Pacheco explica por que não avançou com CPI dos atos de 8 de janeiro
Segundo ele, assinaturas foram colhidas durante legislatura anterior
Segundo ele, assinaturas foram colhidas durante legislatura anterior
O presidente do
Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), enviou nesta terça-feira (14) ao
ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sua justificativa
para não ter dado prosseguimento ao requerimento de abertura na Casa
de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os atos de 8 de
janeiro. O requerimento foi apresentado em janeiro, com 38
assinaturas, pela senadora Soraya Thronicke (União-MT).
Em documento
elaborado pela Advocacia do Senado, Pacheco argumentou que o requerimento
que cria a Comissão Parlamentar de Inquérito não foi lido no plenário da Casa
por ter sido apresentado na legislatura anterior e
lembrou que senadores eleitos nas eleições de outubro de 2022
foram empossados somente em 1º de fevereiro de 2023.
“Conforme
mencionado, o requerimento foi apresentado na legislatura passada, e há disposições
regimentais, cuja interpretação impedem seu prosseguimento automático, na forma
pretendida pela senadora impetrante, a demonstrar, portanto, que a
segurança há de ser denegada”, destaca o documento enviado ao STF. O
presidente do Senado destacou que uma legislatura não pode remeter à
legislatura seguinte o dever de criar ou de prosseguir em inquérito
parlamentar.
Reação
Ao saber os
argumentos apresentados por Pacheco, Soraia Thronicke reagiu. Para a
parlamentar, toda a argumentação trazida por Pacheco não se
aplica ao caso concreto, uma vez que se refere à hipótese de CPIs em
funcionamento. “No nosso caso, a proposição por mim apresentada e subscrita por
mais de 40 senadores que estão em seu mandato sequer pode ser considerada
requerimento, tendo em vista que ela ainda não foi lida pelo presidente
Pacheco”, afirmou.
A senadora destacou
ainda que Pacheco mencionou o artigo 332, do Regimento
Interno da Casa, mas não disse, em seu texto, que o inciso II do
artigo “diz claramente que não serão arquivadas proposições de senadores que
estejam no curso do mandato ou que tenham sido reeleitos”.
A senadora
acrescentou que é dever da Presidência do Senado ler e
instalar a CPI, mas que seus advogados apresentarão uma
nova manifestação ao ministro Gilmar Mendes, relator do caso, para afastar
as alegações do presidente Rodrigo Pacheco.
Histórico
Diante da
resistência de Pacheco em fazer a leitura do requerimento em
plenário, medida que é pré-requisito para a criação de uma CPI,
Thronicke entrou no dia 16 de fevereiro com um mandado de
segurança junto ao STF. Nele, a senadora defende que Pacheco
teve “atuação política antidemocrática”, além de o acusar
de “omissão”, “resistência e interesse pessoal contra a instalação
da comissão”.
O objetivo é que o Supremo conceda liminar para obrigar o presidente do Senado a instalar o colegiado.
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