Entrevista: Situação mais crítica já passou, mas precisamos manter o cuidado, diz Carmen Zanotto
Há quase 30 dias como secretária de Estado da Saúde de Santa
Catarina, a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania) acumula bons números à
frente da pasta. A fila por UTI de pessoas contaminadas com Covid-19, o volume
de casos ativos da doença, e o mapa de risco do Coronavírus tiveram melhoras
nas últimas semanas.
Apesar disso, acelerar a cobertura vacinal e garantir
atendimento adequado a todos os catarinenses têm sido um problema. Em
entrevista à Rede Catarinense de Notícias (RCN) na manhã desta sexta-feira
(30), Carmen Zanotto falou sobre vacina, impeachment, e novos decretos e
portarias.
Rede Catarinense de Notícias - Santa Catarina teve uma queda
na fila de UTI, mas que voltou a subir nesta quinta (29). O que representa esse
aumento? A Secretaria deve fazer transferência de pacientes entre as regiões?
Carmen Zanotto - A gente já está fazendo a remoção dos
pacientes do Meio-Oeste. Temos em algumas regiões com taxa de ocupação de menos
de 100%, o que é muito bom, mas ainda temos pacientes que precisam ser
removidos de uma região para outra. São três regiões que têm mais casos de
fila, que é o Meio-Oeste, Sul e o Norte. Mas nas demais regiões a situação está
sob controle.
RCN - Essas regiões com menor ocupação vão receber
pacientes?
Zanotto - Estão recebendo. Em especial da região do
Meio-Oeste, que estão sendo enviados para Chapecó, São Miguel do Oeste,
Maravilha. Quanto mais perto, melhor será o procedimento de remoção. Alguns
pacientes estão em hospitais de grande porte, como os regionais, intubados em
leitos de enfermaria e tem uma pressão da família de permanecer naquela unidade
hospitalar. Outros pacientes não têm condição clínica de remoção. Isso tudo
mostra quanto a gente precisa manter o cuidado, em especial nos pequenos
momentos, como lanches, confraternizações, pequenos aniversários. A situação
mais crítica, a gente pode dizer com muita segurança, já passou, mas ela exige
de todos nós muita serenidade e muito comportamento individual. Precisamos
manter todo o cuidado.
RCN - Existe uma perspectiva de quando essa fila por UTI
possa ser zerada?
Zanotto - Isso é muito dinâmico. Assim como já tivemos
regiões zeradas com relação a vagas, esse desenho muda em menos de 24 horas em
algumas unidades hospitalares. A gente acredita que a partir da semana que vem,
se for mantido esse desenho e o mapa de risco hoje, a gente possa estar sem
pacientes precisando de remoção na intensidade que já vivemos. Temos que
lembrar que nós já tivemos 475 pacientes aguardando uma vaga de UTI. No começo
de abril, nós estávamos com 290 e agora a média é de 25 a 45 pacientes.
RCN - Nesta sexta (30), encerra o atual decreto e a portaria
que define as normas para cirurgias eletivas. As regras serão mantidas?
Zanotto - Para as cirurgias eletivas, a portaria já
teve uma alteração dias atrás permitindo os procedimentos que não utilizem o
kit intubação. Os estudos para a gente liberar as demais cirurgias estão sendo
realizados. Estão suspensas as cirurgias eletivas que utilizam os mesmos
medicamentos para os casos de urgência e emergência nas UTIs gerais e de Covid.
[A regra serve] para evitar o risco de faltar medicamentos.
RCN - E quanto ao decreto?
Zanotto - O decreto será publicado ainda na noite de
hoje [sexta] com revisão de portarias. Lembrando que é um decreto de transição
em função da situação menos tensa com relação a vagas na rede hospitalar, com a
redução dos casos de óbitos e também dos casos positivos. A gente está
trabalhando a ampliação de horários para alguns estabelecimentos e também a
retomada dos eventos.
RCN - A senhora falou sobre uma situação "menos
tensa". Nos últimos 14 dias a gente tem um número estável de casos ativos,
próximos a 20 mil. Não há uma preocupação de que esse número possa crescer
novamente com essas liberações?
Zanotto - Tudo depende, se você ampliar alguns
horários, consegue a retomada de alguns procedimentos da área econômica, sem
deixar de lado os cuidados sanitários. Nós precisamos compreender que a nossa
atividade e o nosso comportamento em grupo precisa ser revisado. As atividades
em que a gente respeite o distanciamento, vá até o ambiente, se alimente
naquele espaço, ouça uma música durante o jantar, mas que quando a gente sai da
mesa coloca a máscara para circular no salão, a gente fica em mesa de até
quatro pessoas e respeito o distanciamento entre as mesas, deve ser uma rotina
até que a gente consiga imunizar boa parte da população. Eu quero aproveitar
esse momento em que a gente está conversando para que as pessoas atendam ao
chamado das prefeituras para vacinação. Nós deveremos ter doses suficientes
para continuar a imunização para os trabalhadores da saúde e para a população
de 60 anos ou mais. Todos aqueles que já estão nesses grupos prioritários, é
muito importante que compareçam e sigam as normas de seus municípios.
RCN - Sobre a vacinação, existe uma preocupação com a
segunda dose em função dos atrasos do Butantan. Vai chegar um novo lote para
cobrir esse público?
Zanotto - Vai. Essa é a informação que a gente recebeu. Eu estive pessoalmente tratando desse assunto na quarta-feira, em Brasília. As remessas que estão chegando vão fazer a complementação de segunda dose para 12 municípios. Uma parte já está na distribuição junto com as da Astrazeneca. A informação é de que nas próximas horas, até segunda feira, deveremos estar recebendo uma distribuição. O Butantan entregou mais 600 mil doses [ao Ministério da Saúde] e parte disso vai chegar a Santa Catarina.
RCN - Com novas remessas, a partir de maio poderemos ter a
vacinação para profissionais da educação e pessoas com comorbidades?
Zanotto - Essas doses que chegaram e as próximas que
chegarem nós já vamos iniciar a vacinação de pessoas com comorbidades. Lembrando
que vamos iniciar pelas pessoas com síndrome de down, pelos pacientes que fazem
hemodiálise, que fazem o deslocamento de um município menor para um maior para
fazer a hemodiálise, também as gestantes e puérperas. E os professores, com
certeza. Nós temos que vacinar os professores e os trabalhadores da educação.
Nós temos que garantir desde a servente da escola, a merendeira, o pessoal da
secretaria.
RCN - Mas ainda sem um prazo?
Zanotto - Se a Fiocruz conseguir processar 1 milhão de
doses/dia, a gente vai ter por semana 5 milhões de doses. Avançando pelas
pessoas com comorbidades, a gente consegue chegar mais rápido nos professores.
Por isso nosso grande apelo, e quero aqui agradecer o trabalho de cada
secretaria municipal de saúde, dos profissionais, que estão trabalhando sábado
e domingo para garantir a cobertura vacinal.
RCN - A senhora vem da política e está gerindo a saúde do
Estado. Qual a avaliação que a senhora faz sobre o processo de impeachment
contra o governador afastado Carlos Moisés?
Zanotto - Quando eu aceitei vir para a secretaria, eu
entendi que vinha cumprir uma missão. Eu não fiz nenhuma avaliação política das
consequências de ter tomado a decisão de ajudar o nosso Estado. Eu estou
cuidando da Secretaria de Estado da Saúde, junto com a equipe técnica, e para
mim, neste momento, eu não posso misturar as tarefas. Estou na tarefa de
enfermeira, de gestora estadual. Tanto é que estou afastada da presidência
estadual do meu partido [Cidadania]. Eu tive que me afastar do partido por divergências
na tomada de decisão.
RCN - Uma mensagem final?
Zanotto - Eu queria fazer um apelo para as pessoas: não deixem de comparecer à vacinação. Só vacinando a gente poderá ter dias muito melhores do estes.
Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
-
10:07
Abertas as inscrições para o 11º Festival Estudantil de Esquetes Teatrais
-
14:09
Bike Maluca movimenta o Parque Jorge Hardt neste domingo (17) em Indaial
-
14:07
Solenidade oficial marca entrega da nova Policlínica de Especialidades em Indaial
-
10:15
Prefeitura de Indaial promove 3º Workshop de Atualização do Plano Municipal de Turismo






ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE