PL dos Agrotóxicos divide equipe de transição, e votação é adiada
Novo governo tem de unificar posição, diz ex-ministro do Meio Ambiente
Novo governo tem de unificar posição, diz ex-ministro do Meio Ambiente
A votação do
projeto de lei (PL) que flexibiliza as regras de aprovação e comercialização de
agrotóxicos no Brasil foi novamente adiada nesta terça-feira (29). Agora, o
tema deverá ser discutido pela equipe de transição de governo, cujos
integrantes divergem sobre a matéria. De um lado, setores do agronegócio,
incluindo o relator do PL no Senado, Acir Gurgacz (PDT-RO), defendem mudanças.
Já integrantes da área ambiental do futuro governo, incluindo ex-ministros do
setor, são contra a flexibilização.
"Olha, [há]
alguns pontos que a gente precisa melhorar. São cinco pontos em que é melhor
avançar na discussão, para ver como ficou e como não ficou", disse Gurgacz
a jornalistas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, sede do
governo de transição. O senador não quis detalhar os pontos que precisam de
aprimoramento, mas indicou que a votação do projeto pode ser retomada ainda
neste ano.
O parlamentar, que
preside a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, adiou a votação
no colegiado após apelos de senadores da frente ambientalista. Na semana
passada, o senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que também compõe o grupo de
transição e é favorável às mudanças, afirmou que PL "está maduro"
para ser votado.
Em fevereiro deste
ano, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei, que passou então a
tramitar no Senado. O tema vem sendo discutido há mais de duas décadas.
Integrante da equipe de transição, o ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc
comentou nesta terça o adiamento da votação e lembrou que o texto precisa
passar por amplo debate no Senado, segundo um compromisso assumido pelo próprio
presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
“O presidente
Pacheco se comprometeu conosco e falou à imprensa desse compromisso de que não
colocaria em votação sem passar por todas as comissões e que esta seria
precedida de audiência com cientistas para as pessoas saberem qual seria a
consequência disso”, declarou Minc. Segundo o ex-ministro, o tema foi levado à
presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que coordena a área de articulação política
da transição. Minc também ficou de procurar o ex-ministro da Saúde José Gomes
Temporão para discutir aspectos do PL relacionados aos impactos na saúde
humana.
"A ideia era
falar com esse grupo para o governo ter uma posição única. A ideia não é
dificultar, agora, tirar as restrições aos [agrotóxicos] comprovadamente
mutagênicos e teratogênicos, e tirar o meio ambiente e a saúde da análise
disso, é uma coisa suicida", acrescentou.
Entenda
O PL 1.459/2022
trata da pesquisa, experimentação, produção, comercialização, importação,
exportação, destinação final e fiscalização de agrotóxicos. Desde o início da
tramitação, a matéria gera ampla divergência entre os senadores.
Entre as medidas
previstas no substitutivo estão a concentração do poder decisório sobre os
agrotóxicos no Ministério da Agricultura e a alteração da nomenclatura
agrotóxico, que passaria a ser chamada, na legislação, de pesticida. Órgãos
como o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) teriam apenas papel consultivo na análise desses produtos, sem poder
de veto ou aprovação.
O texto prevê ainda a fixação de prazo para a obtenção de registros desse tipo de produto no Brasil — com possibilidade de licenças temporárias quando não cumpridos prazos pelos órgãos competentes — e a suavização da classificação explícita de produtos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente.
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