Juíza Gabriela Hardt deixa processos da Lava Jato em Curitiba
Magistrada foi designada para atuar na 3ª Turma Recursal do Paraná
Magistrada foi designada para atuar na 3ª Turma Recursal do Paraná
A juíza substituta
Gabriela Hardt deixou a 13ª Vara Federal de Curitiba, onde tramitam os
processos remanescentes da Operação Java Jato. Ela foi designada para atuar na
3ª Turma Recursal do Paraná. A informação foi divulgada pelo Tribunal
Regional Federal da 4ª Região (TRF4), na segunda-feira (19).
Quem assume a
13ª Vara Federal, e por consequência a Lava Jato, é o juiz federal Fábio
Nunes Martino, da 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR). O magistrado substituto
da vara passa a ser Murilo Scremin Czezacki, da 2ª Vara Federal de
Cascavel (PR).
A movimentação de
Hardt ocorre depois de ela não ser contemplada em uma candidatura para assumir
uma jurisdição em Florianópolis. Outra juíza foi escolhida seguindo o critério
de antiguidade, ou seja, por ter mais tempo de carreira.
O titular a
13ª Vara Federal, juiz federal Eduardo Appio, foi afastado de modo
cautelar das funções pelo Conselho de Administração do TRF4, em maio, por suspeitas de
condutas incompatíveis com o cargo. Ele recorreu ao Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) para ser reconduzido ao posto, mas o pedido ainda não foi
decidido.
Histórico
No auge da Lava
Jato, Hardt atuou como substituta do ex-juiz e atual senador Sérgio Moro
(União-PR) na condução da operação. Ela ficou por algum tempo responsável pela
13ª Vara Federal, depois de Moro pedir exoneração para assumir o cargo de
ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro.
A juíza foi
responsável, por exemplo, pela segunda condenação do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no âmbito da Lava Jato, caso relacionado à reforma de um sítio em
Atibaia (SP). A sentença proferida por ela causou polêmica na ocasião, por ter
longos trechos aparentemente idênticos à sentença anterior escrita por
Moro.
As condenações de
Lula foram depois anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que atendeu a
recurso do advogado Cristiano Zanin, agora indicado pelo presidente para ocupar
uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A sabatina do defensor na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado está marcada para esta semana e a expectativa é que
seu nome seja aprovado sem dificuldades no plenário da Casa.
Embate
O afastamento
do juiz Eduardo Appio da 13ª Vara Federal de Curitiba foi
determinado após uma representação feita pelo desembargador Marcelo
Malucelli que, no mês passado, pediu para deixar o posto de revisor dos
processos oriundos da Lava Jato.
O desembargador
pediu o afastamento após a divulgação de que tem relações pessoais com a
família do senador Sergio Moro (União-PR). O Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
abriu procedimento para apurar a informação. Enquanto esteve a cargo de revisar
a operação, Malucelli anulou decisões proferidas por Appio.
Já o afastamento de
Appio foi baseado na acusação de que ele teria entrado em contato com o filho
do desembargador para confirmar o parentesco entre os dois. O advogado João
Malucelli é sócio de Moro em um escritório de advocacia e namora a filha do
senador. O TRF4 tomou a decisão pelo afastamento com base em um laudo pericial
segundo o qual a voz no telefonema é do juiz federal.
Appio recorreu ao
CNJ, pedindo sua recondução. Entretanto, ele segue impedido de acessar o prédio
ou os sistemas da Justiça Federal em Curitiba. A defesa do magistrado contesta
o laudo apresentado pelo TRF4 e apresentou uma segunda avaliação técnica, que
disse não ser possível confirmar que se trata da voz de Appio no telefonema a
João Malucelli. Não há prazo definido para que o recurso seja julgado.
O embate entre o juiz e o desembargador resultou na abertura de diferentes procedimentos disciplinares pela Corregedoria-Nacional de Justiça, um dos braços do CNJ. No fim de maio, o corregedor, ministro Luís Felipe Salomão, determinou a realização de uma correição extraordinária nos gabinetes de Appio e Malucelli, com a inspeção de documentos e inquirição de magistrados e servidores.
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