Santa Catarina alcança o maior valor de produção agropecuária da história
No ano passado, a agropecuária catarinense também bateu recorde de participação no valor de exportações do Estado: 70,2%
Estes e outros números fazem parte da 41ª edição da Síntese
Anual da Agricultura de Santa Catarina, publicação anual da Epagri/Cepa lançada
em evento virtual realizado nesta quarta-feira, 14. No evento também foi
lançado o livro Indicadores de Desempenho da Agropecuária e do Agronegócio de
Santa Catarina 2019/2020. As duas publicações trazem os resultados do mais
recente ciclo agrícola do Estado.
“O agronegócio é um dos motores mais importantes da nossa
economia. Os números refletem essa grandiosidade e mostram que o setor se
mantém forte e ativo, no mercado interno e também internacional, graças ao
empreendedorismo, à força dos trabalhadores do campo e à qualidade dos nossos
produtos”, afirma a governadora Daniela Reinehr.
A presidente da Epagri, Edilene Steinwandter, lembra que os
resultados positivos se deram apesar das adversidades que o agronegócio
catarinense enfrentou na safra 2019/20. O clima não ajudou, e estiagem, granizo
e até tornados afetaram cultivos pelo Estado. A pandemia foi outro empecilho
que agricultores e profissionais da Epagri precisaram contornar para seguir
garantindo segurança alimentar para a população brasileira.
O Secretário do Estado da Agricultura, da Pesca e do
Desenvolvimento Rural, Altair Silva, destaca que Santa Catarina tem um conjunto
de líderes com vocação natural para o agro, fazendo do Estado um sucesso no
setor, demonstrado nos números das publicações da Epagri/Cepa. “Temos trabalhado
fortemente com municípios e Epagri para impulsionar os fatores de produção do
Estado, como estradas rurais de qualidade, melhorias no fornecimento de energia
elétrica e de água e acesso à internet”.
VPA
O VPA de R$40,9 bilhões alcançado pelo Estado em 2020 é
21,1% superior ao de 2019, quando ficou em R$33,8 bilhões. Entre 2018 e o ano
seguinte, o índice já havia registrado variação positiva de 8,7%. O aumento nos
preços recebidos pelos produtores foi a principal razão do crescimento do VPA
estadual nos dois períodos, com destaque para suínos, bovinos, leite e grãos.
Para alcançar o VPA histórico em 2020, Santa Catarina contou
principalmente com a produção de suínos, que participou com 23% do total, de
frangos (17,5%) e de leite (11,9%). A Síntese aponta que nos últimos anos houve
grandes variações na composição do VPA catarinense, com ampliação da
participação de suínos, bovinos, soja e leite e perda de participação dos
frangos e do tabaco.
Exportações
Em 2020 o agronegócio catarinense exportou US$5,7 bilhões,
valor 6,7% menor do que em 2019 (US$6,1 bilhões). Apesar da redução no valor
total das suas exportações, o setor agropecuário seguiu a trajetória de
aumentar sua participação nas exportações de Santa Catarina, chegando a 2020
como responsável por mais de 70% do valor total exportado pelo Estado.
De 2019 para 2020 houve grande redução do valor das
exportações de carnes de frango e derivados (-32,2%), de tabaco e derivados
(-22,6%), de outras carnes e derivados (-19,5%) e de couros e peles (-18,4%). A
expressiva expansão no valor exportado de carne suína (+35,3%), de madeira e
suas obras (+15,4%) e de outros produtos de origem animal (+35,9%) não foi
suficiente para evitar a queda das exportações no ano.
Mesmo com a expressiva queda de 2019 para 2020, a carne de
frango segue destacadamente como principal produto das exportações do
agronegócio de Santa Catarina, representando 26,3% do valor exportado pelo
setor (já foi mais de 40%).
Confira abaixo o desempenho das principiais cadeias
produtivas do Estado na safra 2019/20 e algumas estimativas para o período
agrícola 2020/21.
Alho
Santa Catarina é o terceiro maior produtor de alho do país,
respondendo por 11,78% da produção nacional. Na safra 2019/20, a produção
catarinense foi de 16,4 mil toneladas, redução de 7,34% em relação ao ciclo
anterior. A safra 2019/20 foi afetada pela ocorrência de estiagem, mas mesmo
assim o volume produzido ficou dentro da média dos últimos anos, que tem
oscilado entre 15 e 20 mil toneladas.
A produção catarinense no ciclo mais recente foi de boa
qualidade comercial, apesar dos bulbos de menor calibre. Assim, os produtores
de alho do Estado obtiveram bons resultados econômicos na safra 2019/20. A
safra 20/21 está sendo colhida agora, com estimativa de produção de pouco mais
de 15,5 mil toneladas. Estiagem e granizo provocaram perdas.
A produção brasileira de alho permanece estacionada em torno
de 120 mil toneladas por safra, desde 2015. O consumo interno anual de alho
(produção nacional mais importação) se mantém acima de 280 mil toneladas. Esse
quadro mostra, por um lado, o potencial do mercado interno e, por outro, a
necessidade de superação de gargalos que afetam a cadeia produtiva da cultura
no país, entre os quais destaca-se a redução de custo de produção.
Arroz
A produção catarinense de arroz é a segunda maior do país,
chegando na safra 2019/20 a 1.254.139t, o que representa 11% do total nacional.
A produtividade média foi de 8,4 toneladas por hectare, o que representa um
incremento de aproximadamente 9% em relação ao período agrícola anterior.
O arroz irrigado é produzido em 93 municípios catarinense,
concentrados no Litoral Sul (61,9%), Médio/Baixo Vale do Itajaí e Litoral Norte
(25,2%), Alto Vale do Itajaí (9,04%) e Litoral Centro (3,9%). O grão ocupou o
oitavo lugar no VPA do Estado em 2020, com cerca de R$1,25 bilhão.
A alta do dólar fez da exportação uma boa alternativa para
os rizicultores catarinenses em 2020. De janeiro a outubro do ano passado Santa
Catarina exportou 47,9 mil toneladas, contra 6,1 mil toneladas exportadas em
2019. O mês de maior movimentação foi agosto. Este cereal é o alimento-base de
mais de 3 bilhões de pessoas no mundo.
Cebola
Santa Catarina é o maior produtor nacional de cebola,
cultivada basicamente por agricultores familiares, em pequenas áreas. Segundo o
Censo Agro 2017/IBGE, são 8.289 estabelecimentos agropecuários no Estado
dedicados à atividade. Na safra 2019, segundo dados da Epagri/Cepa, a produção
bruta colhida foi de 528.440 mil toneladas. A disponibilidade líquida para o
mercado foi de aproximadamente 430 mil toneladas.
A colheita da safra 2020/21 está ocorrendo normalmente, mas
perdas causadas pela estiagem e outros eventos climáticos devem derrubar a
produção em 25% em relação à safra anterior, finalizando em volume inferior a
400 mil toneladas.
A cebola é produzida em todos os continentes e está presente
em quase todos os países. A produção mundial se mantém acima de 94 milhões de
toneladas/ano desde 2014
Feijão
A cultura do feijão foi menos produtiva na safra catarinense
2019/20, com 101.295t. Problemas climáticos, como estiagem próxima da época de
colheita da primeira safra e durante toda segunda safra, reduziram o potencial
produtivo das lavouras, acarretando num volume cerca de 2% menor do que na
safra anterior.
Para a safra 2020/21, que está a campo, a expectativa é de
aumento da produção em Santa Catarina, com estimativa de alcançar 105.117t. O
bom momento por que passa o agronegócio brasileiro, com preços bastante
favoráveis ao setor produtivo, motivou os agricultores a investir na atividade.
O resultado foi a ampliação das áreas plantadas.
As últimas nove safras catarinenses de feijão enfrentaram
declínio sistemático da área plantada, com redução de aproximadamente 33%. Na
safra catarinense 2019/20, mais uma vez observou-se queda, desta vez de 3%. A
grande oscilação de preços nos últimos anos causa insegurança ao produtor na
tomada de decisão em relação ao que plantar e quanto plantar. Além disso, a
cultura é bastante suscetível às intempéries.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura (FAO), o Brasil é o maior consumidor per capita mundial de feijão,
com 16 kg/ habitante/ano em 2013. Em 2018 o Brasil ocupava a segunda posição
mundial em área plantada de feijão, sendo responsável por 8,8% do total.
Milho
Na safra 2019/20 Santa Catarina produziu 2.866.905t de
milho. Para a safra 2020/21 a estimativa de produção, que era de 2,3 milhões de
toneladas em dezembro, deve se reduzir em função da estiagem e da incidência da
cigarrinha-do-milho no início de 2021.
Nesse cenário, a relação entre oferta e demanda, que já não
é favorável, se agrava. A menor produção do grão se soma ao crescimento da
demanda provocada pela expectativa de aumento nas exportações de carnes. A Epagri/Cepa estima que Santa Catarina
precisará adquirir mais de 5 milhões de toneladas de milho em 2021.
Em 2020, a demanda total de milho grão em SC chegou a 7,37
milhões de toneladas, um incremento de 2% em relação ao ano anterior. Com a
oferta de 2,58 milhões de toneladas, houve um déficit de 4,36 milhões de
toneladas, atendido pelas importações interestaduais, principalmente de Mato
Grosso do Sul e Paraná, bem como pela importação de países como Paraguai e
Argentina.
A falta de produção para atender toda a demanda tem como
reflexo o aumento do custo do produto, principalmente em função do transporte.
Mercado futuro, câmbio, relações comerciais entre países e fundos de
investimentos estão entre os outros fatores que vêm influenciando a formação
dos preços do grão, que se mantiveram altos em 2020. As cotações de 2021, tanto
internas como no mercado internacional, demonstram a manutenção de preços fortalecidos.
Soja
A Epagri/Cepa estima que as lavouras catarinenses produziram
2,24 milhões de toneladas de soja em 2020. Para a safra 2020/2021 a expectativa
é de produzir 2.308.070t. O crescimento é impulsionado pelo aumento da área
plantada.
Entre as safras de 2012/13 e 2019/20, foram incorporados
cerca de 167 mil hectares para a produção da oleaginosa e a elevação da
produção chegou próximo de um milhão de toneladas no período, avançando sobre
áreas de milho, feijão e pastagens. Na safra 2020/21 o cultivo da soja deve
ocupar uma área próxima a 700 mil hectares no Estado.
O Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se consolidou como
o maior exportador de soja nos últimos anos. Na safra 2018/19 embarcou 74,9
milhões de toneladas, enquanto as exportações americanas registraram 47,5
milhões. A China, maior comprador mundial, intensificou as compras do produto
brasileiro já no início de 2020. As exportações brasileiras de soja tiveram uma
evolução superior a 250% de 2012 a 2020.
Tabaco
No território catarinense, segundo a Epagri/Cepa, a
estimativa para a área plantada de tabaco na safra 2020/21 praticamente se
manteve em relação à safra anterior, com apenas 0,4% de aumento. Em sentido
oposto, estima-se uma redução de 5,6% na safra em relação à anterior. A explicação
para essa estimativa de queda na produção se relaciona à redução observada no
rendimento da atual safra (-6,1%), em decorrência de eventos climáticos, como
estiagem e granizo.
Entre 2013 e 2020 Santa Catarina observou uma taxa de
crescimento negativa da área plantada (-3,7% ao ano) e da produção (-2,4% ao
ano). A menor taxa de queda da produção, quando comparada ao declínio da área
plantada, decorre do aumento do rendimento do tabaco, ocorrido no mesmo
período.
O Brasil mantém a posição de liderança mundial de exportação
de tabaco por 27 anos seguidos, sendo responsável por 22% do total mundial em
2019. Em segundo lugar, com aproximadamente 9%, está a Bélgica. A maior parte da produção brasileira tem como
destino o mercado internacional, entre outros motivos em decorrência de sua
qualidade
Tomate
Segundo estimativas da Epagri/Cepa, Santa Catarina deve
produzir 149,4 mil toneladas de tomate na safra 2020/21, contra 139,9 mil
toneladas produzidas em 2019/20.
Santa Catarina é o sétimo maior produtor de tomate no
Brasil. Contribuiu, segundo dados da PAM/IBGE de 2019, com 4,5% da área total
plantada e 4% da produção total nacional. Os municípios de Caçador e Lebon
Régis são os maiores produtores do Estado, com o plantio de 450ha e 400ha,
respectivamente, na safra de 2019/20.
A China lidera o ranking das produções mundiais de tomate,
considerando a soma do produto de mesa e processado, alcançando uma
participação de 31% do total mundial, conforme a FAO. O Brasil se posiciona em
décimo lugar no ranking das produções mundiais. O tomate possui um dos maiores
custos de produção do segmento olerícola.
Trigo
É o terceiro grão mais produzido do mundo, atrás do milho e
do arroz. Na safra 2019/20 Santa Catarina produziu 154.774t e para este período
agrícola espera-se 188.490t. No ciclo agrícola 2019/20, foi cultivada no Estado
uma área de aproximadamente 50,8 mil hectares, o que representa uma redução de
5,8% em relação à safra anterior. Mesmo com redução da área, a produção
estadual cresceu 13,8%, resultado do incremento de 20,8% na produtividade média
das lavouras. Para a safra 2020/21, é esperado um plantio de 64,5 mil hectares,
o que representaria um crescimento de 26,9% em relação a 2019/20.
Uma característica importante dos produtores catarinenses é
que o trigo é plantado em sucessão às culturas de verão, como milho e soja.
Assim, propicia a rotação de culturas e formação de palhada para plantio das
culturas de verão, condição de uso das áreas produtivas que permite um maior
aproveitamento econômico dos fatores de produção, como o solo, agrícola da
propriedade, da mão de obra e do maquinário. Praticamente todo o trigo
produzido em Santa Catarina é transformado em farinha. Boa parte é consumida
dentro do próprio Estado, direcionada para o setor de confeitaria e panificação
ou para o uso doméstico. Em 2020, o trigo bateu recordes no preço pago aos
produtores
Uva e vinho
Santa Catarina é o quarto maior produtor de uva do Brasil,
com 55,1 mil t em 2019. Os dados catarinenses de 2020 estão desatualizados,
devido ao sistema de declaração realizado pelas empresas, que é novo e se
encontra em fase de adaptação. A safra em Santa Catarina apresentou elevada
qualidade, como no Rio Grande do Sul, com uvas sadias, pouca podridão e
elevadas concentrações de sólidos solúveis.
A produção de vinhos de mesa e sucos predomina no Estado
catarinense. Porém, houve incremento na produção de vinhos finos nas regiões de
altitude, o que está relacionado à tendência de aumento de consumo no Brasil. É
relevante, também, o aumento na produção de vinhos espumantes, o que acompanha
a evolução de consumo em todo o país. Verifica-se, ainda, importante aumento na
produção de suco de uva e sua relação inversa com a produção de vinhos de mesa.
O maior processador de uvas de Santa Catarina é o município
de Pinheiro Preto, com mais de 12 milhões de litros e uma participação de
58,7%. Videira está em segundo lugar, com 14,5%.
A safra brasileira 2020 foi, em volume, menor que a safra
2019, com uma queda de 18,2 % na produção geral de uvas. Contudo, a qualidade foi
muito superior. O Rio Grande do Sul se destaca, representando cerca de 65% da
área plantada e 47% da produção do país, em 2019
Carne bovina
Segundo dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento
Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), em 31 de dezembro de 2020 o rebanho bovino
catarinense era constituído por 4,51 milhões de cabeças, 3,91% abaixo da
quantidade registrada no ano anterior. Dentre outros fatores, essa queda tem
relação com a significativa alta nos preços do boi gordo observada em 2020, principalmente
ao longo do 2º semestre, o que estimulou o aumento no abate. No ano passado
Santa Catarina abateu 827.794 cabeças de gado, contra 750.666 em 2019.
A mesorregião Oeste Catarinense (microrregiões de Chapecó,
Joaçaba, São Miguel do Oeste, Xanxerê e Concórdia) foi responsável por 52,31%
dos bovinos produzidos no ano de 2020, levando-se em consideração o abate
inspecionado, o autoconsumo e o comércio interestadual. Quando são
contabilizados somente os animais abatidos em estabelecimentos inspecionados, o
Oeste Catarinense responde por 50,22%.
O preço de dezembro de 2020 pago aos pecuaristas
catarinenses foi 27,17% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Na
comparação com fevereiro de 2019, a diferença é de 66,72%.
Embora a demanda interna seja superior à produção estadual,
Santa Catarina exporta carne bovina. Em 2020, o estado ocupou a 15ª posição no
ranking nacional, tendo exportado 3,06 mil toneladas, com US$9,51 milhões em
receitas, quedas de 19,46% e 14,05% em relação ao ano anterior,
respectivamente. O principal destino da carne bovina catarinense é Hong Kong,
que respondeu 50,01% das receitas com esse produto em 2020.
Carne de frango
Em 2020, foram produzidos no Estado e destinadas ao abate
848,31 milhões de frangos, segundo a Cidasc, alta de 0,7% em relação ao ano
anterior. Esse montante inclui tanto as aves cuja finalidade principal é o
abate, quanto aquelas com outras finalidades, mas que, em algum momento, são
abatidas. São contabilizados somente os animais abatidos em estabelecimentos
inspecionados, seja em Santa Catarina ou em outras unidades da federação. A
mesorregião Oeste Catarinense foi responsável por 79,76% da produção
catarinense em 2020, pequeno recuo em relação ao ano anterior, quando respondeu
por 80,53%
Santa Catarina é o segundo maior exportador de carne de
frango do país, tendo sido responsável por 25% das receitas brasileiras com
esse produto em 2020. Por outro lado, ano passado a quantidade de carne de
frango exportada pelo Estado caiu 24,05%, enquanto a variação das receitas foi
de -32,17%.
O ranking nacional é liderado pelos três estados da Região
Sul, sendo o Paraná o maior produtor nacional de frangos do país, com quase um
terço do total. A segunda posição varia de acordo com o parâmetro utilizado.
Quando se leva em consideração a produção de carne em equivalente-carcaça,
Santa Catarina segue sendo o segundo principal produtor. Quando se considera o
número de aves abatidas, o Rio Grande do Sul assume a posição.
Os dados preliminares do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA) apontam um crescimento de 1,52% na produção mundial de
carne de frango em 2020. No ano passado a produção mundial de carne de frango
superou a de carne suína. Essa é a primeira vez que isso ocorre desde o início
da série histórica, na década de 1960.
Carne suína
De acordo com os dados da Pesquisa Trimestral do Abate de
Animais, em 2019 a produção catarinense atingiu 1,12 milhão de toneladas de
carcaça, alta de 3,31% em relação ao registrado em 2018. Nos três primeiros
trimestres de 2020, as variações foram ainda mais expressivas em relação ao
mesmo período do ano anterior: aumento de 14,84% no número de animais abatidos
e de 18,51% na produção de carcaça. Até a finalização desta publicação, o IBGE
ainda não havia divulgado os dados do 4º trimestre.
Em 2020, 7.318 suinocultores catarinenses destinaram suínos
para abate em estabelecimentos inspecionados, queda de 3% em relação ao ano
anterior. Entre 2015 e 2020, o número de produtores caiu 15,57%, o que indica um
processo de concentração em curso no setor, com produções cada vez maiores e um
número decrescente de suinocultores. A mesorregião Oeste (microrregiões de
Concórdia, Joaçaba, Chapecó, São Miguel do Oeste e Xanxerê) foi responsável por
79,40% dos animais produzidos em 2020.
Assim como observado no cenário nacional, as exportações
catarinenses de carne suína também apresentaram crescimento significativo em
2020: foram embarcadas 523,39 mil toneladas, aumento de 25,63% em relação ao
ano anterior, o que mantém Santa Catarina no topo do ranking de maiores
exportadores da proteína do país. As receitas registraram incremento ainda mais
expressivo: US$1,17 bilhão, alta de 35,30%. Tais resultados representam
recordes históricos nas exportações de carne suína do estado, tanto em valor
como em quantidade. Os bons resultados de 2020 devem-se, principalmente, ao
crescimento dos embarques para a China. Em relação a 2019, as exportações para
aquele país cresceram 70,32% em quantidade e 76,32% em valor.
O fator que afetou de forma mais expressiva a suinocultura
mundial em 2020 foi a peste suína africana (PSA), doença que atingiu a Ásia em
meados de 2018 e, desde então, afeta drasticamente a atividade na principal
região produtora e consumidora da proteína. Como já havia sido observado em
2019, quando a produção mundial caiu 9,71%, em 2020 registrou-se nova queda,
dessa vez de 4,02%, de acordo com os dados da USDA.
Para 2021, as projeções iniciais do USDA apontam um
crescimento de 4,4% na produção mundial, impulsionado pela gradativa
recuperação da economia após as fases mais críticas da pandemia de Covid-19, e
por aumentos consideráveis na produção chinesa (9,2%), brasileira (3,6%), russa
(5,9%) e vietnamita (4,9%), entre outros países.
Leite
Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM/IBGE), a
produção catarinense de leite em 2019 foi 8,1% superior à levantada pelo Censo
Agropecuário 2017. Os analistas da Epagri/Cepa avaliam que é certo que houve
crescimento nesse período, mas, ao se comparar os dados municipais e regionais
dessas duas fontes e considerando o histórico de alta subjetividade nos dados
da PPM, é possível afirmar que, mesmo a produção total de 2019 podendo, de
fato, não ter sido muito diferente dos 3,040 bilhões de litros apontados pela
PPM, há problemas com a sua distribuição geográfica. A Epagri/Cepa entende que
é muito improvável, por exemplo, que as produções das mesorregiões Oeste e Sul,
as duas principais produtoras, tenham crescimentos a taxas menores que as
mesorregiões Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis.
No que diz respeito aos preços recebidos pelos produtores, o
ano de 2020 teve dois semestres bem distintos. No primeiro semestre, os preços
estiveram em patamares bem inferiores aos do segundo semestre, o que fez com
que o preço médio anual alcançasse o maior patamar da série histórica da
Epagri/Cepa. A elevação dos valores é resultado da combinação da produção com
desempenho apenas discreto e abaixo do esperado e, principalmente, pelo
crescimento da demanda de lácteos por milhões de pessoas beneficiadas pelo
auxílio emergencial, em face da pandemia da Covid-19.
Moluscos
A produção catarinense de moluscos na safra 2019 foi de
15.156t, valor 6,62% maior que no ano anterior. A produção do Estado segue
crescendo desde 2018, que havia sido precedido por três anos seguidos de queda.
O aumento em 2019 foi impulsionado pela produção de ostras, com crescimento de
29,5%, enquanto a produção de mexilhões teve incremento de 2,4% em 2019.
Um total de 485 produtores estiveram envolvidos no cultivo
de moluscos em Santa Catarina em 2019. Seguindo a tendência de redução
observada nos últimos anos (2016 a 2018), a quantidade de produtores em 2019
diminuiu 1,4% em relação a 2018. No entanto, esse valor é menor que as reduções
observadas em 2017 e 2018, de 10, 8% e 8,4%, respectivamente.
O documento traz ainda informações completas sobre o desempenho da aquicultura e do setor florestal.
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ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE