Segundo projeção do
Instituto Trata Brasil, Santa Catarina deixa de ganhar R$ 14,8 bi anuais ao não
universalizar o tratamento de esgoto. O dado foi divulgado durante o Fórum
Brasil ODS 2023 na Assembleia Legislativa.
“Santa Catarina
teria ganho líquido de R$ 14,8 bi com a universalização do acesso ao
saneamento. Descontado todo o investimento, teria redução de custo com saúde,
melhoria de ganho com o turismo, com a educação e com a produtividade”, afirmou
Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil.
De acordo com a
especialista, Santa Catarina despeja por dia 300 piscinas olímpicas de esgoto
sem tratamento nos rios e no mar.
“Daí temos
problemas com turismo, o Pronto Atendimento (PA) lota na época de verão com
viroses, mas na verdade é água contaminada. Não é normal ficar doente no verão
com diarreia, dengue, esquistossomose, leptospirose”, enumerou Luana,
acrescentando que em 2021 o estado registrou 2.769 internações por falta de
saneamento básico.
Doenças
ginecológicas também estão associadas à falta de higiene derivada da falta de
coleta e tratamento de esgoto.
“Com a
universalização do tratamento de esgoto será possível reduzir em 63% as doenças
ginecológicas. As mulheres são duplamente prejudicadas pela falta de
saneamento, porque também precisam cuidar dos filhos ou do marido quando ficam
doentes, comprometendo a renda por conta do saneamento básico”, apontou Luana.
Para o Instituto
Trata Brasil, a cada um real investido em saneamento básico, no longo prazo
traria um retorno de R$ 5,70.
“É algo excepcional
do ponto de vista social, a gente não está só trazendo um benefício, está
trazendo a base para o desenvolvimento econômico e social. É a base da mudança
de vida, de sair do círculo vicioso da lombriga, da ferida na perna, que parece
normal, mas não é”.
Futuro problemático
De acordo com a representante do Instituto Trata Brasil, o aumento da
temperatura da terra afetará todo o ciclo da água, resultando em excesso ou em
falta de água.
“Nosso planejamento
futuro tem que ser com base no tempo de recorrência dos eventos climáticos que
estamos vivendo. O Produto Interno Bruto (PIB) só crescerá se tiver água, e só
teremos água se cuidarmos desse bem precioso. Em 2040 será preciso captar mais
água dos rios por causa do aumento da população e da produção irrigada”,
observou Luana, que ponderou a possibilidade de escolha: irrigação ou consumo
humano?
Um caso concreto
A diretora-presidente das Unidades de Saneamento de Santa Catarina (Aegea),
Reginalva Mureb, relatou o caso de Camboriú, cujo saneamento básico é de
responsabilidade do município, mas que será entregue para Aegea, que já atua
como concessionária do fornecimento de água.
“Em Camboriú há a
possibilidade de a Aegea receber o esgotamento sanitário, que hoje é de
responsabilidade do município. Estamos na expectativa de receber, evitando
assim o lançamento in natura do esgoto de mais de 100 mil pessoas no rio
Camboriú (que deságua no mar na ponta Sul de Balneário Camboriú)”, descreveu
Reginalva, explicando assim alguns dos motivos da não balneabilidade de parte
da praia do mais famoso balneário do estado.
A posição de SC
Em Santa Catarina, conforme dados de 2021, 98,4% da população têm acesso à
água, enquanto apenas 32% tem acesso à coleta e tratamento de esgoto.
“Tem uma meta no marco legal que coloca como objetivo que todas as cidades precisam chegar a 90% de coleta de esgoto até 2026. O estado de São Paulo investe mais de R$ 200 por habitante em coleta e tratamento. Santa Catarina também deveria investir R$ 200 em média por habitante”, sugeriu a presidente do Instituto Trata Brasil.
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
Prefeitura de Timbó firma acordo que garante ganho real e avanços para servidores munici...
Prefeito Flávio Buzzi anuncia mudanças no secretariado de Timbó
39º Torneio de Verão de Futsal de Indaial chega à grande final
PROCON de Indaial intensifica fiscalização sobre a CASAN devido a recorrentes faltas de ...
ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE