impedir que essa venda aconteça, as datas do leilão permanecem marcadas para os dias 16 e 30 de abril e 14 e 28 de maio deste ano.
Prefeitura destina R$ 500 mil ao hospital
Nessa quarta-feira, dia 20, o prefeito de Indaial, André Moser, anunciou que o poder público irá cancelar a Festa de Instalação do Município de Indaial (Fimi), prevista para acontecer em março deste ano.
“Como estamos enfrentando diversos desafios na administração, sendo um deles o pagamento de mais de R$ 5 milhões de uma dívida que é das décadas de 80 e 90, não seria esses desafios do HBR que deixaríamos de enfrentar. Sabemos que o hospital não é administrado pela prefeitura, mas pela diretoria administrativa, porém, na condição de representante da população de Indaial digo que passamos, a partir desse momento, a liderar o processo de recuperação do único hospital da nossa cidade, tão importante para a comunidade”, comunicou.
Ontem, dia 21, Moser, juntamente com o jurídico e parte da diretoria administrativa do HBR foram até Florianópolis conversar com o secretário de Estado da Saúde a fim de buscar uma solução para resolver esse problema.
O dinheiro que seria investido na festa gira em torno de R$ 500 mil, que serão utilizados para a manutenção dos insumos e pagamento dos fornecedores e médicos do hospital. “Estamos liderando um processo de recuperação do hospital que também dependerá do envolvimento da sociedade, classe empresarial, poderes legislativo e executivo e do próprio hospital”, salienta.
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ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE