Ninguém pode impor sua vontade, diz Marina sobre desmatamento zero
"Estamos trabalhando para alcançar até 2030"
"Estamos trabalhando para alcançar até 2030"
Ao comentar a ausência de uma meta comum para o desmatamento
zero na Declaração de Belém, divulgada nessa terça-feira (8), a ministra do
Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que ninguém pode impor
sua vontade a ninguém. O documento é resultado da Cúpula da Amazônia, que
reuniu representantes dos oito países amazônicos.
“O processo de negociação é sempre mediado. Ninguém pode
impor a sua vontade. Então, são os consensos progressivos – na medida em que
temos alguns consensos, a gente vai botando no documento. Uma coisa muito
importante que aconteceu é que todos os países concordam que a Amazônia não
pode ultrapassar o ponto de não retorno, ou seja, o ponto de quando não há
volta. Porque, se ultrapassar 25% de desmatamento, a floresta entra num
processo de savanização.”
“Aí, é um ponto de não retorno. Será a destruição da
floresta. E a destruição da floresta significa a destruição, sobretudo, do
nosso sistema de chuvas. Nós só não somos um deserto porque temos a Amazônia.
Isso a gente tem que pensar com muita atenção. Quando se diz desmatamento zero
é porque a ciência e o consenso estão nos mandando parar, porque essa
floresta é responsável pelas chuvas, por 75% do PIB [Produto Interno Bruto] da
América do Sul e pelo equilíbrio do planeta.”
Ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o
programa Bom Dia, Ministro, Marina lembrou que quando a Organização
do Tratado De Cooperação Amazônica (OTCA) foi criada, há 45 anos, diversas
questões atualmente relacionadas à mudança do clima ainda não estavam em
pauta.
“Há 14 anos, não tínhamos uma reunião dos presidentes que compõem
o Tratado de Cooperação da Amazônia. Esse espaço de tempo foi prejudicial ao
andamento de políticas regionais que nos levem a enfrentar o problema do
desmatamento, da desigualdade social, do abandono das comunidades indígenas
quando se pensa na região amazônica.”
Marina lembrou ainda que a cúpula, que termina nesta
quarta-feira (9), tem como previsão a divulgação de dois documentos. “Essa
cúpula terá dois comunicados. O comunicado conjunto dos oito países e o
comunicado conjunto da sociedade, que servirá de impulso para os governos. Tudo
aquilo que ainda não foi possível estabelecer como consenso na perspectiva dos
vários países já é um consenso na perspectiva da ciência e da sociedade.”
“O Brasil já tem um compromisso de desmatamento zero. Já
estamos trabalhando para alcançar o desmatamento zero até 2030”, disse, ao
citar que, nos primeiros sete meses de governo, a pasta ampliou a capacidade de
fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio) em quase 200%, além de registrar queda de 42% no desmatamento do
país.
“Só no mês de julho, que é um dos mais difíceis, quando temos um pico de desmatamento, a queda foi de 66%, queda que aconteceu nos mais diferentes estados da Amazônia, em vários municípios. Portanto, ainda que não tenhamos na declaração conjunta, em função de não se chegar a um consenso com outros países, o Brasil já tem esse compromisso e nós vamos continuar perseguindo”, concluiu.
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