CNJ aprova regra de gênero para ampliar número de juízas
Cota de paridade em tribunais valerá a partir de janeiro de 2024
Cota de paridade em tribunais valerá a partir de janeiro de 2024
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sob a presidência da
ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, aprovou, por maioria,
nesta terça-feira (26), a criação da regra que promove a paridade de gênero no
preenchimento de vagas de juízes da segunda instância nos tribunais federais,
estaduais, militares e trabalhistas, nas promoções por merecimento. O CNJ
excluiu o gênero da regra de promoção dos magistrados por antiguidade.
A ministra Rosa Weber comentou a aprovação da alteração da
Resolução do CNJ 106/2010, que trata dos critérios objetivos para promoção de
magistrados e acesso aos Tribunais de 2º grau. “Não há guerra de sexos. Nós
temos homens que pensam, também, o direito, e tem toda essa sensibilidade, como
aliás, agora, na construção dessa solução ficou evidenciado também, no seio do
Conselho Nacional de Justiça”.
A aprovação da medida pelo colegiado deve ampliar o número
de mulheres nos cargos de desembargadoras. De acordo com dados do
levantamento Justiça em Números, do CNJ, apenas 38% da magistratura,
composta por cerca de 18 mil juízes, é formada por mulheres. Enquanto entre
desembargadores, as mulheres representam 25% e, entre os ministros de cortes
superiores, esse percentual é ainda menor, DE 18%.
A regra aprovada define que, para o acesso aos tribunais de
2º grau que não alcançaram a proporção de 40 a 60% por gênero, pelo critério de
merecimento, as vagas serão preenchidas por meio de editais abertos para o
recebimento de inscrições mistas, para homens e mulheres, ou exclusivas de
mulheres, até atingir a margem do percentual determinado pelo CNJ, no
respectivo tribunal.
Com a medida aprovada pelo CNJ, os tribunais deverão
alternar as promoções entre a lista mista e a lista exclusiva de mulheres a
partir de 1° de janeiro de 2024.
Votação
A relatora do ato normativo, conselheira Salise Monteiro
Sanchotene, supervisora do Comitê de Incentivo à Participação Institucional
Feminina no Poder Judiciário do CNJ, já tinha sido favorável à implementação da
medida, na leitura do relatório, há 15 dias.
No entanto, na última sessão do colegiado, o
conselheiro Richard Pae Kim havia pedido vista da matéria, quando o conselho já
tinha três votos para aprovar o ato normativo e alterar as regras de promoção
de magistrados. Nesta terça-feira, em seu voto, o conselheiro divergiu em parte
do texto da relatora, na questão que adotaria o critério gênero na promoção por
antiguidade.
Em resposta, a conselheira Salise Sanchotene reforçou que
mesmo com a situação de falta de paridade de gênero sendo considerada um
problema no Brasil, ela concordaria em retirar a questão de paridade de gênero
na possibilidade de promoção por antiguidade na segunda instância dos
tribunais, para haver um consenso em torno da matéria.
Salise Sanchotene, então, permaneceu com a parte do voto que
adota cota de gênero nas promoções dos magistrados apenas por merecimento.
“Esse consenso se construiu minutos antes dessa sessão começar. Mas já vínhamos
conversando há bastante tempo. Nós construímos um consenso, para eu fazer uma
reformulação do meu voto para retirar a antiguidade e permanecer o meu voto em
relação ao merecimento”, explicou a relatora.
Após a mudança sugerida pela relatora, a maioria do
colegiado - 13 dos 14 conselheiros -, acompanhou a proposta de consenso.
A presidente do CNJ, a ministra Rosa Weber, concordou. “Sou da teoria de ir mais devagar para avançar”.
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