Audiência debate caça como meio de controle da população de javali
Audiência foi realizada na CDL de Lages
Audiência foi realizada na CDL de Lages
A necessidade da
caça como meio de controle da população de javali foi destacada durante
audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura e Desenvolvimento
Rural da Assembleia Legislativa, em Lages, para tratar do manejo sustentável
dessa espécie em Santa Catarina. Autoridades, produtores rurais e caçadores
participaram do encontro, promovido na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de
Lages.
O javali-europeu é
uma espécie exótica, que não tem predadores e se reproduz de maneira acelerada.
Segundo o proponente da audiência, o deputado Lucas Neves (Podemos), estima-se
que haja uma população de 200 mil javalis no estado, que causam estragos em lavouras,
rebanhos e ameaçam a biodiversidade local.
O parlamentar é
autor do Projeto de Lei (PL) 393/2023, em tramitação na Alesc, que autoriza o
controle populacional e manejo sustentável do javali. Ele acredita que essa é a
melhor alternativa para enfrentar o problema.
“É uma situação que
está trazendo temor para o campo”, disse Lucas. “Precisamos conscientizar a
população dessa ameaça e, ao mesmo tempo, garantir que os caçadores tenham a
autorização necessária para fazer o controle dessa espécie.”
Temores
O público que se manifestou durante a audiência demonstrou apreensão com a
ausência do controle populacional desses animais. A preocupação aumentou ainda
mais com a decisão do Ibama, em agosto passado, de suspender a concessão de
novas autorizações para a caça do bicho.
O médico
veterinário José Cristani, professor da Udesc/Lages, afirmou que os javalis
ameaçam a sanidade animal dos rebanhos produtivos do estado, o que pode causar
prejuízos incalculáveis para a pecuária. Já o produtor de vinhos Geraldo
Possamai disse que no ano passado teve destruídas videiras de sua propriedade.
Além disso, bezerros foram atacados e mortos pelos javalis.
Caçador, produtor
rural e vereador em Bom Jardim da Serra, Gilmar Nunes Oliveira disse que os
animais estão se multiplicando de forma absurda e assustando os proprietários
rurais. “Em lugar onde antes a gente encontrava alguns animais, agora há mais
de 100. Só na sexta-feira, matamos 30”, contou. “Recebo todos os dias ligações
de produtores pedindo o controle desses animais.”
Henrique Menegazzo,
representante da Prefeitura de Anita Garibaldi, defendeu a atuação dos
caçadores. “Eles são legalizados, pessoas de bem, que querem diminuir os
prejuízos da produção agrícola.”
Câmaras de 20
municípios encaminharam moções de apoio ao projeto de Lucas Neves. Assessores
dos deputados federais Daniela Reinehr e Zé Trovão, ambos do PL, também
manifestaram apoio à iniciativa do parlamentar, assim como a Associação
Empresarial de Lages (Acil) e a Federação da Agricultura do Estado de Santa
Catarina (Faesc), representada pelo presidente do Sindicato Rural de Lages,
Márcio Pamplona.
“O trabalho dos
controladores, custeado por eles mesmos, é muito importante para os produtores
rurais. É um hobby para vocês e para nós, produtores, é uma segurança”, afirmou
Pamplona. “Não podemos correr esse risco sanitário. Se tivermos qualquer problema
sanitário, vamos ter um problema muito maior para a economia.”
O secretário de
Estado da Agricultura, Valdir Colatto, afirmou que o projeto de lei apresentado
pelo deputado Lucas Neves é um caminho para a solução de um problema antigo.
“Se a União não toma uma providência, o Estado, com base na Constituição
Federal, pode criar uma lei para resolver um problema dentro do estado”,
comentou.
O presidente da
Associação Brasileira de Caçadores “Aqui tem Javali”, Rafael Augusto Salerno,
defendeu os caça do animal. Para ele, essa é uma maneira de controlar uma
praga, nos mesmos moldes que é feito com outras pragas, como lagartas,
carrapatos, ratos, entre outras.
“O nosso principal
inimigo talvez seja a desinformação”, disse Salerno, que rebateu acusações de
caça de animais silvestres. “Não podemos ser acusados de forma leviana,
enquanto fazemos atividades de forma legalizada e voluntária.”
Para ele, a
regulamentação da caça, além de ajudar o campo, pode representar uma atividade
turística que impulsione a economia. “A suspensão da caça é uma tragédia para
nós. Mas nós vamos voltar mais fortes e eu acredito muito nisso. Estamos num
momento histórico, pois temos apoio político para defender a caça.”
Também participaram
da audiência o comandante da Polícia Militar Ambiental, coronel Robson Xavier
Neves; o secretário de Planejamento de Lages, Gabriel Córdova; e a vereadora de
Lages Suzana Morais Duarte, autora de uma moção de apoio ao PL sobre o controle
dos javalis.
Pela Alesc, participaram, ainda, os deputados Massocco e Marcius Machado, ambos do PL. “Somos o estado que mais exporta proteína animal e isso se deve à nossa sanidade animal. Não podemos arriscar isso”, alertou Massocco. Já Machado declarou que não é contra o controle do javali, mas destacou que não pode haver matança de outros animais.
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