Queremos fazer política do ganha-ganha, diz Lula sobre Mercosul e UE
Presidente afirma que exigências europeias são inaceitáveis
Presidente afirma que exigências europeias são inaceitáveis
No dia em que
assume a liderança temporária do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva disse nesta terça-feira (4) que os países que integram o bloco buscam uma
política de ganha-ganha com a União Europeia. Em seu programa semanal Conversa
com o presidente, Lula, que está em Puerto Iguazú, na Argentina, voltou a
classificar as exigências feitas por países europeus como inaceitáveis.
“Estamos aqui para
discutir o futuro do Mercosul, o aprimoramento das relações entre Brasil,
Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. E nós queremos também preparar aqui a
proposta de acordo para a União Europeia. Eles fizeram uma proposta, fizemos
uma resposta. Mandaram uma carta para nós impondo algumas condições. Não
aceitamos a carta. Estamos, agora, preparando uma outra resposta”,
afirmou.
Acrescentou que
“queremos fazer uma política de ganha-ganha. A gente não quer fazer uma
política em que eles ganham e a gente perca. Por exemplo: eles querem que a
gente abra mão de compras governamentais, ou seja, aquilo que o governo compra
das empresas brasileiras. Se a gente abrir mão das empresas brasileiras para
comprar de empresas estrangeiras a gente simplesmente vai matar pequenas e
médias empresas brasileiras, pequenos e médios empreendedores e vamos matar
muito emprego aqui no Brasil.”
Meio ambiente
Durante o programa,
Lula comentou ainda as condições impostas pela União Europeia ao Mercosul no
que diz respeito a energias limpas. Na avaliação do presidente, nenhum país tem
autoridade moral para discutir com o Brasil sobre o tema. “Obviamente que
tivemos a grosseria de um governo que desrespeitava o desmatamento, não
respeitava terra indígena, florestas, reservas florestais. Tudo isso acabou”
disse o presidente.
Ele assegurou que
“agora vamos diminuir o desmatamento, respeitar os indígenas, cuidar das nossas
reservas florestais e respeitar terras quilombolas. Da sua matriz energética,
87% da energia [elétrica] brasileira é renovável. O mundo só tem 27%. Se você
pegar a matriz energética como um todo, envolvendo combustível, o Brasil tem
50% de energia limpa. O mundo tem 15%. O Brasil tem muita autoridade moral para
cuidar corretamente da preservação da nossa floresta.”
Desmatamento zero
O presidente Lula
lembrou que o governo brasileiro assumiu o compromisso de chegar ao
desmatamento zero até 2030 e reforçou que a meta será cumprida. “Queremos
discutir um acordo, mas não queremos imposição para cima de nós. É um acordo de
companheiros, de parceiros estratégicos. Então, nada de um parceiro estratégico
colocar espada na cabeça do outro. Vamos sentar, vamos tirar nossas diferenças
e vamos ver o que é bom para os europeus, para os latino-americanos, para o
Mercosul e para o Brasil.”
“Para todos eles, eu disse que a carta era inaceitável. Tal como ela foi escrita, ela era inaceitável e é inaceitável. Você não pode imaginar que um parceiro comercial seu pode impor condições. ‘Se você não fizer tal coisa, eu vou te punir. Se você não cumprir o acordo de Paris, eu vou te punir.’ Acontece que os países ricos não cumprem um dos acordos. Não cumpriram o Protocolo de Kyoto, as decisões de Copenhague, do Rio 2002 e não vão cumprir o Acordo de Paris,”, finalizou o presidente.
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