Presidente do TSE nega ação do PL que questiona urnas no segundo turno
Moraes também aplicou multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé
Moraes também aplicou multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro
Alexandre de Moraes, decidiu negar pedido feito pelo PL questionando
votos do segundo turno das eleições, realizado em 30 de outubro.
Na decisão, Moraes rebateu as questões técnicas levantadas
pelo partido do presidente Jair Bolsonaro. O ministro disse que o partido não
fez o aditamento de supostas irregularidades no primeiro turno e não apresentou
indícios que justifiquem a instauração de verificação extraordinária da apuração.
Segundo o ministro, todos os modelos de urnas são
identificáveis por mecanismos físicos e eletrônicos. Moraes afirmou ainda que é
"fraudulento" o argumento de que teria ocorrido a violação do sigilo
do voto a partir do registro de nomes de eleitores em logs da urna.
No despacho, o presidente ainda afirmou que é
"totalmente possível a rastreabilidade das urnas eletrônicas" e os
argumentos são "absolutamente falsos".
"A total má-fé da requerente em seu esdrúxulo e ilícito
pedido, ostensivamente atentatório ao Estado Democrático de Direito e realizado
de maneira inconsequente com a finalidade de incentivar movimentos criminosos e
antidemocráticos que, inclusive, com graves ameaças e violência vem obstruindo
diversas rodovias e vias públicas em todo o Brasil, ficou comprovada, tanto
pela negativa em aditar-se a petição inicial, quanto pela total ausência de
quaisquer indícios de irregularidades e a existência de uma narrativa
totalmente fraudulenta dos fatos", afirmou Moraes.
Na mesma decisão, Alexandre de Moraes condenou a Coligação
Pelo Bem do Brasil, que apoiou a candidatura de Bolsonaro nas eleições deste
ano, por litigância de má-fé e aplicou multa de R$ 22,9 milhões. Também foi
determinada a suspensão de repasses do Fundo Partidário para a coligação até o
pagamento da multa.
Por fim, o ministro determinou o envio da decisão para
corregedoria da Justiça Eleitoral para que a conduta do presidente do PL,
Valdemar de Costa Neto, seja avaliada. O objetivo é investigar a
responsabilidade pela suposta "finalidade de tumultuar o regime
democrático brasileiro".
Após o despacho de Moraes, o PL informou em nota que o
partido já acionou a assessoria jurídica para analisar a decisão do TSE.
"O PL reitera que apenas seguiu o que prevê o Artigo 51 da Lei Eleitoral
que obriga as legendas a realizar uma fiscalização do processo eleitoral",
diz a nota
Entenda
Ontem, o PL protocolou no TSE uma representação
eleitoral para questionar o resultado da eleição e apontou o suposto mau
funcionamento de urnas no segundo turno como justificativa.
Em seguida, Moraes deu prazo de 24 horas para a legenda
aditar a petição para apresentação da relação de urnas supostamente
defeituosas nos dois turnos. A Justiça Eleitoral utiliza as mesmas urnas nas
duas votações.
Na tarde de hoje, o partido pediu que o requerimento com
escopo somente para o segundo turno fosse mantido pelo TSE.
Em entrevista coletiva, o presidente do PL, Valdemar Costa
Neto, afirmou que a verificação de possíveis erros foi restrita ao segundo
turno por “coincidência” ou “tecnologia”, já que a consultoria contratada
verificou o erro apenas nessa etapa do pleito.
No primeiro turno, o PL elegeu a maior bancada do Congresso Nacional, com 99 deputados e 14 senadores.
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ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE